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Barreiro - Colecção de milhares de brinquedos
Aguarda há décadas oportunidade para dar vida a espaço museológico

Barreiro - Colecção de milhares de brinquedos <br />
Aguarda há décadas oportunidade para dar vida a espaço museológico. Brinquedo de Folha de Flandres ligado ao Barreiro

. Argila do Barreiro para Alcobaça e Caldas da Rainha

Helder Martins, licenciado na área da Saúde e em Antropologia, descobriu o gosto pelo brinquedo aos 16 anos, possui uma colecção de largos milhares de brinquedos, com exemplares de vários pontos do mundo, estão armazenados, no concelho do Barreiro, e, de facto, podiam ser o espólio para dar vida ao maior espaço museológico do brinquedo em Portugal.

Helder Martins, é natural do Pinhal Novo, tem 62 anos, viveu grande parte da sua infância e adolescência na casa dos seus avós no Barreiro, na Rua Miguel Pais.
Seu pai tinha uma Oficina de Mecânica, em Coina, por essa razão frequentou o Ensino Primário em Coina, depois seguiu-se a Escola Alfredo da Silva.
Frequentou o Colégio Militar, sendo licenciado na área da Saúde. Exerceu a sua vida profissional no antigo Hospital do Barreiro e também no Hospital do Montijo. Actualmente exerce a sua vida profissional no Hospital Militar, em Lisboa.

Descoberta do brinquedo numa viagem a França

Numa viagem que fez a França, tinha 16 anos, num tempo que coleccionava moedas, selos ou os cromos, numa exposição em Paris, deparou-se com uma colecção de brinquedos, oriunda de um emigrante português.
“Quando regressei a Portugal decidi começar a coleccionar brinquedos. Juntei os meus, os da familia, primeiro comecei como ajuntador, com os anos, com a experiência, deixei de ser ajuntador para me tornar num coleccionador, ser coleccionador, obriga-nos ter mais critérios”, sublinha.

Só há um espaço museológico em Portugal

Na Universidade Católica vai licenciar-se em Antropologia – “querer estudar o brinquedo, o brincar, as origens do brinquedo, procuro estudar o quadrangular do brinquedo – procurar, agarrar, estudar e divulgar.”
Recorda que em Portugal há poucas pessoas que se dedicam a coleccionar brinquedos, não deve ultrapassar as duas dezenas.
Quanto a espaços museológicos dedicados ao brinquedo, em Portugal, a nível oficial só existe um – Museu de Brinquedo de Ponte Lima.
Depois existe um ponto em Seia, que tem o espólio de um coleccionador, e, existe a “Casa do Abrincar”, em Arronches – “muitas das peças que lá estão foram cedidas por mim”.

Colocar a colecção ao serviço da comunidade

Há vários anos, talvez duas décadas e meia, procura colocar a sua colecção ao serviço da comunidade. “Não é guardar, é dar um complemento de realização à colecção, através o intercâmbio inter-geracional que um espaço museológico do brinquedo pode proporcionar, permitindo às crianças conhecer brinquedos de seus avós e aos avós dar a conhecer as sua relações com o brinquedo. É esse entusiasmo de um dia viver esses encontros, que me motivam a continuar e não desistir do sonho de, um dia, surgir um espaço para colocar a colecção ao serviço da comunidade”, salienta.
“O brinquedo não só reviver memórias e património, é um património de interesse municipal”, refere.

Brinquedo de Folha de Flandres ligado ao Barreiro

“Se recurarmos ao período pós guerra, nos anos 40, havia dificuldade de matéria prima, nomeadamente da Folha de Flandres, no triângulo Valongo, Alfema e Ermesinde. A falta dessa matéria prima, vai dar origem a uma ligação dessa região com as indústrias da CUF – as latas das gorduras – eram muito procuradas pela indústria do brinquedo. Essas latas do Barreiro iam para o norte e, até, detectamos em brinquedos que na base contém a sigla da CUF.
O brinquedo de Folha de Flandres está ligado ao Barreiro, assim com o Barreiro tem a ligação ao brinquedo artesanal, de produção própria, que era o brinquedo de cortiça. Estamos a falar do Braamcamp, do Herold e outras fábricas”, salienta.

Argila do Barreiro para Alcobaça e Caldas da Rainha

“Outro brinquedo com origem no Barreiro, é aquele que é feito de barro. A argila de Palhais, Santo António e Coina era enviada para Alcobaça, Batalha e Caldas da Rainha. Isto que estou a dizer, está tudo documentado e estudado em teses universitárias”, salienta Helder Martins.
O Barreiro faz parte do «processo triangular» de fabricação do brinquedo – folha flandres, cortiça e argila.
Numa fase mais recente temos o brinquedo de madeira, feito com materiais que davam à costa na zona de Alburrica, da Mata da Machada e dos materiais da CUF, nomeadamente, madeira que vinha com os produtos oriundos de África – “eram os chamados brinquedos ocupacionais, feitos pelos trabalhadores a partir dos despojos, para os seus filhos brincarem, há registos no Lavradio, Bairro das Palmeiras e Barreiro Velho”.
Helder Martins, recorda ainda que há brinquedos feitos de serrapilheira, oriunda da Seca de Bacalhau.

Brinquedo ajuda a preparar para a vida

Helder Martins, não pará e vai divulgando o seu espólio em exposições pontuais, ainda entre Maio e Julho, marcou presença no Forum Cultural de Alcochete, com a exposição «Brinquedos pelo mundo», com peças de África, América, Ásia, Europa e Oceânia – “o brinquedo é um património de todos”.
No Barreiro recorda que numa exposição que esteve patente no Convento da Verderena, deslocaram-se 200 alunos da Escola do Ensino Básico do Parque das Nações, para estar um dia em contacto com a peças da sua colecção.
Helder Martins, é um dos representantes designado pela União Europeia, para representar a comunidade em Congressos, Exposições e Encontros Internacionais sobre a temática do brinquedo – “o brinquedo é indissociável do desenvolvimento humano, do processo de socialização, dos afectos. O brinquedo ajuda a preparar para a vida”.

Tanta paixão encaixotada

Visitamos parte da colecção de brinquedos de Helder Martins. São milhares. Um espólio de um valor incalculável, de afectos, de história, de memória, do sentir a humanidade. Tanta paixão encaixotada.
Um espólio que merecia estar ao serviço da comunidade - “podíamoss começar por ter um Centro de Interpretação do Brinquedo, era dar um passo”.
“Fala-se em Turismo. Este era um contributo para o turismo”, sublinha.

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21.07.2019 - 20:17

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