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Mário Durval no Rotary Club do Barreiro
A pandemia COVID 19 não é tratada do ponto de vista da Saúde Pública

Mário Durval no Rotary Club do Barreiro<br />
A pandemia COVID 19 não é tratada do ponto de vista da Saúde Pública . Estrutura de Saúde Pública está extremamente debilitada

. É preciso proteger os aglomerados de idosos

“A gente não vai acabar com isto se não houve vacina. Temos que aprender a viver com isto”, sublinhou Mário Durval.
“É mais grave para as crianças não se socializarem do que apanharem COVID”, salientou.

Mário Durval, Médico de Saúde Pública, participou numa palestra, por via on line, promovida pelo Rotary Club do Barreiro, no decorrer da sua intervenção, sublinhou que “olhamos para a pandemia de um ponto de vista da doença restrita”, e, “não olhamos para o impacto na comunidade”.

Não olhamos para o impacto na comunidade

Mário Durval, sublinhou que a pandemia COVID 19, “é um problema de saúde pública” e, ao longo do tempo, “não é tratada do ponto de vista da saúde pública”.
Referiu que a pandemia tem reflexos no âmbito da saúde mental, colocando problemas de acompanhamento psiquiátrico, e com impacto na do crescimento da solidão ao nível dos idosos.
“Olhamos para a pandemia de um ponto de vista da doença restrita”, disse, e “não olhamos para o impacto na comunidade”.
Sublinhou que a abordagem da pandemia ao nível da Saúde Pública é ter em conta – “o impacto na comunidade, sempre”.

Estrutura de Saúde Pública está extremamente debilitada

Mário Durval, referiu que “apesar de tudo conseguimos controlar a primeira vaga”, tendo acrescentado se “não fizemos melhor foi porque a estrutura de Saúde Pública está extremamente debilitada”.
Recordou que, quando esteve em serviço no Alentejo, existiam 15 Delegados de Saúde, actualmente não existem Delegados de Saúde Pública em 14 concelhos, isto gera – “incapacidade de resposta”.

Alocar recursos nas regiões de acordo com as necessidades

“O combate a esta pandemia faz-se a todos os níveis” disse, porque é necessário “controlar a expansão da doença” e “isolar os contaminados”.
“Isto é um trabalho local”, sublinhou Mário Durval.
Salientou que a pandemia foi “entendia pelo governo como um problema politico”, e “não é só politica, é também politica”.
Mário Durval referiu que não houve capacidade de superar os números e centrar o foco no que é importante os recursos – “alocar recursos nas regiões de acordo com as necessidades”.
Criticou o facto de existir muita preocupação em arranjar dados para a Ministra da Saúde e o facto de no processo surgirem elementos estranhos à Saúde, como os presidentes de Câmara que “acharam” que “passaram a ser epidemiologistas”, assumindo papeis que deviam ser da Protecção Civil e dós Delegados da Saúde Pública – “os presidentes queriam aparecer na TV”.
Na opinião de Mário Durval ao nível regional “ficamos entalados”, e “nem tinhamos tempo para discutir a pandemia”.
“Houve disfunções na articulação”, disse, acrescentando que neste caso “não é a Saúde Pública que tem a culpa”.

Temos que aprender a viver com isto

“A gente não vai acabar com isto se não houve vacina. Temos que aprender a viver com isto”, sublinhou Mário Durval.
Recordou que a maior parte dos surtos é de situações de grupo – “a transmissão é de familia e de grupos”.
Neste contexto, defendeu a importância de serem desenvolvidas medidas ao nível da saúde Pública, é preciso “perceber onde estão os velhos”, aqueles que estão aglomerados “para evitar a mortalidade”.

Os Lares devem ser objecto de medidas de protecção

“É preciso proteger os aglomerados de idosos. Os Lares devem ser objecto de medidas de protecção”, disse.
Recordou que os idosos estão isolados e que são o funcionários ou visitas os transmissores, principalmente pessoas de duplo emprego.
“As medidas têm que vir com a criação de barreiras”, salientou.
“O teste não é medida para nada”, disse.

Saúde Pública devia estar a exercer a função pedagógica

Mário Durval recordou que as pessoas – “não vêm qual o seu papel”, só agem perante ordens, têm falta de capacidade de raciocinar sobre como devem agir - desinfectar as mãos, lavar as mãos, proteger.
Na sua opinião, a Saúde Pública devia estar a exercer a função pedagógica e de sensibilização – “isso falta”.

As crianças não adoecem

“As crianças não contaminam ninguém” referiu, “as crianças não adoecem, mesmo contaminadas não adoecem”, salientou.
“É mais grave para as crianças não se socializarem, o não socializar tem repercussões na personalidade”, disse.
“É mais grave para as crianças não se socializarem do que apanharem COVID”, salientou Mário Durval.

Aa área dos afectos precisa de ser trabalhada

Na sua intervenção referiu que a Saúde Pública “tem que controlar o bichinho”, através do isolamento das pessoas contaminadas, ter preocupações com problemas de Saúde Mental – “ a área dos afectos precisa de ser trabalhada, arranjar forma de trabalhar os afectos entre as pessoas”.
O abraço não tem razão de não se dar, os riscos são as festas, salientou.

Uma economia que não esteja boa dá-nos cabo da saúde

A economia faz parte da Saúde Pública – “uma economia que não esteja boa dá-nos cabo da saúde”.
“Os governos olham para isto não é por um ponto de vista da Saúde Pública, é porque entre nos cofres do Estado”, disse.
Se uma situação de falta de trabalho abrange muita gente passa a ser um problema de Saúde Pública, porque na vida da comunidade é importante “o bem estar global” e “o desenvolvimento global”.
As soluções são para ser encontradas pela comunidade, os problemas devem ser resolvidos por todos, não é por espertos que acham que sabem - “ o problema é que cada um não sabe qual o seu papel”.

O que causa ansiedade enfraquece-nos

No decorrer do debate, Mário Durval, deixou alguns alertas por exemplo que os novos têm que perceber que os seus comportamentos podem afectar os seus pais e os seus avós.
Recordou que isto não é um problema de normas, de arranjar mais uma norma, passa por comportamentos de todos.
Alertou para os problemas de isolamento, solidão e saúde mental.
“O que causa ansiedade enfraquece-nos” referiu Mário Durval.

S.P.

20.10.2020 - 20:52

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