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Barreiro – Ciclo de Encontros «O autor e o livro»
Jorge Fagundes – uma viagem por dentro do amor, saudade e esperança

Barreiro – Ciclo de Encontros «O autor e o livro»<br>
Jorge Fagundes – uma viagem por dentro do amor, saudade e esperança Quando se escreve há alguma coisa de nós que passa para o que nós escrevemos. Nos meus poemas está muito da minha vida”, referiu Jorge Fagundes, o autor que deu apresnetou a sua vida e obra, no decorrer de mais uma iniciativa integrada no Ciclo «O autor e o livro».

A Sala Multiusos recebeu o encontro com Jorge Fagundes, integrado no Ciclo «O Autor e o livro» que tem vindo a decorrer numa iniciativa conjunta da Biblioteca Municipal do Barreiro, a Tertúlia de Autores de Escritores e Autores do Barreiro, que conta com o apoio do jornal «Rostos».

Da Madeira a Cabeceira de Bastos

Jorge Fagundes recordou que nasceu na Ponta do Sol, na ilha da Madeira,onde seu pai era trabalhador da Repartição de Finanças. Aos 5 anos, com a deslocação do seu pai para Cabeceiras de Bastos, foi viver para essa terra – “uma terra lindíssima que me marcou muito, foi ali que aprendi a ler, a escrever e a contar”.
“Era uma terra onde nevava três vezes por ano e o meu pai nunca se acostumou ao clima, nem aos costumes da terra”, referiu.
Recordou que em plena guerra mundial, que em Portugal havia racionamento, ali, “não havia racionamento, porque todos tinham o seu quintal e fabricavam o seu pão”.

O racionamento no Barreiro

Chegou mais um tempo de mudança. Seu pai pediu a transferência para o Barreiro, anda em tempo da Guerra Mundial, e, aqui, sentiu a diferença – “havia racionamento, dois papo secos por cabeça”.
Tinha 8 anos quando chegou ao Barreiro – “começava a última e a minha mais prolongada etapa”.
Foi residir na Quinta da Lomba, numa casa ao lado, da bomba do Albino Macedo. Frequentou a Escola Nova da Verderena onde concluiu a 3º classe.
“Quando lia eu trocava os bês pelos vês. Era sempre uma risada na sala”, recordou.
A 4º classe concluiu com o professor Raposo.

Melhor aluno do Barreiro

Foi um dos alunos que frequentou a Escola Industrial e Comercial Alfredo da Silva – “com o ordenado do meu pai não dava para ir para o Liceu, em Setúbal”.
Recorda que foi um belíssimo aluno- “eu era um aluno dos quadro de honra”.
No ano de 1954, foi agraciado como o prémio de melhor aluno do Barreiro, atribuído pela Câmara Municipal do Barreiro – “foram 500 escudos, com os quais abri a minha primeira conta bancária”.

Da Loja do Antunes à CUF

Viveu no Alto do Seixalinho. Nos anos de 1953 e 1954, trabalhou na « Loja do Antunes», onde havia de tudo um pouco, de taberna, a mercearia e roupas.
Recorda que para a CUF, eram quase sempre os filhos dos trabalhadores da empresa que lá eram colocados, quando concluíam os cursos industriais ou comerciais.
Aos 17 anos, por ser um bom aluno, foi convidado para trabalhar na CUF, onde começou como «Praticante de Escritório».
Esta foi a empresa da sua vida, de onde saiu, após 38 anos ao serviço da empresa, já no tempo da Quimigal, quando exercia a função de Advogado no serviço de Contencioso.
“Saí para exercer advocacia a tempo inteiro”, refere. Jorge Fagundes, concluiu a sua licenciatura em Direito, trabalhando e estudando à noite.

Pela vida associativa

Recordou a sua actividade civica, como dirigente associativo. Durante 19 anos foi director do Futebol Clube Barreirense, integrou a Comissão Administrativa que construiu o Ginásio – sede.
Foi presidente da Mesa da Assembleia Geral do Grupo Desportivo «O Ciclismo», e, também da SDUB «Os Franceses».

No mundo da imprensa regional

Recorda que o gosto pela escrita foi-lhe despertado por dois professores na Escola Alfredo da Silva – Professor Venâncio e Professora Matilde Rosa Araújo, escrevendo para os «jornais de parede».
Depois começou a colaborar com o Jornal do Barreiro, onde exerceu o cargo de administrador, com o Jornal Daterra e com o jornal «Rostos».
Foi um dos editores da revista «CRL», criada por um conjunto de pessoas – do PCP, PS e PSD – que foi recebida com hostilidade pelo PCP – “eles mataram a revista”.
Recordou a sua participação na Rádio Sul e Sueste, onde editou o programa «Brisas e Nortadas« e um programa, pago e patrocinado pelo Ministério da Justiça.

Viver a cidadania

Foi distinguido como «Rosto do Ano – Veterano», distinção que visa reconhecer um contributo de um cidadão ao longo da sua vida para a valorização da cidade e da cidadania. Foi, igualmente, «Rosto do Ano do Rostos«, uma referência ao seu contributo como colaborador voluntário no jornal «Rostos».
Dá aulas na UTIB, sobre aspectos de justiça e biografias de antigos barreirenses.
Foi vereador da Câmara Municipal do Barreiro e deputado municipal e metropolitano, eleito pelo Partido Socialista. Foi candidato a deputado à Assembleia da República, em lugar elegível, no acto eleitoral liderado por Almeida Santos, no qual o PS obteve dos seus mais baixos resultados. Não foi eleito. Foi dirigente distrital do PS e integrou a Comissão de Jurisdição.

Da prosa à poesia

Em Abril de 1976, conquistou o prémio do conto, no concurso do Diário de Noticias - «Abril...cem palavras».
“Sempre escrevi prosa, até que me deu para escrever poesia”, sublinha .
Em 1974 começou a escrever poesia, alguns desses seus poemas, estão, no seu primeiro livro «Dois Suspiros«, editado em 2015.
Em 2017, editou «O sonho permanece», e, em 2018, editou «Sonhos...e ilusões».
Divulgou que em Novembro, deste ano, vai lançar o seu primeiro livro de contos.

Amor, saudade e esperança

Jorge Fagundes, sublinhou que os seus livros de poesia são marcados por uma «trilogia» - amor, saudade e esperança.
Quando se escreve há alguma coisa de nós que passa para o que nós escrevemos. Nos meus poemas está muito da minha vida”, referiu.
“Está ali a saudade da minha mãe. Está ali o meu amor. Está ali a minha esperança de ter uma vida digna”, disse.

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13.10.2019 - 20:30

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