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Jerónimo de Sousa na comemoração dos 106 anos de Álvaro Cunhal
«Dívida pública asfixiante que se resiste a renegociar» é «travão» ao desenvolvimento

Jerónimo de Sousa na comemoração dos 106 anos de Álvaro Cunhal<br />
«Dívida pública asfixiante que se resiste a renegociar» é «travão» ao desenvolvimento<br />
. Portugal o país com as remunerações mais baixas no espaço comunitário, com 2 milhões de pobres, 2 milhões de pensionistas que recebem menos de 400 euros, com o desemprego na ordem de 12,2 % e cerca de 700 mil desempregados.

“Desde a adesão ao Euro, Portugal é um dos países que menos cresce e mais recuou na produção de riqueza e dos que mais perderam no plano económico, mas também no plano social”, salientou Jerónimo de Sousa, ontem na Baixa da Banheira, no decorrer da sessão evocativa dos 106 anos do nascimento de Álvaro Cunhal.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, ontem à tarde, no Ginásio Atlético clube da Baixa da Banheira, no dia que se assinalaram os 106 anos do nascimento de Álvaro Cunhal, foi um dos oradores da sessão evocativa da efeméride tendo como lema : “Alternativa Política, Soberania e Independência Nacional”.
A sessão começou com um momento musical proporcionado pelo grupo «Vozes da Planicie».
Margarida Botelho, referiu a importância da luta pela liberdade dos povos e disse que "não é livre um povo que oprime outros povos".
António Rodrigues, sublinhou o papel das forças armadas na defesa da soberania nacional e alertou para o aumento de verbas para a NATO, ao mesmo tempo que se regista a degradação das forças armadas.
José Lourenço abordou a situação económica, marcada pelo deficit, por politicas de submissão à União Europeia, sendo Portugal o país com as remunerações mais baixas no espaço comunitário, com 2 milhões de pobres, 2 milhões de pensionistas que recebem menos de 400 euros, com o desemprego na ordem de 12,25 % e cerca de 700 mil desempregados.
João Ferreira salientou que é no âmbito local e nacional que os trabalhadores resistem e combatem a perda de soberania, enquanto no âmbito transnacional o grande capital joga em casa. Criticou que todo o processo de integração seja construído nas costas do povo.

Homem de acção e intervenção revolucionária

Jerónimo de Sousa sublinhou que Álvaro Cunhal foi uma “ figura ímpar e referência maior da nossa história contemporânea” que deixou um legado de “dirigente político experimentado, estadista, ideólogo, ensaísta, homem da cultura”.
Recordou que o antigo secretário-geral como um - “ homem de acção e intervenção revolucionária”, com – “uma produção teórica, alicerçada no domínio das teorias e método de análise do marxismo-leninismo que assimilou de forma criativa”.
Sublinhou que Álvaro Cunhal – “foi um protagonista destacado na luta do nosso povo no último século e princípios do que agora vivemos, pela conquista da liberdade, da democracia”.

Portugal num País colonizador em África e colonizado na Europa

Jerónimo de Sousa recordou os contributos históricos de Álvaro Cunhal na análise da Revolução de 1383/1385 com o seu estudo “ As Lutas de Classes em Portugal nos Fins da Idade Média”, mas, também os estudos sobre a realidade nacional de todo século XX e no limiar do XXI, em defesa dos interesses nacionais, da independência e soberania nacionais.
Sublinhou que Álvaro Cunhal foi um opositor “à política fascista de submissão ao imperialismo, de entrega ao estrangeiro dos recursos naturais e sectores básicos e estratégicos da economia tornando Portugal num País colonizador em África e colonizado na Europa.”

Destruição do aparelho produtivo nacional

Referiu que a reflexão de Álvaro Cunhal no ano de 1990 sobre a Independência Nacional foi “premonitória” nas suas análises acerca do surgimento de novas expressões de nacionalismo que são fruto das “da submissão e das desigualdades dos poderosos, acoplando algumas projectos populistas de cariz fascizante”.
Recordou que eram certas as suas palavras acerca das propagadas teorias que davam como certo «o fim da pátria» e do Estado Nação a favor de uma “imaginária nação europeia”, assim como as consequências da adesão de Portugal à CEE.
“Análises e previsões que se confirmaram inteiramente nestas três décadas de integração capitalista na CEE e na União Europeia, nomeadamente no que significaram de destruição do aparelho produtivo nacional, de sacrifício dos interesses nacionais e de submissão aos interesses dos países mais ricos e poderosos”, disse.

Uma dívida pública asfixiante que se resiste a renegociar

“Desde a adesão ao Euro, Portugal é um dos países que menos cresce e mais recuou na produção de riqueza e dos que mais perderam no plano económico, mas também no plano social”, salientou Jerónimo de Sousa.
Referiu que essa realidade é agravada – “por uma dívida pública asfixiante que se resiste a renegociar e que se tornou num mecanismo de extorsão de recursos públicos e nacionais e um adicional travão à afirmação de uma política autónoma de desenvolvimento.”

Portugal não está condenado à submissão e à dependência

O secretário-geral do PCP alertou para o “aprofundamento do carácter intervencionista e militarista da União Europeia”
“Portugal não está condenado à submissão e à dependência”, referindo que é necessária “uma política para libertar o País dos constrangimentos a que está sujeito: a dívida insustentável, a submissão ao Euro e aos grupos monopolistas”.

Uma política que rejeite a liberalização do comércio mundial

Defendeu – “uma política capaz de ultrapassar e superar os seus défices estruturais – o produtivo, incluindo o alimentar, o energético, o científico e o demográfico, que sujeitam o País à dependência”.
“Uma política que, afirmando um inabalável compromisso com a Constituição, assegure e afirme o pleno direito do povo português de decidir do seu próprio destino”, afirmou.
Perspectivou a diversificação das relações económicas, comerciais e financeiras com o maior número de países do Mundo, estimulando as relações económicas sul-sul e com os países africanos, latino-americanos e asiáticos.
“Uma política que rejeite a liberalização do comércio mundial”, disse.

Desvinculação de Portugal da NATO.

Jerónimo de Sousa defendeu o “regresso de todos os militares em missões militares no estrangeiro, em missões NATO”, a dissolução dos blocos político-militares e desvinculação de Portugal da NATO.

Sonho que continua a alimentar a nossa luta

Do valioso e imenso legado de Álvaro Cunhal, disse Jerónimo de Sousa, «está também o sonho que sabia ser possível transformar a vida: o sonho da construção de uma sociedade nova liberta da exploração e de todas as formas de opressão. Sonho que continua a alimentar a nossa luta”.

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11.11.2019 - 01:53

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