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reportagem

Jorge Espirito Santo «Profissional do Ano» do Rotary Club do Barreiro
O médico não é só um técnico, é uma pessoa que interage com as pessoas

Jorge Espirito Santo «Profissional do Ano» do Rotary Club do Barreiro<br />
O médico não é só um técnico, é uma pessoa que interage com as pessoas<br />
. A taxa de sobrevivência em doentes oncológicos em Portugal atingiu os 5 anos, sendo ao nível da Europa das mais avançadas

Jorge Espirito Santo, no decorrer da homenagem que recebeu como «Profissional do Ano», referiu que um dos problemas da gestão dos hospitais, está na nomeação de gestores com base em critérios de especialidade politica – “não sabem nada de medicina”.

Alertou que devido à pandemia COVID, no futuro vamos ter custos gravissimos e pesados – “vamos ter um recuo das taxas de sobrevivência nos nossos doentes com cancro”.

O Rotary Club do Barreiro anualmente vive um dia que marca a sua história e a sua relação com a comunidade, um dia que orgulha o movimento rotário e é uma referência nas práticas associativas deste movimento internacional, estamos a referir, obviamente, a cerimónia de atribuição da distinção «Profissional do Ano».
Nestes seus 24 anos de vida foram distinguidas diversas personalidades da vida local, em diversas áreas, pessoas que pela acção dignificaram a sua actividade profissional e valorizaram a comunidade.
Este ano, 2021, com a distinção «Profissional do Ano», foi homenageado Jorge Espirito Santo, o quarto médico a receber este galardão do Rotary Club do Barreiro, numa sessão que decorreu por via on line.

De Santiago do Cacém até ao Barreiro

Jorge Espirito Santo, tem 66 anos, licenciado em Medicina, no ano de 1977, especializando-se em Medicina Interna. No ano de 1993, especializou-se em Oncologia Médica, área onde fez o seu percurso ao longo dos anos, tendo atingido a categoria de «Chefe de Serviços», no ano 2007.
Exerceu a sua actividade no Hospital de Santiago do Cacém, e, no Hospital do Barreiro, na área de Medicina Interna.
Assumiu um papel de liderança na criação do Serviço de Oncologia do Hospital do Barreiro, entre 1996 e 2016.
Integrou o Conselho Geral do Hospital do Barreiro entre 1997 e 2002.
Foi membro do Conselho Nacional de Oncologia.
Entre 1997 e 2020 foi eleito na Assembleia Municipal do Barreiro, tendo como autarca dado um contributo para a criação do Observatório Municipal de Saúde.

Das lutas estudantes aos Médicos à Periferia

Jorge Espirito Santo, recordou que entrou para a faculdade, antes do 25 de abril, e, que foi através do movimento estudantil que despertou para as questões sociais. No ano de 1972 viveu as greves académicas e a acções que decorreram em sequência da morte do estudante Ribeiro Santos.
Sublinhou que quando exerceu funções nos Hospitais Civis de Lisboa, ali, “bebeu” a filosofia que alimentou “minha carreira”.
Recordou a importância que teve a sua vivência no exercicio da actividade dos “Médicos à periferia”, que lhe permitiu viver a aplicação prática no terreno do exercício do serviço de Saúde Pública.
Na sua opinião a actividade dos jovens médicos que exerceram a actividade de «Médicos à Periferia», foi uma acção que marcou o Serviço Nacional de Saúde e contribuiu para a criação da Carreira de Medicina, criada por diploma, no ano de 1982.

O desafio pela área de Oncologia

Jorge Espirito Santo, recordou que o seu tutor foi Álvaro Mota, foi ele que me ensinou o que não vem nos livros, que o médico não é só um técnico, é uma pessoa que interage com as pessoas, que é importante no exercício da medicina – “a atitude”.
Referiu que o seu interesse pela área de Oncologia foi-lhe despertado por Miguel de Sousa, quando no ano de 1986 abriu o novo Serviço de Medicina Interna no Hospital do Barreiro, com um grupo de jovens médicos.
Era uma área de exercicio mais dificil, mas o estímulo de Miguel de Sousa, para desenvolver um projecto na área de Oncologia, era um desafio.
Jorge Espirito Santo fez estudos no IPO, e, recorda que a partir de 1987, esta área de Oncologia, no Hospital do Barreiro, começou a ter um acompanhamento mais personalizado.

Um rede de referência europeia

Recordou que o Hospital do Barreiro deu um importante contributo para que a nível nacional, a partir de 1996, houvesse um investimento para se constituir uma rede na área de Oncologia.
Sublinhou o seu interesse pelo desenvolvimento da especialidade, criada em 1994, tendo integrado o Colégio de Oncologia de 2003 a 2012, exercendo as funções de Presidente durante nove anos.
A grande meta, salientou, era garantir a todos o acesso aos cuidados de oncologia, em qualquer ponto do país, com a criação de rede de cuidados descentralizada.
Esta rede foi de grande importância para o desempenho da área de Oncologia em Portugal.
Recordou que no ano de 2014, a taxa de sobrevivência em doentes oncológicos atingiu os 5 anos, sendo ao nível da Europa das médias mais avançadas.
A rede de cuidados de oncologia em Portugal, salientou, está ligada aos centros de referência europeia.

Unidade de Radioterapia do Hospital do Barreiro

Jorge Espirito Santo, recordou uma outra etapa da sua vida profissional, a instalação da Unidade de Radioterapia do Hospital do Barreiro – “não foi fácil”.
Mas, disse, foi concretizado no ano 2011, e, a sua instalação significou a criação da primeira unidade ao nível da península Ibérica, com tratamento especifico.

Vamos ter custos gravissimos

Jorge Espirito Santo, recordou que na sua carreira, fez uma pós graduação em gestão.
A este propósito referiu que um dos problemas da gestão dos hospitais, está na nomeação de gestores com base em critérios de especialidade politica – “não sabem nada de medicina”.
Neste contexto, alertou que neste tempo que vivemos de pandemia COVID, no futuro vamos ter custos gravissimos e pesados – “vamos ter um recuo das taxas de sobrevivência nos nossos doentes com cancro”.

Melhor condições para os doentes

Jorge Espirito Santo, referiu a sua actividade ao nível sindical no Sindicato dos Médicos da Zona Sul, acção que disse, tem por objectivos para melhorar as condições da classe médica, lutar por melhor condições para os doentes e melhorar as carreiras médicas.
No final salientou que esta crise que estamos a viver deve ser um tempo que contribua para “sermos capazes de abrir formas de moldar o nosso futuro”, que seria importante “sairmos desta crise mais adultos”, lutarmos pelo Serviço Nacional de Saúde, para que todos tenham acesso aos melhores cuidados de saúde, esta, disse, foi uma “camisola” que vestiu há muitos anos.
“Dediquei-me à minha profissão e nunca separei a profissão do homem que vive em sociedade”, disse.

S.P.

14.02.2021 - 22:26

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