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Barreiro - Luso Foot-Ball Club «100 anos...uma história»
Um clube do desporto, da cultura e da resistência

Barreiro - Luso Foot-Ball Club «100 anos...uma história»<br>
Um clube do desporto, da cultura e da resistência “O Luso é um clube de bairro, do Barreiro, de gente humilde, ferroviários e corticeiros, jovens, que tinha um bocadinho de aversão ao clube que se tinha formado em 1911, o Futebol Clube Barreirense”, salienta André Brás dos Santos, autor da obra - Luso Foot-Ball Club «100 anos...uma história».

André Brás dos Santos, natural do Barreiro, Licenciado em Gestão, Mestrado em Desenvolvimento, neste momento está a trabalhar na sua teses de doutoramento em História, na Universidade Autónoma de Lisboa.
André Brás dos Santos é o autor da obra «Luso Foot-Ball Club “100 anos...uma história”», livro editado para assinalar o centenário de um clube com raízes no coração Camarro.

Um documento que marcasse os 100 anos

Tudo começou numa conversa, entre André Brás dos Santos e Rui Pereira, presidente da Direcção do clube, numa noite de Março de 2019, e, a propósito da celebração do centenário, nessa conversa surgiu a sugestão de editar uma obra para a posteridade, um documento que marcasse os 100 anos.
Da sugestão à prática. André estava a iniciar o seu trabalho para o doutoramento em história e abraçou este projecto com grande paixão.
“Na semana seguinte a essa conversa já estava à minha disposição o arquivo e uma secretária pronta para trabalhar. O Rui foi um entusiasta do projecto”, refere André Brás dos Santos.
Sublinha que para realizar esta obra, desenvolveu uma intensa pesquisa com a metodologia de um trabalho historiográfico, uma pesquisa quer nos arquivos do Luso, no Arquivo Municipal do Barreiro, na Biblioteca Municipal, no Arquivo Distrital em Setúbal, entrevistas a sócios e antigos dirigentes. Muitos dias de investigação.
Foi feito um apelo para nos fazerem chegar histórias e fotografias. Umas chegaram a tempo, outras foram recebidas já depois o livro estar editado. Vão ser a base de outros projectos.
Na recolha de informação histórica recorda a importância do «Boletim Luso» – “foi um documento fundamental”.
Houve em tempos uma tentativa de criar a história do Luso, através da edição – Os apontamentos históricos.
“Boa parte deste livro foi buscar dados a esses apontamentos, nesse que foi um trabalho desenvolvido por um nome histórico do Luso, Horta Raposo”, salienta André Brás dos Santos.

Luso é um clube camarro

“O Luso é um clube camarro, é ‘Barrero’, como diz António Camarão, no Prefácio. Essa é a primeira imagem que se sente, ao percebermos que sua origem, este é um clube fundado por um grupo de jovens ferroviários e corticeiros, numa sessão de cinema, não se sabe bem a data, não se consegue definir bem a data, sabemos que essa data da fundação foi antes de 1920, aponta-se para 1919, mas não foi possível confirmar a data exacta. Há divergências entre diversos autores.”, comenta André Brás dos Santos.

Data da fundação para provocar o FC Barreirense

Recorda que a data de fundação que é festejada – “é a mesma data do Futebol Clube Barreirense, 11 de Abril, isso, foi confirmado por depoimentos, que essa escolha foi feita mesmo por birraça, foi mesmo para provocar o Barreirense”.
“O Luso é um clube de bairro, do Barreiro, de gente humilde, ferroviários e corticeiros, jovens, que tinha um bocadinho de aversão ao clube que se tinha formado em 1911, o Futebol Clube Barreirense”, salienta.

Um clube eclético e com tradição cultural

Na investigação sobre a história do clube verifica-se que, logo na sua origem, o Luso Futebol Clube desenvolve a aptidão para um conjunto de diversos desportos – “na sua primeira década demonstrasse que é um clube eclético”,
Teve o futebol, o Campo das Vinhas, foi o primeiro campo, onde é o Parque Catarina Eufémia, até á zona do Instituto Ferroviário, depois o segundo, mais consolidado, foi o Campo de Nª Srª do Rosário – “quando acabavam os jogos tomavam banho nas caldeiras, ou utilizavam os balneários de uma fábrica corticeira”, refere.
O Luso tinha ainda Hóquei em Campo de 11, Pólo Aquático ( jogavam na Caldeira do Moinho do Cabo, o Luso e o Barreirense), Atletismo, Natação, Ciclismo e Boxe.
“Era já um clube com alguma tradição cultural, promovia eventos festivos tauromáquicos, e, inicia uma pequena Escola de Alfabetização, principalmente para os jogadores nos finais dos anos 20”, sublinha.

Do Desporto à cultura e resistência

André Brás dos Santos, sublinha que a história do Luso Futebol Clube, foi marcada por diferentes décadas.
Entre 1920 e 1950, são as grandes épocas desportivas, é um tempo onde o vinco desportivo está mais presente na vida do clube.
Entre 1950 e 1974, foge a essa matriz de ser só um clube desportivo, passa a ser uma referência no Movimento Associativo, com uma grande vertente para a educação, para a instrução, para a área musical, mas também para a resistência – “O Luso faz parte da Rota da Resistência do concelho do Barreiro”.
Uma página histórica da resistência foi o 11 de Novembro de 1967 – o S. Martinho da Resistência, com um espectáculo que participou Zeca Afonso, Odete Santos e muitos outros.
“Os primeiros apontamentos que obtive dos associados não foi do Luso como clube desportivo, foi o Luso como uma casa de cultura e de politica, de educação, e, a sua Escola de Esperanto”, refere André Brás dos Santos.
De 1975 até ao final do século o clube foi marcado pela actividade desportiva, foi campeão por equipas e individuais de halterofilismo, de Luta Greco- Romana.
E teve dois vultos como Paulo Duarte, que em 1988, foi aos Jogos Olimpicos de Seul, e, Sara Duarte que foi campeã europeia.

Maria de Lurdes Pintassilgo atribuiu a Utilidade Pública

Foram diversos os registos que surgiram na conversa de factos que fazem parte de uma história centenária, por exemplo que o Luso foi o primeiro clube barreirense a ser campeão de basquetebol, tendo conquistado o título nacional da 2ª Divisão.
Por exemplo, o Diploma de Utilidade Pública, foi assinado por Maria de Lurdes Pintassilgo – “deve ser dos pouco clubes em Portugal, que tem este documento assinado pela única mulher que foi Primeiro-Ministro, em Portugal, não posso deixar de mencionar este facto. É uma marca na história.”

Do Boletim Mensal à Comissão Cultural

André Brás dos Santos, recorda a criação da Comissão Cultural do Luso, fundada no ano 1950, que teve na sua génese o «Boletim Mensal do Luso», um jornal escrito de forma ininterrupta, desde 1949 até 1986, que teve como seu Director e impulsionador Francisco Horta Raposo.
Uma personalidade cujo nome está referenciado na toponimia barreirense e foi distingudo com o galardão «Barreiro Reconhecido», na área do associativismo.
Na história do clube estão outras personalidsades distinguidas com o «Barreiro Reconhecido», como Egídio Vilar, Emidio Esteves, Augusto Pereira Valegas, Major Nortadas, ou outras figuras como Artur Pinheiro de Carvalho, pai de Carlos Humberto, ex- Presidente da Câmara Municipal do Barreiro.
Eduardo Fernandes, é recordado como um associado que deu um contributo importante no processo de construção do edificio-sede.
“Um clube é feito pelas gentes que nele trabalharam”, salienta André Brás dos Santos, tendo acrescentado o enorme prazer que viveu para concretizar esta obra – uma página de ouro da história barreirense.

S.P.

Nota – A receita do livro Luso Foot-Ball Club «100 anos...uma história», visa a obtenção de verbas para realizar a obra, que é urgente, no telhado da sede social.
Adquira uma obra histórica e ajude a realização dos melhoramentos.

13.12.2020 - 21:25

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