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reportagem

Carlos Humberto – ex presidente da Câmara Municipal do Barreiro
«Não comprou a Quinta de Braamcamp para depois a vender, disso eu tenho a certeza»

Carlos Humberto – ex presidente da Câmara Municipal do Barreiro <br />
«Não comprou a Quinta de Braamcamp para depois a vender, disso eu tenho a certeza»<br />
. Há cerca de 2 milhões de fundos comunitários aprovados para reabilitação da Quinta de Braamcamp

. Partido Socialista apresentou uma promessa de um Parque temático

“Comprámos a Quinta de Braamcamp para a população e não para ser construída habitação. Comprámos mesmo para não permitir que fossem construídos 184 fogos”, disse Carlos Humberto.

O Movimento “A quinta do Braamcamp é de todos!”, foi criado em 22 de Fevereiro de 2019, por Manifesto subscrito por 18 cidadãos barreirenses, tendo sido fundador da Plataforma Cidadã: “Braamcamp é de todos!”.
Ontem à noite, na sede do União Futebol Clube, promoveu um debate subordinado ao tema: «Alburrica -Mexilhoeiro - Quinta Braamcamp: Um paradigma de desenvolvimento, no respeito pela história e pela natureza».

Defende os interesses do Barreiro.

Carlos Humberto, ex-presidente da Câmara Municipal do Barreiro, foi um dos convidados para participar e dar o seu contributo no painel de reflexão.
O ex-autarca sublinhou que a sua presença nesta iniciativa era enquanto “cidadão do Barreiro”.
Recordou que, desde que deixou de exercer o cargo politico tem procurado não intervir publicamente e só o fez muito poucas vezes, como cidadão que defende os interesses do Barreiro.

Um instrumento de gestão integrada

A propósito do tema «Quinta Braamcamp» referiu que a compra da Quinta integrava-se na visão que tinha para o território desde o Clube Naval até à Avenida de Sapadores, para o qual sublinhou tinha que existir um instrumento de gestão integrada e integrador de todos os níveis ambiental, patrimonial e lúdico.
Neste contexto, inseriu-se a compra do Moinho Grande e das Caldeiras respectivas, assim como o Moinho Pequeno, cujas caldeiras são da APL.

REPARA permitiu a criação dos passadiços

Recordou que neste contexto, deram-se alguns passos, com o Programa REPARA, que visava uma intervenção nas zonas ribeirinhas, porque “era preciso ir intervindo”.
Salientou que o programa REPARA permitiu a criação dos passadiços e diversas outras intervenções, e neste objectivo estava incluída uma intervenção na Escola Conde Ferreira – “fomos até foi possível, não foi possível ir mais longe”.

Doca Seca da CP responsabilidade da autarquia

Carlos Humberto, sublinhou que ao nível do património ferroviário, por proposta da Câmara Municipal do Barreiro, foi criado pelo Governo um Grupo de Trabalho, para determinar a propriedade dos vários espaços e edificios – “não se sabia o quê, nem o que pertencia a quem, nem o Estado sabia, nem nós sabíamos”.
Foi em sequência deste processo, que foi assinado com o governo um protocolo sobre a Doca Seca da CP, que passou para a responsabilidade da autarquia.

Ligar aquele território ao centro da cidade

Carlos Humberto sublinhou a importância de avançar com intervenções naquele território, não ficando à espera da visão integrada, mas avançando com essa visão.
“A construção dos passadiços em Alburrica foi um contributo para ligar aquele território ao centro da cidade”, disse.

Gerar nichos de turismo

Referiu que o património é de grande importância para o desenvolvimento do Barreiro, podendo ser um elemento estruturante para gerar nichos de turismo – “não vejo o Barreiro como uma terra de turismo, mas, sim, com nichos de visitação”.
Neste contexto, salientou a importância de se avaliar qual o património a preservar – “até onde vai a preservação”.

Está aprovada, há verba, ainda há verba

No que diz respeito ao património moageiro e valorização ambiental dos territórios de Alburrica e Quinta de Braamcamp, salientou que foram feitas candidaturas a fundos europeus, ao nível da mobilidade, visando a criação de ciclovias e a ligação por ponte pedonal ao Seixal.
Igualmente foram apresentadas candidaturas para reabilitação da Quinta de Braamcamp, visando a limpeza, criação de zonas pedonais, nas áreas mais sensíveis do ponto de vista ambiental, a recuperação do Moinho, o Armazém e a Casa do Moleiro – “está aprovada, há verba, ainda há verba”.
“Se não for utilizada pelo Barreiro, esta verba será utilizada por outros concelhos”, disse.

Projecto de intervenção no Alto do Seixalinho

Nesta candidatura, salientou estava igualmente um projecto de intervenção no Alto do Seixalinho, desde o Largo da Santa até ao Bairro Alves Redol.
Recordou que, as verbas aprovadas, eram cerca de 2 milhões e 200 mil euros, para a mobilidade; um milhão e 800 mil euros para a intervenção no Alto do Seixalinho e um milhão e 800 mil euros para a Quinta de Braamcamp.

Moinho Pequeno existiam dúvidas sobre o projecto

O ex-presidente da Câmara Municipal do Barreiro, sobre a intervenção no Moinho Pequeno, referiu que existiam dúvidas sobre o projecto que estava a ser implementado.
“Existia projecto. Foi adjudicado, mas não avançou. Se não avançou não foi por acaso, era porque existiam dúvidas sobre o projecto”, disse.

Tenho o direito de discordar

“A Câmara Municipal do Barreiro não comprou a Quinta de Braamcamp para depois a vender, disso eu tenho a certeza”, afirmou.
Houve eleições, foi eleito outro presidente – “devia respeitar o que existia antes”, por isso – “tenho o direito de discordar”.
“Comprámos para a população e não para ser construída habitação. Comprámos mesmo para não permitir que fossem construídos 184 fogos”, disse.

Alargamento da Escola Alfredo da Silva

Recordou que no PDM, já está previsto o alargamento da Escola Alfredo da Silva, para o território da Quinta, com a construção do Pavilhão Desportivo – “quase que existiu um acordo com a Parque Escolar, para renovar a escola”.

Equipamento âncora da Área Metropolitana de Lisboa

Habitação não queremos que seja construída numa zona inundável, disse o ex-autarca.
Defendeu a construção de outras funções – “ a ocupação com um equipamento âncora da Área Metropolitana de Lisboa, que coloque o Barreiro no mapa”.

Há espaço para o público e há espaço para o privado

Na Quinta de Braamcamp não se põe o problema de público e privado – “há espaço para o público e há espaço para o privado, pode haver espaço para actividades produtivas , concessionados”.
Carlos Humberto foi objectivo na recusa de construção de Habitação naquele território, recordou que para habitação – “há vazios urbanos no concelho do Barreiro”.

Não é um território abandonado

O ex- presidente da Câmara Municipal do Barreiro, sublinhou que a Quinta de Braamcamp não é um território abandonado – “desde que a Câmara o comprou”.
Recordou que o municipio já podia estar a intervir na recuperação do espaço com cerca de 2 milhões de euros, verbas de candidaturas a fundos europeus que estão aprovadas.

Parque temático após a eleição se transformou em visão

Carlos Humberto, sublinhou que o Programa Eleitoral do Partido Socialista, sobre este território apresentou uma promessa – “era um Parque temático” - que após a eleição se transformou em visão – “e já não falo da Roda Gigante”.
Referiu que sobre esta visão nem pretendia pronunciar-se, se era mau ou bom, o que acontece é que hoje é a própria visão está em causa, sendo substituída por um projecto imobiliário.

Câmara comprou a Quinta Braamcamp com poucas condições financeiras

A propósito de questões financeiras de dificuldades da autarquia em intervir na Quinta de Braamcamp, sublinhou que ali a intervenção – “não tem que ser feita num ano”.
Se dizem que vão gastar 9 milhões, sobre cujo valor expressou dúvidas- “então aproveitem já os dois milhões aprovados dos fundos comunitários”.
Recordou que a Câmara Municipal do Barreiro comprou a Quinta Braamcamp com “poucas condições financeiras”.
“Hoje tem mais condições financeiras que tinha e a sua situação financeira vai ficar muito melhor ainda”,disse.

Tem que ter uma estratégia para o futuro do Barreiro

Carlos Humberto, sublinhou que – “a gestão financeira é uma opção”, acrescentando que uma gestão autárquica – “tem que ter uma estratégia para o futuro do Barreiro, a Quinta de Braamcamp é estratégica”.
Referiu que é preciso gerir o mandato, mas também é preciso gerir com visão a 10 anos, 20 anos e 50 anos – “como autarcas temos a obrigação de pensar a duas décadas”.
“Nós compramos a quinta para usufruto da população”, disse.

Zona afectada pelas alterações climáticas

Carlos Humberto, salientou que estando a Quinta Braamcamp localizada numa zona afectada pelas alterações climáticas, há fundos europeus destinados a esta temática.
“O Barreiro já tem elaborado um Plano Estratégico para as Alterações Climáticas, é só ir ver ver onde há fundos disponíveis e apresentar candidaturas. Foi assim que nós fizemos com a compra dos autocarros, além de ser uma necessidade absoluta.”. salientou o ex- Presidente da Câmara Municipal do Barreiro.

Se a Câmara quiser pode não cair a candidatura

Carlos Humberto, referiu que a candidatura de fundos europeus que está aprovada, de cerca de dois milhões de euros, para a reabilitação da Quinta de Braamcamp – “se a Câmara quiser pode não cair a candidatura”.
Recordou que a Câmara Municipal do Barreiro, com maiores dificuldades financeiras, construiu o Parque da Cidade – “que alguns diziam que era o parque dos candeeiros”.
Salientou que a opção foi apostar nas zonas ribeirinhas, com intervenção no património moageiro, sendo a compra da Quinta de Braamcamp parte dessa estratégia, de valorização do património industrial e ambiental.

Se há erro, politicamente assumo

Interrogado, a propósito da classificação do território de Alburrica, Mexilhoeiro e Braamcamp, publicada no Diário da República, porque não estava também o respectivo mapa e porque não estavam claras as coordenadas de localização geográfica, Carlos Humberto, salientou que a proposta foi feita visou a classificação, se o publicado tem erros – “Não sei. Estou a saber agora, se há erro, politicamente assumo. Era Presidente da Câmara, assumo.”

Por as pessoas a pensar sobre este assunto

A finalizar, Carlos Humberto, salientou que isto foi uma conversa, onde expressou a sua visão estratégica sobre o território de Alburrica ao Mexilhoeiro, Quinta Braamcamp até à Avenida de Sapadores e por trás da Rua Miguel Pais – “estavam em curso as negociações”.
“Tem que existir uma visão integrada, de curto, médio e longo prazo. Não podemos permitir que o Barreiro não saiba o caminho que vai seguir daqui a quatro, dez ou vinte anos”, salientou.
O ex-presidente da Câmara Municipal do Barreiro, referiu que sobre a Quinta de Braamcamp – “é preciso por as pessoas a pensar sobre este assunto, não é fácil, mas é necessário”.

20.07.2019 - 21:10

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