Conta Loios

reportagem

Barreiro - Jornadas Violência Doméstica
É necessário um Plano Nacional de Intervenção nas escolas

Barreiro - Jornadas Violência Doméstica <br />
É necessário um Plano Nacional de Intervenção nas escolas <br />
. A violência doméstica é um problema de saúde pública

Ana Teresa Xavier, do Centro Hospitalar Barreiro Montijo, defendeu que é urgente intervir na prevenção, e, isso tem que começar na escola.
Na sua opinião, um programa de combate à violência doméstica, tem que começar na educação.

“A violência doméstica não é uma coisa de extractos sociais ou de natureza étnica, atinge todas os sectores sociais”, referiu Filomena Iria, autora do livro “(re) Contos de Violência Doméstica”, no decorrer das Jornadas «Violência Doméstica – DO DIREITO À REALIDADE», promovidas pela Delegação do Barreiro da Ordem dos Advogados, no Auditório Municipal Augusto Cabrita.

Ele sabia as minhas fragilidades e usava-me

Filomena Iria, autora do livro “(re) Contos de Violência Doméstica”, recordou que no dia 25 de Abril, enquanto o país celebrava a liberdade, ela começou a viver cinco anos de ditadura, um tempo marcado pelo seu coração partido e fragilizado.
“Ele sabia as minhas fragilidades e usava-me”, recordou, sublinhando as marcas inscritas na sua memória das chapadas e ameaças.
Sublinhou que passam agora 14 anos, do dia em que fez a sua revolução, quando decidiu apresentar na esquadra a 1ª queixa, da violência doméstica que a marcava diariamente - “estava grávida” foi agredida de tal forma que . “perdi o bebé”.

No Natal tudo voltou a repetir-se

No dia 25 de Novembro, data em que se assinala o dia de combate à violência doméstica, entrou de novo no Hospital, aceitou os pedidos de perdão, mas, no Natal tudo voltou a repetir-se.
Numa queixa que apresentou à policia, em 2014, quando o agressor subiu ao 1º andar, partiu vido de janelas e entro em casa, o agente disse-lhe : “Não acreditava, Que até podia ter sido ela que partiu os vidros”.

Atinge todas os sectores sociais

Foi nesse ano de 2014, que começou a sua cruzada contra a violência doméstica, editou o livro de contos, onde dá a cara e relata a sua experiência de vida.
Ao longo destes anos é convidada para falar em escolas e Bibliotecas.
“A violência doméstica não é uma coisa de extractos sociais ou de natureza étnica, atinge todas os sectores sociais”, referiu.

É preciso denunciar este flagelo

Filomena Iria, defendeu a necessidade de se combater a violência doméstica, porque esta é uma realidade da nossa sociedade, é necessário lutar pela igualdade de género – “isto deve começar pela escola e pela nossa casa”.
“É preciso denunciar este flagelo”, disse.
Sublinhou quer os amigos e a família devem ajudar as vitimas de violência doméstica.
Recordou a sua situação dramática, era um jogo, de um predador, vivido entre a situação financeira e a situação psicológica.
“O objectivo dele era enfraquecer-me para se valorizar”, disse.


Plano Nacional de Intervenção sobre a temática da violência doméstica

No decorrer do debate, Ana Luz, advogada, da Delegação do Barreiro da Ordem dos Advogados, defendeu que é necessário implementar, nas escolas, um Plano Nacional de Intervenção sobre a temática da violência doméstica.
Sublinhou pelo que acompanha como mãe na actividade escolar, que os jovens acham normal situações que outras gerações não aceitam como normais.
“Temos que formar as crianças para que olhem par o outro de forma diferente”, disse.
Comentou o facto de a Comunidade Educativa e o sector da Justiça não se envolverem e partilharem experiências na resolução de situações – “não se envolvem”.

Um problema de saúde pública

Ana Teresa Xavier, do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Barreiro Montijo, salientou que a violência doméstica – “é um problema de saúde pública”.
Defendeu a necessidade de ser desenvolvido um mapa epidemiológico, que permita estudar as situações no terreno, assim como criar equipas dedicadas a esta intervenção.
“A sociedade deve evoluir no combate a estas situações”, disse.
Recordou que a ocorrência dos casos de violência doméstica são registados à noite, ás sextas –feiras e aos fins-de-semana.
Ana Teresa Xavier defendeu que é urgente intervir na prevenção, e, isso tem que começar na escola.
Na sua opinião, um programa de combate à violência doméstica, tem que começar na educação.

VER FOTOS

https://www.facebook.com/pg/jornalrostos/photos/?tab=album&album_id=10156225117067681

18.06.2019 - 19:37

Imprimir   imprimir

PUB.

Pesquisar outras notícias no Google

Design: Rostos Design

Fotografia e Textos: Jornal Rostos.

Copyright © 2002-2019 Todos os direitos reservados.