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reportagem

Estudantes de Arquitectura do ISCTE no Barreiro
A cidade tem que ser feita de baixo para cima

Estudantes de Arquitectura do ISCTE no Barreiro<br>
A cidade tem que ser feita de baixo para cima<br>
Moisés Rosa, Arquitecto, professor, a desenvolver a sua tese de doutoramento, que acompanha o projecto, referiu ao jornal «Rostos» que «é importante ouvir os cidadão para fazer a cidade»

“A cidade não deve ser feita de cima para baixo, a cidade tem que ser feita de baixo para cima, procurando e trabalhando as soluções com os cidadãos”, disse.

No âmbito da 2ª Edição da Conferência Internacional e Escola de Verão do ISCTE – TUR 2020 - Technopolitics in Urban Regeneration, diversos alunos da área de arquitectura, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), dos centros de investigação ISTAR-IUL e DINAMIA´CET e Baía do Tejo, fizeram do Barreiro o «laboratório» de aplicação dos seus estudos.

Que Cidade Temos? Que Cidade Queremos?

Foram diversos os espaços no concelho do Barrerio onde os estudantes mantiveram contactos com a população e associações.
A ideia central da investigação visava uma abordagem da temática da participação e a sua importância na procura de soluções para a gestão do território da cidade.
Que Cidade Temos? Que Cidade Queremos? Como activar a cidade? – foram as perguntas analisadas no decorrer da conferência que foram discutidas com a comunidade.

Chamar a atenção para os vazios urbanos

Um «atellier» funcionou num «vazio urbano», numa esquina da Rua Dr. Manuel Pacheco Nobre com a Rua de Cabo Verde, tendo como tema : «Se este canto fosse nosso».
Margarida Bessa, aluna do ISCTE, disse ao jornal «Rostos» que o objectivo do projecto é dar um contributo para pensar uma estratégia para «activar o Barreiro», com o contributo dos cidadãos e do movimento associativo.
Referiu que aquela esquina sendo um espaço vazio podia ter alguma utilização, meramente pontual, contribuindo para melhorar a imagem do espaço urbano.
No local em colaboração com a colectividade Chinquilho Sempre Fixe foi efectuada limpeza, colocaram-se hortas verticais, e, foram promovidas actividades, nomeadamente o jogo do chinquilho.
“Esta é uma forma de activa a cidade, envolvendo as pessoas, ouvir as suas ideias e sugestões”, disse Margarida Besa.
“Esta ocupação do espaço urbano vazio, é como uma atitude guerrilha, é um chamar à atenção, de forma a estabelecer interacções, pelo menos por um dia, utilizar o espaço comum”, referiu.
“A limpeza e a recuperação destes vazios urbanos, que há muitos por toda a cidade, é, também uma intervenção na área da saúde pública”, sublinhou.

É importante ouvir os cidadão para fazer a cidade

No largo, junto à estátua de Alfredo da silva, funcionou outro «atellier» - Activa-te à Cidade- com o objectivo de estabelecer o diálogo com a comunidade, visando divulgar boas práticas, motivando os cidadãos para reflectirem sobre a cidade que temos e como devemos actuar para mudar e melhorar.
Moisés Rosa, Arquitecto, investigador, a desenvolver a sua tese de doutoramento, que acompanha o projecto, referiu ao jornal «Rostos» que «é importante ouvir os cidadão para fazer a cidade».
“A cidade não deve ser feita de cima para baixo, a cidade tem que ser feita de baixo para cima, procurando e trabalhando as soluções com os cidadãos”, neste contexto valorizou a importância das associações, que são espaços da comunidade, onde as pessoas se juntam para práticas em conjunto, fazer coisas em comum – “estas são as boas práticas”, disse.
Moisés Rosa, sublinhou o excelente diálogo que ao longo do dia foi mantido com os cidadãos – “existiu boa receptividade”.
Na sua opinião, sente que falta na cidade do Barreiro – “uma plataforma, uma entidade, um organismo que una as pessoas e associações”, em torno do debate de ideias, na procura de soluções – “ a cidade tem que se fazer em conjunto”, salientou Moisés Rosa.

Sensibilização para o património e para a natureza

Na zona do Moinho Pequeno foi lançado um desafio, através do projecto - Descobrir a Água – que partindo de um jogo e num percurso por Alburrica e Braamcamp, as pessoas eram desafiadas a tirar uma fotografia sobre o património, responder a perguntas, alertados para escutar os sons sa natureza, sentir o vento, reflectirem sobre que tipo de actividades a promover no rio, identificar espécies.
“Este é um jogo de sensibilização para o património e para a natureza. Um jogo que permite obter contributos das pessoas. Ao longo do percurso há um desafio, colocando perguntas e procurando respostas ”, sublinhou ao «Rostos», Carolina Cardoso, arquitecta, investigadora no ISCTE, que é co-organizadora deste projecto académico. Uma barreirense.
Para além do jogo, junto ao Moinho Pequeno, viviam-se momentos de dialogo, um ponto de encontro para expressar opiniões e conversar sobre a paisagem e a cidade.

Uma partilha de experiências

Estas actividades foram o culminar da segunda edição, o TUR - Technopolitics in Urban Regeneration, promovida pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa em parceria da Baía do Tejo.
Uma partilha de experiências entre diversos arquitectos, urbanistas, geógrafos, investigadores e profissionais das tecnologias digitais e da intervenção territorial, cruzando saberes locais e internacionais.
Saliente-se que nestes atellier s o tema central foi em torno da ideia de participação, estudar e investigar, a construção de dispositivos que, em diferentes perspectivas, proporcionam novas formas de sociabilidade e acção colectiva.
Uma nota final, de acordo com as conversas que mantivemos, este trabalho de campo dos alunos de arquitectura do ISCTE, sobre participação e sobre o pensar a cidade e o fazer cidade, contou, apenas, com o apoio da Baía do Tejo.

S.P.

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27.09.2020 - 18:53

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