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Barreiro - Conferência «A Pandemia e as Transformações Digitais»
Avançamos dez anos para a frente na utilização das novas tecnologias

Barreiro - Conferência «A Pandemia e as Transformações Digitais»<br />
Avançamos dez anos para a frente na utilização das novas tecnologias . Radicalização é empolada pelas redes sociais

No decorrer da conferência subordinada ao tema “A Pandemia e as Transformações Digitais”, Arlindo Oliveira, salientou que as mudanças tecnológicas, com recurso ao teletrabalho, a não dependência de recursos fisicos escritórios, vai gerar alteração de comportamentos e vai criar problemas no manter o espirito de comunidade na empresa, na instituição, que enfraquece com o trabalho em casa."

No âmbito da 5ª edição da Semana do Empregador, o Centro de Emprego do Sul Tejo promoveu a conferência subordinada ao tema “A Pandemia e as Transformações Digitais”, proferida por Arlindo Oliveira, Docente do Instituto Superior Técnico e Investigador.

Todos temos que nos adaptar

Maria do Carmo Guia, Directora do Centro de Emprego do Sul Tejo, na abertura da conferência sublinhou a importância da cooperação e ligação do Centro com instituições e empresas.
Recordou que “sem as empresas não resolvemos o problema” não se resolve o problema do dia-a-dia do Centro de Emprego que visa acompanhar os desempregados e encontrar soluções.
Maria do Carmo Guia, referiu que perante a actual situação de pandemia – “todos temos que nos adaptar”, a realização deste evento por via on line é um exemplo.
Salientou que as novas tecnologias são um desafio para as empresas e para os trabalhadores, por essa razão foi dirigido o convite a Arlindo Oliveira, um investigador de referência nacional, para conversar sobre a pandemia e as transformações digitais.
O debate foi moderado por Ana Martins, da AISET.

Perspectiva perante o risco agora é mais acentuada

Arlindo Oliveira, começou por recordar que a humanidade já viveu situações de pandemia, que causaram milhões de mortos, nomeadamente nos anos 1957 e entre 1968/ 1969, mas essas pandemias não tiveram o impacto que esta que estamos a viver, talvez porque actualmente estão mais atentos ao risco, do que estávamos há 50 anos – “a perspectiva perante o risco agora é mais acentuada”, e, as plataformas digitais e de comunicação “dão mais visibilidade”.
Os media tem nos dias de hoje o foco que não tinham há cinquenta anos, e, gerem os seus conteúdos em torno dos acontecimentos que atraem a atenção das pessoas – “a atenção das pessoas é valiosa”.

Avançamos dez anos para a frente na utilização das novas tecnologias.

Arlindo Oliveira, recordou que há 50 anos atrás não havia teletrabalho, nem sequer existia o conceito de teletrabalho.
Na actual situação de pandemia, as tecnologias digitais permitiram encontrar respostas com eficácia pelo teletrabalho, com a situação de pandemia fomos obrigados a mudar o estilo de vida.
“Avançamos dez anos para a frente na utilização das novas tecnologias. Esta é uma coisa positiva”, sublinhou o investigador.
“Esta é uma razão para sermos optimistas porque saltamos para o futuro. Esta é a única coisa positiva. O resto é negativo”, disse Arlindo Oliveira.

Primeiro desafio para as empresas é manterem-se vivas

O Docente do Instituto Superior Técnico e Investigador, na sua intervenção alertou que o primeiro desafio para as empresas perante a situação de pandemia – “é manterem-se vivas”.
Nesse sentido considerou essencial que os governos ao nível europeu perceberam essa realidade e por essa razão procuram viabilizar empréstimos e suportar as empresas com atribuição de subsidios – “isso é fundamental”, nesta fase até que tudo regresse à normalidade.

É importante para manter a cultura de empresa viva

Arlindo Oliveira, salientou que as mudanças tecnológicas, com recurso ao teletrabalho, a não dependência de recursos fisicos escritórios, vai gerar alteração de comportamentos e vai criar problemas no manter o espirito de comunidade na empresa, na instituição, que enfraquece com o trabalho em casa.
Recordou que o contacto entre as pessoas, a presença fisica é importante para manter a cultura de empresa viva, porque é essencial que as pessoas continuam a perceber que pertencem à empresa, integram uma cultura de empresa.

Ninguém pode ficar em desvantagem neste mundo

O Investigador recordou que o segundo desafio colocado pela pandemia às empresas e à comunidade será o de garantir o acesso de qualidade às novas tecnologias, quer ao nível de conhecimentos, quer de equipamentos.
Ñeste contexto sublinhou que é essencial garantir que sejam efectuados investimentos na aquisição de equipamentos e na educação.
As novas tecnologias, recordou Arlindo Oliveira, são essenciais ao nível da comunicação e no acesso à informação – “ninguém pode ficar em desvantagem neste mundo”.
Referiu a importância do trabalho colaborativo, da participação em plataformas, e, para tal, todos têm que ter competências e não devem ficar excluídos, por não saber usar os recursos tecnológicos.
Defendeu que parte do dinheiro da «bazuka» devia ser aplicado na educação para aumentar as competências digitais, em todas as idades.

Radicalização é empolada pelas redes sociais

Arlindo Oliveira, considerou que o terceiro desafio ao nível das tecnologias está directamente ligado á temática da Democracia e a Sociedade, devido a uma maior dependência das redes sociais, à existência de fake news, que são factores de fragmentação e de radicalização da sociedade.
Uma sociedade com visões diferentes sobre o desenvolvimento e sobre a realidade, como exemplo referiu o facto de 20 % dos americanos acreditarem que houve fraude nas recentes eleições- “há uma visão diferente da mesma realidade” que tem como origem a radicalização e falta de diálogo, empolada pelas redes sociais.
O investigador referiu o efeito de «toca de coelho», causado pelas redes sociais, que é aquela informação que só reforça, em cada um, aquilo em que se acredita, isto causa fragmentação, o potencial destas tecnologias é quebrar as linhas de diálogo e dividir as pessoas.
Recordou que todas as noticias falsas são causadas por sistemas, cujo objectivo é captar a atenção, são modelos de negócio da sociedade capitalista.
“As plataformas afunilam a nossa visão do mundo, afunilam o campo de visão”, referiu.

Aumento de ataques informáticos às empresas

O investigador do Instituto Superior Técnico, referiu que o quarto desafio a enfrentar com as novas tecnologias é a cibersegurança.
Nos dias de hoje faz-se tudo no digital e pelo digital e isto aumenta os riscos, verificam-se o aumento de ataques informáticos ás empresas e o roubo de dados pessoais – “hoje estamos mais expostos”, por essa razão, a educação é fundamental.
Há links activos enviados por e-mail que causam muitos estragos.

Fornecemos informação que é uma ameaça séria à privacidade

Arlindo Oliveira sublinhou que o quinto desafio ao nível das novas tecnologias está relacionado com a privacidade, a informação sobre cada um de nós, porque, as procuras que fazemos na internet, os nossos interesses, valem por publicidade – “fornecemos informação que é uma ameaça séria à privacidade”, disse.
Salientou que O Regulamento de Protecção de Dados na prática é ineficiente – “a eficácia é limitada”.
“Temos que nos habituar a viver num mundo cada vez mais com menos privacidade”, referiu.

A pandemia mudou profundamente o mundo

O investigador ao finalizar a sua intervenção sublinhou que estamos perante um mundo novo admirável, num tempo que temos que reaprender a dialogar uns com os outros, porque estamos cada vez mais a ter dificuldades em falar com pessoas de outras opiniões.
A pandemia mudou profundamente o mundo, sublinhou Arlindo Oliveira.

IEFP está a fazer uma grande aposta em formação na área digital

Maria do Carmo Guia a encerrar recordou que o IEFP está a fazer uma grande aposta em formação na área digital, promovendo a cidadania digital.
Esta conferência proporcionou uma troca de opiniões entre as dezenas de participantes, permitindo perceber, que a revolução digital há muito está presente, tem vido a afirmar-se devagarinho, mas, agora a pandemia veio acelerar, com o a introdução do teletrabalho, novas relações socias, que afecta culturas de empresa, de comunidade, que altera os sentimentos de pertença, que nos obriga a todos a adaptar, a aumentar competências digitais.
Como disse, Arlindo Oliveira, este não é um problema de esquerda ou direita.

Em conclusão, uma conferência que permitiu pensar que as novas tecnologias são uma temática indissociável da democracia, da educação, que colocam riscos para a saúde, riscos psicológicos e riscos de exclusão social.
Uma iniciativa do Centro de Emprego do Sul Tejo que deu aos participantes a oportunidade de reflectirem sobre as novas tecnologias no contexto da crise gerada pela pandemia de COVID-19.

S.P.

15.11.2020 - 00:22

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