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Apresentação do livro – “Elas estiveram nas prisões do fascismo»
33 mulheres do Barreiro presas pela PIDE

Apresentação do livro – “Elas estiveram nas prisões do fascismo»<br />
33 mulheres do Barreiro presas pela PIDE . Estas mulheres fazem sentir orgulho pelo Barreiro e suas lutas pela Liberdade e Democracia

Conceição Matos, sublinhou que este livro é importante porque contribui para – “resgatar de um relativo esquecimento o papel das mulheres na resistência antifascista”.

Rosalina Carmona, historiadora, recordou que é possível identificar um total de 33 mulheres presas politicas, sendo 25 do Barreiro, e, outras 8 mulheres, não sendo do Barreiro, aqui trabalhavam ou aqui residiam.

No Sábado à tarde, no Jardim de «Os Franceses», num clima ameno, com uma organização apostada em cumprir as regras determinadas pela Direcção Geral de Saúde, foram algumas dezenas de pessoas que marcaram presença na apresentação do livro – “Elas estiveram nas prisões do fascismo”, uma obra editada pela URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses, que segundo sublinhou a historiadora Rosalina Carmona, divulga – “o único levantamento feito até ao momento das mulheres presas no nosso país”, que será “uma referência para o trabalho futuro” quando se desenvolverem estudos sobre a intervenção da “mulher na resistência ao fascismo”.
Rosalina Carmona salientou que esta obra é “uma homenagem a todas as mulheres que lutaram e sofreram nas prisões”.

A mulher era reduzida a fada do lar

Ana Pires, da URAP, recordou que nesta obra estão referenciadas mulheres do Barreiro, como Ercilia Talhadas, que foi presa grávidas de 3 meses, ou Apolónia Teixeira, que tinha uma criança bebé.
O livro é uma denúncia da repressão exercida sobre as mulheres portuguesas, uma homenagem à luta que travaram pela democracia, um livro que dá a conhecer as situação de desigualdade da mulher na legislação do regime fascista e a sua subalternização perante o marido – “a mulher era reduzida a fada do lar”, disse.
Recordou que a legislação sobre a mulher no regime fascista foi um retrocesso em relação ao Código Civil de 1867.

Mulheres viveram situações de tortura

Rosalina Carmona, salientou que esta obra permite conhecer as lutas das mulheres em Portugal, por politicas socias e pela paz no mundo, as participações como candidatas pela Oposição Democrática.
No livro há registo de diversas situações como uma enfermeira que foi expulsa da profissão, por ter casado sem autorização do estado.
São registadas situações de mulheres que viveram situações de tortura, de incomunicabilidade, em Caxias, no Aljube, em Peniche, em Angra do Heroísmo ou em Delegações Distritais da PIDE.
“Só o 25 de Abril acabou com este pesadelo”, sublinhou.

Mulheres que são um orgulho para o Barreiro

A historiadora recordou que neste livro faz um levantamento dos registo mulheres presas, em Portugal, entre 1934 e 1974, num total de 1755 mulheres das mais diversas profissões e classes sociais.
É possivel confirmar 25 nomes de mulheres do Barreiro, mas, salientou que nas memórias da “história local” há o registo de muitos nomes de mulheres, que não tendo sido presas foram resistentes e lutadoras antifascistas, resistindo enquanto seus maridos estavam presos.
Rosalina Carmona, acrescentou que, no entanto, é possivel identificar um total de 33 mulheres presas politicas porque há mais 8 mulheres, que, não sendo do Barreiro, aqui trabalhavam ou aqui residiam.
No decorrer da sessão foram lidos, uma a uma, os nomes e profissões de todas as 33 mulheres do Barreiro que sofreram a prisão, a humilhação e torturas pela Policia politica do regime fascista.
“Estas mulheres fazem-nos sentir orgulho pelo Barreiro e das suas lutas pela Liberdade e Democracia”, sublinhou Adelaide Sarmento.

A última mulher a sair da cadeia antes do 25 de Abril

Apolónia Teixeira, ex- Deputada da Assembleia da República eleita pelo PCP, salientou que este reconhecimento do papel politico da mulher na resistência ao longo da ditadura fascista – “é um testemunho que tardava”.
Referiu que a mulher teve um contributo na história da resistência mas – “foi esquecida”.
Apolónia Teixeira, recordou que houve mulheres que não foram presas que tiveram um papel destacado na resistência e olhando para os presentes na sessão destacou alguns nomes de mulheres barreirenses, ali, presentes que deram um importante contributo para a democracia, no apoio a familias de presos politicos, destacou o nome de Cecilia Areosa Feio.
Recordou os dias de luta, jovem estudante, quando a politica investia, batia, prendia, os estudantes, apenas porque queriam ter uma associação ou melhores condições na cantina.
“Na prisão, nos interrogatórios os PIDES procuravam humilhar as pessoas, agredir e destrui-las psicologicamente, ferir a dignidade”, disse.
Recordou quando foi presa que obrigaram-na a estar de pé e nua – “estive de pé e de cabeça erguida”.
“Fui a última mulher a sair da cadeia antes do 25 de Abril, sai da prisão no dia 24 de abril”, recordou.

A batalha pela memória não é um problema do passado

Conceição Matos, Deputada da Assembleia Constituinte, distinguida com o Galardão «Barreiro Reconhecido», na área da Resistência Antifascista, sublinhou que vivemos tempos que vão ficando distantes da memória, dos dias da resistência e luta pela Liberdade, e, muitos ignoram que a Liberdade foi conquistada com muitos sacrificios.
Conceição Matos alertou para o facto de nos tempos actuais existir uma “propaganda de branqueamento do fascismo”, e, por essa razão, sublinhou que – “a batalha pela memória não é um problema do passado”, é preciso valorizar o papel da resistência e não esquecer que muitos deram os melhor das suas vidas na luta pela Liberdade e Democracia.
Referiu que o Barreiro é uma terra símbolo da resistência e Liberdade.
Neste contexto, Conceição Matos, sublinhou que este livro é importante porque contribui para – “resgatar de um relativo esquecimento o papel das mulheres na resistência antifascista”.
“Foi aqui no Barreiro, num ambiente de resistência e luta que formei a minha consciência politica”, disse.
Recordou que várias mulheres do Barreiro optaram pela luta clandestina, e fizeram desta terra um baluarte da resistência e Liberdade.
Conceição Matos referiu, diversas lutas que ficaram inscritas na história do Barreiro, as lutas do 1º de maio de 1962, com a GNR a cavalo a reprimir nas ruas; o 3 de Maio de 1970, no “Largo da Santa”, em protesto contras as prisões de barreirenses; o 5 de Outubro de 1968
Evocou o nome de Albina, que naqueles “dias obscuros” não resistiu à violência e brutalidade da politica politica – “e suicidou-se”, disse.

A encerrar a sessão foi vivido um momento musical com a voz melódica e terna de VALU, artista barreirense.

S.P.

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20.07.2021 - 19:17

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