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Rotary Club do Barreiro promove palestra com David Sobral
Apenas conhecemos 5% do que existe no Universo os outros 95% não temos ideia

Rotary Club do Barreiro promove palestra com David Sobral <br />
Apenas conhecemos 5% do que existe no Universo os outros 95% não temos ideia<br />
. Deus é uma criação humana importante

As primeiras estrelas, de primeira geração, criaram a quimica, os primeiros elementos necessários à vida, disse David Sobral.
“Somos todos poeira de estrelas”, acrescentou.

“Os telescópios são as únicas máquinas do tempo que existem, viajamos no tempo para outros locais”, disse o astrofisico.

O barreirense David Sobral, Astrofísico, Professor, na Universidade Lancaster, no Reino Unido, ontem à noite, foi o convidado para a palestra, transmitida on line, promovida pelo Rotary Club do Barreiro, que contou com cerca de 40 participantes.
“Em busca das nossas origens cósmicas”, foi o tema da conversa com David Sobral que, de forma simples e encantadora, proporcionou uma viagem pelo universo, através da qual permitiu que ficássemos a saber que no nosso corpo, temos átomos extragalácticos, e, afinal, somos todos poeira de estrelas.
David Sobral sublinhou, quando olhamos o céu – “o céu não é o limite, o limite se existe é a nossa curiosidade”, porque “nunca paramos de nos questionar”, afinal, apenas conhecemos 5% do que existe no Universo, os outros 95% não temos ideia – “temos tudo por descobrir”.

Somos sombras, não temos luz própria

Na abertura da sua palestra “Em busca das nossas origens cósmicas”, o astrofisico, David Sobral, começou por referir que – “poeiras cósmicas é algo que nos caracteriza enquanto humanos”, porque somos “poeiras cósmicas”, “somos sombras, não temos luz própria”.
Salientou que é necessário “olhar para o céu e compreender como o céu está ligado às nossas origens”, porque, viajar pelo universo – “é viajar para trás no tempo”.

Há partes nossas que vêm do universo

“De onde viemos? Do que somos feitos?”, são perguntas colocadas quando se viaja pelo universo, disse David Sobral, e nessa viagem podemos, saber do que somos feitos e de que percentagem do universo – “há partes nossas que vêm do universo, outras partes são artificiais”.

Viagem pela procura das nossas origens cósmicas.

Num abordagem histórica recordou que nos tempos que o homem se dedicava à astronomia, começou por prever as estações do ano, os eclipses e construir o calendário.
Imaginava que o céu que tínhamos que ser o centro do mundo, pois víamos o mundo à nossa volta – “esta era uma visão errada”.
Foi a capacidade do homem de inovar e construir telescópios, recordou Galileo, que fez crescer a nossa capacidade de olhar para o céu, e, sentirmos que – “somos cada vez mais pequenos e cada vez menos importantes”.
Foi um caminho longo das astronomia à astrofisica, porque foi com a astrofisica que se começou a interpretar o que está a acontecer no Universo.
A astrofisica vem da fisica, do conceito de experiência, e da aplicação desse conceito ao Universo.
Nos séculos XIX e XX, começou essa viagem pela procura das nossas origens cósmicas.

Uma mulher que foi apagada na história

Recordou Henrietta Leavitt, uma astrónoma, que há 110 anos, inventou uma espécie de “regra cósmica” o instrumento que nos permite viajar no tempo.
“Uma mulher que foi apagada na história, porque alguém ficou com a fama ao utilizar a técnica que ela descobriu”, salientou.

A nossa galáxia não é a única que existe

Recordou Edwin Hubble, que pelos anos – 1828/1829 – descobriu que o Universo está em expansão e é muito maior do que se pensava – “mudou completamente a nossa visão do mundo”.
“A nossa galáxia não é a única que existe. Só vemos a nossa e a Andrômeda.

O sol é o nosso adn cósmico

Quando olhamos para cima o que vemos?- interrogou David Sobral.
Sublinhou que costuma dizer-se que “o céu é o limite”, acrescentando que – “na área que trabalho o céu é o início, o começo para procurar as nossas origens cósmicas e estudar o nosso próprio sol.
O astrofisico referiu que o sol é “o nosso adn cósmico”, o nosso adn quimico, o nosso adn está na quantidade e qualidade dos elementos quimicos do sol – entre outros o cálcio, ferro, oxigénio.
Referiu que todos os sistemas solares são diferentes, assim como todos os seres humanos são diferentes, uma quimica diferente.

Somos todos poeira de estrelas

Onde foram formados os átomos do nosso corpo? – interrogou.
Salientou que inicialmente a quimica não existia, existia fisica, a quimica é criada milhões de anos depois, foi criada com as estrelas.
As primeiras estrelas, de primeira geração, criaram a quimica, os primeiros elementos necessários à vida, disse David Sobral.
“Somos todos poeira de estrelas”, acrescentou.
Os átomos de oxigénio foram libertados por estrelas supernovas, estrelas que “pagam impostos”, porque criaram riqueza, o ferro foi criado por estrela como o sol.
“Num universo vasto, com quase 14 mil milhões de anos”, disse, recuamos no tempo ao «big bang», mas, a formação das primeiras estrelas remonta a 400 ou 500 mil milhões anos – “foi neste tempo que os átomos do nosso corpo se formaram”.
“Hoje, temos enquanto humanidade, as ferramentas para explorar o céu, as energias escuras, as matérias escuras”, salientou.

Vivemos um tempo muito pequeno

Quanta galáxias existem no Universo? – interrogou.
Num só ponto no céu, existem galáxias, que podem ser contadas com um número com doze zeros, para contar as estrelas é um número com 24 zeros.
Nós, seres humanos, referiu, vivemos um tempo muito pequeno à volta de uma estrela.
Recordou um poema de Fernando Pessoa – Álvaro de Campos – “não sou nada”, acrescentando que, como astrofisico – “percebo realmente que não somos nada”, mas, voltando a Fernando Pessoa afirmou – “tenho todos os sonhos do mundo”.
Esse sonho, disse, é que “podemos compreender o Universo, sim, podemos compreender, mesmo que estejamos aqui pouco tempo”
Afirmou que podemos chegar a distâncias de milhares de anos de luz, viajar atrás no tempo, viajar no espaço e no tempo.
“Os telescópios são as únicas máquinas do tempo que existem, viajamos no tempo para outros locais”, disse.

Tentar encontrar galáxias raras

David Sobral abordou o que definiu por «PIB cósmico», aquilo que o universo produz, a economia do universo que está em declínio há 11 mil milhões de anos, porque não está a produzir, nem estrelas, nem oxigénio – “numa perspectiva biológica não tem que ser mau”, esta visão conduziu o astrofisico barreirense para a sua própria investigação, nova na busca de caminhos diferentes – “tentar encontrar galáxias raras”.
Foi esse percurso que conduziu, no ano 2015, à descoberta da Galáxia CR7 – “ a descoberta da galáxia mais brilhante do universo”.
Entretanto já foram descobertas cinco galáxias mais brilhantes – VR7 – é mais brilhante no ultra violeta, está a uma distância de 30 mil milhões de anos luz.

Deus é uma criação humana importante

No final, em resposta a algumas perguntas colocadas pelo painel, David Sobral referiu que o sol ”está a meio da sua vida”, que será cerca de 10 mil milhões de anos, estando actualmente nos 5 a 6 milhões de anos.
Sublinhou que nunca em laboratório foi descoberta vida a partir de matéria inorgânica.
Salientou que, Deus é uma complexidade que não é necessária. Não se pode dizer que existe. Deus é uma criação humana importante, porque responde a coisas que a consciência não pode, ou não consegue responder.
Uma conversa cativante que despertou a curiosidade para olhar o céu e pensarmos que somos a poeira vinda de lugares distantes há milhões de milhões de anos...e, afinal, somos uma sombra neste silêncio enorme do universo.

S.P.

29.09.2020 - 20:06

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