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reportagem

Telma Monteiro na ESSA – Barreiro
Decidi que queria ser das melhores do mundo

Telma Monteiro na ESSA – Barreiro<br>
Decidi que queria ser das melhores do mundo<br>
. É importante fazer coisas porque me fazem feliz

. Benfica deu-me condições para atingir o patamar olimpico

A judoca Telma Monteiro, hoje pela manhã, marcou presença no Auditório da Escola Secundária de Santo André, numa iniciativa da Biblioteca da ESSA, que tem vindo a dinamizar palestras com pensadores e líderes da actualidade, visando proporcionar aos alunos lições de vida.

Telma Monteiro é a judoca mais premiada ao nível europeu, com títulos conquistados ao nível europeu, mundial e olimpico, naquele auditório, repleto de alunos, deu uma lição de vida, de humildade, demonstrando - “que não há nada que se queira alcançar que seja impossível”, disse.

O que digo é o que sou

Esta manhã, no decorrer da sua intervenção recordou no seu livro «Na Vida Com Garra», conta a sua história, o que está escrito vai ao encontro daquilo que pensa – “tenho que acreditar no que faço”, porque, acrescentou “o que digo e o que faço tem que ser coerente” “O que digo é o que sou”, sublinhou a judoca.
Referiu que a escrita do livro foi uma terapêutica – “foi muito exigente” – porque sentia-se a escrever coisas que eram uma motivação para si mesma – “sou eu a contar a minha história”.
Escrever o seu livro, salientou foi “uma aprendizagem muito grande”.
O objectivo do livro é passar uma mensagem – “se somos resilientes as coisas acabam por acontecer”, referiu.

Decidi que queria ser das melhores do mundo

Telma Monteiro, recordou que começou num clube pequeno, num Bairro no Monte da Caparica, onde eram dominantes as modalidades de futebol, atletismo e judo. Praticou atletismo e futebol - “a minha irmã praticava judo e andavam em viagens”, e foi essa a sua motivação inicial para se dedicar ao judo – “andar a viajar foi a primeira motivação”.
“Gostava de andar à porrada com a minha irmã”, comentou com um sorriso e proporcionou uma gargalhada geral.
Depois, descobriu que no judo há sempre “muita coisa a aprender”, e, sendo uma modalidade individual, “tudo depende de nós, não dependemos de uma equipa ”.
“Percebi que era boa no que fazia, que era acima da média”, sublinhou.
“Decidi que queria ser das melhores do mundo, talvez não soubesse o que era ser melhor do mundo, mas sabia que tinha que trabalhar para o atingir”, afirmou Telma Monteiro.

Benfica deu-me condições para atingir o patamar olímpico

A judoca sublinhou que a sua ida para o Benfica, no ano 2007, onde foi iniciar o projecto olimpico da modalidade, foi muito importante para o se desenvolvimento, porque assumiu o seu percurso profissional como atleta – “o Benfica deu-me condições para atingir o patamar olimpico”.
Telma Monteiro, sublinhou que “a maior parte das pessoas lembra-se de nós sempre que ganhamos”, e, não recordam quando “perdemos”, mas, para perder ou ganhar, há sempre “muitas horas de trabalho”, “o esforço é diário”, “por vezes lutamos contra as lesões”, continuamos a treinar a suportar a dor.
“Quando corre bem aplaudem”, disse, mas não o fazem quando se “falha”.

Ser atleta por prazer

A judoca referiu que o “o mais importante da nossa vida é ter uma boa preparação” e fazer o que gostamos – “ser atleta por prazer”.
“Há momento que parece que alcançar os nossos objectivos é impossivel”, salientou, acrescentando que – “não há nada que se queira alcançar que seja impossível”.
“Temos que dar o nosso melhor e sermos nós próprios. Se somos resilientes as coisas acabam por acontecer”, disse.
Salientou que após a sua fase de competição – “sou uma pessoa que quer continuar a ter um papel na sociedade”, por essa razão concretizou uma pós- graduação em Gestão e Marketing do Desporto.

Houve um tempo que o homem era valorizado de forma diferente

Interrogada se alguma vez, pelo facto de ser mulher, sentiu que existe tratamento diferente, a judoca, referiu que já houve um tempo que “o homem era valorizado de forma diferente”.
Já houve uma altura que eram mais valorizados os resultados quando eram alcançados pelos homens, os mesmos que eram alcançados por mulheres, disse.
Sublinhou que na sua carreira - “tenho sido acarinhada e reconhecida”.
E ser da margem sul, também afecta?
“Não. Na margem sul somos os maiores”. E os aplausos sentiram no Auditório.

Temos que libertar a mente de coisas exteriores

Que pensa um atleta quando vai competir? – foi outra pergunta.
“Saber o que tenho que fazer para ganhar. Que estratégia tenho que ter. Pensar no que se tem que fazer para ser bemn sucedido. Concentrar no que se tem que fazer.” Comentou Telma Monteiro.
Não pensar no que pensam os amigos, ou a familia, não desviar o pensamento noutras coisas – “é preciso pensar o que temos que fazer, o que fazer para ganhar”.
“Temos que libertar a mente de coisas exteriores”, disse.
Recordou que a psicologia ensina a ter estratégias de como lidar com o stress e a ansiedade.

Treino quatro horas por dia

Telma Monteiro respondeu diversas perguntas, sempre com grande humildade, sempre como uma contadora de histórias, ali, a partilhar a sua vida, a contar as suas experiências.
Treino quatro horas por dia. O treino é um método de trabalho que permite observar a evolução, quer fisica, quer táctica.
“O ritmo que meto no combate, depende da intensidade que exijo de mim”, disse.

É para ganhar, não para pensar num limite

Interrogada sobre se coloca algum limite nos seus objectivos, respondeu : “Não existem limites.”
Referiu que as próximas etapas são o campeonato do mundo e os Jogos Olimpicos – “se estiver nos Jogos Olimpicos sei que posso ganhar. Estar lá é para ganhar cada combate.
“É para ganhar, não para pensar num limite”, afirmou.

É importante fazer coisas porque me fazem feliz

Alguma vez pensou desistir? A judoca recordou que passou-lhe pela cabeça deixar a alta competição quando estava na Faculdade. Estava cansada. E quando se está cansado perde-se.
“É importante fazer coisas porque me fazem feliz”, disse.
Telma Monteiro sublinhou – “sou determinada e teimosa naquilo que penso”, por essa razão, acrescenta - “tenho que exigir de mim e desfrutar do que estou a fazer”.
Salientou que a viagem é mais que o destino – “um dia de competição não é a viagem”, o que importa, disse, “acreditar que o que faço, tem que ir ao encontro do que penso”.
Isso é o ser feliz, fazer o que se gosta, sentir prazer na «viagem”.

Ser o melhor deu muito trabalho

“É uma emoção muito grande ouvir o Hino Nacional. É um orgulho muito grande. “, comentou Telma Monteiro.
Naquele instante “passa tudo pela cabeça, o que tivemos que passar para chegar até ali, saber quão dificil foi, e sentir que foi feito o melhor para sermos os melhores.
“Ser o melhor deu muito trabalho.”, disse. Escuta-se o hino e pensa-se que se fez tudo que tinha ser feito para chegar até aqui - “è uma emoção muito grande”.
E foi uma emoção muito grande aquela conversa, hoje, pela manhã, ali, no Auditório da Escola secundária de Santo André – uma lição de vida!

António Sousa Pereira

05.05.2021 - 18:48

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