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Encontro de Culturas Ribeirinhas no concelho da Moita
Portugueses e espanhóis analisaram a construção naval tradicional

Encontro de Culturas Ribeirinhas no concelho da Moita<br />
Portugueses e espanhóis analisaram a construção naval tradicional<br />
. Vai nascer um «museu vivo» sobre as embarcações do Tejo junto aos cais da Moita

O IV Encontro de Culturas Ribeirinhas, tendo como tema de reflexão a construção naval tradicional, decorreu este fim-de-semana, promovido pela Câmara Municipal da Moita.
Um encontro que uniu representantes de diversos pontos de Portugal e Espanha.

O encontro começou na sexta-feira à noite com entrega dos prémios do Concurso de Fotografia - #VisitMoita 2019 - que teve uma abordagem do património do Tejo no concelho da Moita.

Tejo o nosso maior património

Neste concurso foram valorizadas as fotografias de embarcações e no âmbito da temática maritima – “fotografias excepcionais do exemplo do que é a revitalização do rio, o que é a revitalização dos barcos, o que é a revitalização do Tejo, que é o nosso maior património, que é comum às duas margens, que é um centro da nossa identidade”, referiu ao jornal «Rostos», Vítor Mendes, antroplogo, Técnico Superior da Câmara Municipal da Moita.

Recuperação de embarcações

No programa do Encontro de Culturas Ribeirinhas, foi apresentado um documentário: “A Construção Naval Tradicional e os Estaleiros das Associações Náuticas do concelho da Moita”, onde é feita uma abordagem do contributo na recuperação de embarcações, uma trabalho que é concretizado com base na entre-ajuda, na camaradagem, que, do ponto de vista das embarcações menores – aquelas até 12 metros – os catraios, as canoas.

Desafios que se colocam na recuperação de embarcações

Outro ponto de referência nestes encontro foi o colóquio com o tema “As Associações Náuticas e a Preservação do Património Cultural Flúvio-Marítimo”, com a participação dos presidentes das associações náuticas do concelho da Moita: Associação de Desportos Náuticos Alhosvedrense “Amigos do Mar”, Associação Naval Sarilhense, Centro Náutico Moitense, a secção de vela do Beira Mar Gaiense, também com a participação de Rui Garcia, presidente da Câmara Municipal da Moita, e o grande amante do Tejo e das embarcações tradicionais, impulsiondor da Marinha do Tejo, Professor Carvalho Rodrigues.

Problemas do assoreamento da cala do Tejo

Neste colóquio foi valorizado o trabalho conjunto que foi realizado, o muito que há para fazer, os desafios que se colocam na recuperação de embarcações, nomeadamente, os problemas que existem em torno da legalização das embarcações, os problemas do assoreamento da cala do Tejo, aos problemas causados por embarcações que provocam mexidas nas areias, interferindo com a navegação. Foi um colóquio com um debate muito vivo.

Embarcações «identitárias» e «ecológicas»

No segundo dia deste Encontro, o Moinho de Maré de Alhos Vedros, esteve sempre de sala cheia, com pessoas que viveram de forma intensa e participada o tema central deste encontro : “A Construção Naval Tradicional em Madeira e a Preservação do Património Cultural Imaterial”.
O tema é atraente e actual, e para o debater estiveram presentes pessoas oriundas de Sesimbra, de Oeiras, de Cascais, muitas instituições ligadas a associações náuticas, ou trabalho de construção naval.
O evento contou com a participação de representações de Espanha, permitindo conhecer o trabalho sobre este tema que é feito na Galiza e em Bilbau, que procuram, como no concelho da Moita, defender as embarcações tradicionais de madeira, pelo facto de as mesmas serem «identitárias» e «ecológicas», sendo parte de uma cultura ancestral.
Outro aspecto do debate foi a reflexão sobre a tipologia das embarcações, a evolução das embarcações.

Estaleiros escolas de formação de novos construtores.

No encontro participaram, com intervenções, as Câmaras Municipais de Murtosa e de Estarreja, que deram a conhecer o projecto similar que desenvolvem na valorização da Ria de Aveiro e suas embarcações tradicionais, nomeadamente «o moliceiro».
Estes concelhos estão a dinamizar projectos nos antigos estaleiros, dinamizando-os como escolas de formação de novos construtores.
Estas câmaras trabalham em conjunto, porque consideram que “a natureza não tem barreiras” – como foi referido pelo vice presidente da Câmara Municipal de Murtosa.
Foi ainda apresentado como nasceu o projecto do Museu de Sesimbra, e a história com mais de 800 anos de ligação de Sesimbra ao mar, como terra pesqueira e terra de pescadores.

Um museu vivo sobre as embarcações do Tejo

O evento terminou com um dia dedicado ao Estaleiro Naval de Sarilhos Pequenos, ao Cais da Moita e às embarcações tradicionais do Tejo, com a apresentação da Exposição de Painéis Interpretativos Moita Património do Tejo no Cais da Moita, que vão ser colocados no espaço público, junto ao cais, podendo sublinhar-se, como salientou Rui Garcia, presidente da Câmara Municipal da Moita, vai estar ali, de forma permanente, um museu vivo sobre as embarcações do Tejo.

Encontro com a vida do rio

Um momento vivo de encontro com a vida do rio foi aquele proporcionado aos prelectores, aos organizadores e à comunicação social, um momento gastronómico, a bordo do varino «Boa Viagem», com uma maravilhosa «caldeirada à fragateiro», e, uma inesquecivel e divinal «massinha de peixe», seguindo-se uma viagem pelo Tejo, entre Sarilhos Pequenos e Moita, numa primeira fase à vela, que permitiu escutar e viver o silêncio do rio – “quando começarem a passar por aqui, mesmo aqui por cima os aviões este paraíso vai acabar”, dizia o Mestre Arrais João Gregório.
No decorrer da viagem João Gregório contou estórias e divulgou memórias das gentes do rio, dos fragateiros e dos mestres de estaleiro que fizeram a história do Tejo. Contou e encantou.
O IV Encontro de Culturas Ribeirinhas foi mais um contributo para manter vivo o património ribeirinho.

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28.10.2019 - 12:13

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