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reportagem

Fernando Nobre em conversa no Rotary Club do Barreiro
Crescente pobreza e fome são duas armas de destruição massiva

Fernando Nobre em conversa no Rotary Club do Barreiro<br />
Crescente pobreza e fome são duas armas de destruição massiva . É preciso que haja democracia interventiva

. Estamos num momento dos mais perigosos que a humanidade enfrenta, um conflito global

. Há 300 milhões de pessoas pobres no mundo

Fernando Nobre, fundador da AMI, participou numa conversa, através de plataforma on line, promovida pelo Rotary Club do Barreiro.
Fernando Nobre sublinhou que, nos tempos de hoje, “estamos numa encruzilhada que vai desafiar as nossas democracias”.

Esta iniciativa realizada no âmbito das actividades regulares do Rotary Club do Barreiro, foi inserida na temática que envolve a actividade deste ano do movimento rotário centrada na reflexão sobre a paz e os conflitos no mundo.
Fernando Nobre, ex-candidato à presidência da República, fundador da AMI, tem uma actividade humanitária desenvolvida por todo do mundo.

Humanidade está em vésperas de um grande conflito global

Na sua intervenção começou por recordar alguns factos que permitem sublinhar que a humanidade está em vésperas de um “grande conflito global”, recordou que o “relógio do apocalipse”, está a um minuto da hora zero, porque estamos perante cenários que, em termos de segurança colocam em risco o planeta. Desde posições assumidas por Putin, na Rússia, os conflitos no Mar da China, a existência de 300 milhões de pobres no mundo.
“O crescimento da pobreza e fome são armas de destruição massiva”, disse.

A ganância não tem limites

Salientou que a China, em breve será a primeira potência económica do mundo, mas que a primeira potência militar vai continuar a ser os Estados Unidos.
Referiu que estamos num mundo dos mais perigosos que a humanidade enfrentou, desde há séculos, estamos perante um conflito global.
Estamos perante um processo “que me deixa altamente preocupado em relação a gerações futuras”, estamos perante a vontade desvairada de uma infima minorias de mulltimilionários que querem servir-se do planeta, que defendem uma nova ordem internacional.
Estamos numa encruzilhada que vai desafiar as nossas democracias – “as causas dos conflitos são a intolerância e a ganância, a ganância não tem limites, o vírus da ganância está à solta nas mãos de poucas pessoas”.

O assassino económico está à solta

Os conflitos no mundo salientou Fernando Nobre têm origem em diversas causas, uma delas é o “apego ao poder”, o “umbiguismo agudo”, aqueles que têm acesso ao poder “julgam-se deuses” e deixam de ver os outros como seues iguais, vêm os outros como números.
O apego grande ao poder é tremendo, a corrupção é tremenda – “o assassino económico está à solta”. Os países não crescem nos seus PIBs, pedem empréstimos e ficam com dividas colossais acumuladas.
O poder financeiro é superior ao económico e ao politico.

As nossas liberdades garantias estão a ser limitadas

Outro aspecto que motivas os conflitos são as religiões. A religião devia ser o re-ligare, estabelecer pontes, não se devia matar pela religião.
Usam a religião como justificação para a matança, o objectivo é o poder.
O maior politico de todos os tempos foi Jesus, quando introduziu a palavra AMOR.
No mundo de hoje, quer a politica, quer a religiões podem entrar no apocalipse, é, por isso, referiu Fernando Nobre, que estamos à beira do apocalipse económico, social, psicológico e humano.
As nossas liberdades garantias estão a ser limitadas, os direitos começam a estar vigiados, mesmo nas nossas democracias europeias, estamos numa caminhada de esgotamento progressivo.

Sem interrogações não tínhamos avançado

Fernando Nobre apontou, também, a “falta de tolerância” como uma das causas dos conflitos, defendeu que nas relações humanas tem que haver respeito e reciprocidade. A tolerância sem reciprocidade não é possível.
Não sou um pessimista, disse, sou um optimista que tenta andar informado, tenho dúvidas, porque sem interrogações não tínhamos avançado. O questionamento faz parte do cientifico, o cientifico questiona, sempre que vejo unanimismos é assustador, disse.

Estamos num mundo que já não é dominado pela Lei

Fernando Nobre alertou para os perigos do comércio das armas, que estamos numa corrida armamentista, são os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, os maiores vendedores de armas no mundo.
Estamos num mundo que já não é dominado pela Lei, é a lei da força que domina e ninguém questiona.
Referiu que a pandemia do COVID é um exemplo, até quebrou a relação médico doente, que está a ser proposta como um património imaterial da humanidade. O médico devia obedecer apenas à sua consciência, estar ao serviço da humanidade.
Alertou para os graves efeitos que a pandemia vai ter no desemprego. Vai ser o descalabro, que não há bazuka que resolva.

É preciso que haja democracia interventiva

Fernando nobre, defendeu a dinamização de uma “cidadania global solidária”, onde as pessoas sejam o centro do poder, todas as democracias precisam de se centrar nas pessoas, é preciso que haja democracia interventiva, democracia mais viva, mais presente, o mal está nos unanimismos.
Defendeu que devias existir curso de civismo, desde o pré-escolar sempre até à Licenciatura, porque a cidadania ensina-se, educa-se e estuda-se – melhor cidadão, pode fazer melhor cidade e melhor democracia.
Ter um diploma nunca foi garantia de cidadania verticalidade e respeito de valores, é, preciso que haja cidadania solidária.
Precisamos de mais partilha, mais equidade e mais justiça, se não o fizermos é a morte das nossas democracias.
Temos que voltar ao primado da Lei, a Constituição da República Portuguesa tem que ser integralmente respeitada, disse.

Poder tem que sentir que há contrapoder

Fernando Nobre salientou que entre o ter e o ser, temos que sobrepor o ser ao ter, afinal, ter por ter não é justificação para pisar o outro, por essa razão, as democracias devem ser activas.
O Poder tem que sentir que há contrapoder, porque o poder absoluto corrompe.
A encerrar a sua intervenção afirmou a importância de ser – cidadão do mundo e colocar o AMOR no centro da vida.

S.P.

24.02.2021 - 00:09

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