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Património Industrial um elemento de diferenciação
Uma marca da singularidade do Barreiro na região e no país

Património Industrial um elemento de diferenciação<br />
Uma marca da singularidade do Barreiro na região e no país<br />
Ano 2021. Outubro, dia três. Uma manhã de domingo, daqueles que anuncia o Outono, que apetece ficar em casa, mas, a opção tinha sido tomada antes, participar na visita guiada ao património do Parque Empresarial do Barreiro, promovida pela Baía do Tejo, no âmbito das Jornadas Europeias do Património.

Lá estava a Núria Cambalhota, Técnica do Museu Industrial da Baía do Tejo, sorridente e com a sua simpatia, recebendo e confirmando as inscrições. Os visitantes entravam e ficavam a observar as memórias, muitas memórias, que enchem aquele espaço museológico, no centro do complexo industrial, com uma dimensão estruturante cosmopolita.

A visita começa, ali, ao lado de Alfredo da Silva, numa viagem que, passo a passo, Núria Cambalhota, foi dando a conhecer a história e memórias daquele que foi o maior complexo industrial da Península Ibérica e o quarto maior complexo industrial da Europa.
Aquele território que, recordou, era visitado por empresários oriundos de vários pontos do mundo para conhecer e estudar esta experiência e realidade económica e social, criada por um homem chamado Alfredo da Silva, que, este ano assinalou os seus 150 anos de vida, efeméride que passou ao lado da vida da comunidade.
Um complexo industrial que trouxe consigo famílias oriundas do Alentejo que criaram raízes no Barreiro, na Baixa da Banheira, ou outros, oriundos das beiras, gerações após gerações, que forjaram uma comunidade que se cruzou com mas raízes corticeiras e ferroviárias, e, consolidaram aquele orgulho de dizer: Sou do Barreiro.

Conhecemos a obra industrial e a obra social – da Cantina, pioneira de modernidade comercial, ao Grupo Desportivo.
Viajamos pela zona Têxtil, onde a mulher era a maior força de trabalho, porque era mão de obra mais barata, viajamos por laboratórios, Posto Médico, a Maternidade – “para reduzir a mortalidade infantil”, os Bairros Operários, pela Casa da Cultura. Recordamos os dias de poluição, que marcava o quotidiano da vila operária. Outros tempos.

E fomos conhecendo as marcas inscritas no território que nasceu CUF em 1907, tornou-se Quimigal, nos anos 70, e Parque Empresarial da Quimiparque, em 1989,sendo, desde 2008, parte integrante da Baía do Tejo, nascida no âmbito da estratégia da valorização do conceito Arco Ribeirinho Sul.

Um visitante perguntou-me : “É do jornal Rostos?”. Sim, respondi. “Olhe estou aqui porque li no jornal que havia esta visita. Vocês fazem um bom trabalho”. Agradeci a referência.
Trocamos outras palavras. Aquelas que fazem a vida.
Entre os visitantes, está Madalena Alves Pereira. Conversamos, sobre a importância do património industrial e a sua mais valia para marcar a identidade do concelho do Barreiro.
Referiu que leu a noticia da visita no jornal «Rosto» e, de imediato marcou, partilhando esta manhã com os seus filhos – “è importante que eles conheçam esta história do Barreiro”.

No meio da nossa conversa, marcada de um grande entusiasmo onde está inscrito aquele sentimento de amor à terra que se inscreve no tempo que vivemos. Comentamos, que é preciso conhecer para amar.
Recordamos aquela viagem de comboio que num dia distante, quando ela assumiu na vereação o pelouro da cultura, numa celebração destas efemérides, foi promovida uma visita às fábricas com partida de comboio da Estação do Barreiro Mar.
“Nunca tinha entrado na fábrica de comboio”, disse-lhe, e acrescentei que, “aquela visita foi uma marca histórica que deu o sinal de abertura do parque industrial à cidade”.

Quando falávamos de Alfredo da Silva, um visitante interroga sobre o clima de repressão que existia sobre os trabalhadores.
Fala-se das greves. E fala-se até que a instalação da GNR no território da fábrica, até, nem foi no tempo de Alfredo da Silva. Essa uma realidade repressiva tem a ver com época com o país, com o regime, e, tudo isso faz parte da história desta comunidade. O amor á liberdade. Uma cidade de trabalho. Uma cidade de resistência. Um Alfredo da Silva que deseja que os seus restos mortais fiquem nesta terra, onde ele construiu um império de referência. Esta é uma história linda e única de uma comunidade, que, hoje, dia 3 de Outubro de 2021, revivi numa visita apaixonante.

Ah, é verdade, até falámos dos leões que foram roubados no Mausoléu de Alfredo da Silva, esse mito urbano. Leões que nunca existiram, os leões que existiram, estão lá, naquele monumento épico que é um ex-libris que eterniza a história de um homem à história de uma comunidade, ao lado do Bairro Operário, ao lado das bancadas do Campo de Futebol de Santa Bárbara, ao lado do Refeitório 3, ao lado e no centro que abre o caminho para o centro do Barreiro, aquela Alameda da Rua da União, onde se ergue sublime o maior mural do Vhils, que tem o seu estúdio no território da Baía do Tejo.
É nesse centro que se toca o passado, o presente e um futuro por reencontrar num território que é, pode ser, a maior âncora de desenvolvimento do concelho do Barreiro.

A minha filha Marta, acompanhou-me na visita, e, em resposta à minha pergunta : Gostaste da visita?
Refere que já conhecia o Museu e, até, aqueles espaços do Bairro Operário, mas fazer esta visita e escutar toda a informação que foi sendo transmitida permitiu-lhe ter outra visão e sentir de outra forma a importância daquele território e a sua história na história do Barreiro.

De referir que esta iniciativa da Baía do Tejo se insere na estratégia de valorização do seu património e na aposta de manter como visão de desenvolvimento a vertente das indústrias criativas e do conhecimento, como factor de diferenciação de um território com história e com memória que, nos dias de hoje, conta com mais de 200 empresas instaladas.
Numa nota da Baía do Tejo, sobre o objectivo desta visita refere-se que, o que marca o património industrial da Baía do Tejo no Barreiro é a sua diversidade. O conjunto de imóveis, classificado recentemente pela DGPC, é a prova da sua singularidade e importância na história da indústria do nosso país. Conhecer parte deste património vai permitir observar as transformações operadas no território ao longo do tempo, permitindo testemunhar a sua identidade e o impacto que teve na comunidade, onde se juntam agora o passado e o presente”.
Foi esse encontro que nos foi proporcionado, hoje, dia 3 de Outubro de 2021, com a vista ao Mausoléu de Alfredo da Silva, ao Mural de Vhils, ao Bairro Operário de Sta. Bárbara e ao Museu Industrial.

Uma nota final se quiser visitar o Museu Industrial marque previamente. Contactos para inscrições: 212067709 / 937681240 / museuindustrial@baiadotejo.pt

Obrigado pela iniciativa, foi uma forma agradável de viver as Jornadas Europeias do Património. Afinal este foi o quarto maior complexo industrial da Europa.

António Sousa Pereira

03.10.2021 - 14:51

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