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Gouveia e Melo apresentou a livro «1821 - o regresso do Rei»
D. João VI o rei que venceu Napoleão

Gouveia e Melo apresentou a livro «1821 - o regresso do Rei»<br />
D. João VI o rei que venceu Napoleão<br />
. D. João VI é um rei injustiçado na nossa historiografia

A apresentação oficial do livro «1821 - o regresso do Rei», do jornalista e escritor do Barreiro, Armando Seixas Ferreira, decorreu ontem, na Sala D. Luís, no Palácio da Ajuda, em Lisboa.
A obra foi apresentada pelo Vice-Almirante Gouveia e Melo, que considerou ser “um livro extraordinário”, com “rigor histórico” e “cheio de detalhes que prendem a leitura”.

O Vice-Almirante Gouveia e Melo sublinhou que leu o livro em quatro noites, sendo forçado a parar a leitura, para descansar, para fazer face às suas obrigações profissionais. mas parava com vontade de continuar a leitura, porque é uma prosa escorreita, com estilo jornalístico mas com rigor histórico, cheia de detalhes interessantes que prendem a leitura.

Derrota politica fortíssima a Napoleão

Recordou que o livro descreve um período critico da partida do rei para o Brasil, um rei que tem uma reputação que não lhe dá o seu verdadeiro valor, porque foi o rei que conseguiu impor uma derrota politica fortíssima a Napoleão, num momento em que sofria uma derrota militar.

Pela primeira vez na história esta estratégia da fuga em profundidade

Gouveia e Melo salientou que D. João VI era um rei austacioso, inteligente, que percebeu uma coisa, que só muito mais tarde, os estrategas vieram a escrever a chamada «profundidade do território», ele usou o Oceano e o Brasil, para defender a nação, usando toda essa profundidade e recuando para um ponto, em que depois podia recuperar outra vez a independência, fazendo com isso, pela primeira vez, o estabelecimento de um reino europeu no Brasil.
Sublinhou que esta mesma estratégia, sem saberem um do outro, foi usada em simultâneo, contra Napoleão, pelo Czar da Rússia, que fez recuar para as estepes russas os seus exércitos, de forma que Napoleão tivesse uma linha logística muito prolongada e o inverno viesse dar a machadada final, aos exércitos napoleónicos.
“Pela primeira vez na história esta estratégia da fuga em profundidade, ou recuo em profundidade, que é muito melhor que uma fuga, porque isto não foi uma fuga, foi uma estratégia muito bem pensada”, disse o Vice-Almirante Gouveia e Melo.

D. João VI antevê a independência do território do Brasil

O Vice-Almirante Gouveia e Melo salientou que D. João VI antevê a independência do território do Brasil e mantém conversas interessantes com o seu filho D. Pedro, antes disso acontecer, há relatos interessantes neste livro que demonstram isso, disse.
Referiu que esta obra que descreve a viagem de regresso de D.João VI, é rica em pormenores, que nos transportam à época, que mostram a vida de bordo, dos navios à vela da Marinha Real Portuguesa, no fim do século XVIII, inicio do século XIX.
“É curioso que nos relatos, eu que sou marinheiro, que vivi a minha vida operacional no mar, noto nestes relatos, coisas que influenciam, ainda hoje, a nossa cultura marítima, e as nossas regras e as nossas operações diárias a bordo”, salientou.

D. João VI é um rei injustiçado na nossa historiografia

O Vice-Almirante Gouveia e Melo, sublinhou que esta obra proporciona um conhecimento do ambiente politico da época, o ambiente do país no regresso do rei, dá um relato da vida nas cortes, e como as Cortes vão influenciar a independência do Brasil.
Salientou que D. João VI é um rei injustiçado na nossa historiografia, não sendo valorizada a sua inteligência, o seu bom senso para vencer as dificuldades.
“Foi o rei que venceu Napoleão”, disse, sublinhando que - “este não é um rei fraco”.

Um trabalho feito com prazer

Armando Seixas Ferreira, recordou que ter partilhado vivências no mar com o Vice-Almirante Gouveia e Melo, proporcionou-lhe uma lição sobre a vida no mar, e passou-me o gosto pela vida no mar.
Salientou que este livro foi um trabalho feito com prazer, criando uma narrativa jornalística, após investigação de muito documentos.
Referiu que muito tem sido dito sobre a ida do rei D. João VI para o Brasil, mas não se fala no seu regresso, um regresso que acontece ao mesmo tempo que Napoleão morria, e, o rei de Portugal regressava em apoteose.

O gosto pela história de Portugal

O Salão D. Luis, estava cheio, muitos amigos, muitos amantes da história, alguns barreirenses, como Patrícia Gaspar, ali estiveram a partilhar com Armando Seixas Ferreira – “o gosto pela história de Portugal”.

António Sousa Pereira


Sinopse de 1821 O Regresso do Rei:
Um relato empolgante sobre a viagem de regresso do rei D. João VI a Portugal.

A 26 de abril de 1821, uma esquadra de 12 navios chefiada pela nau D. João VI partia do Rio de Janeiro, com três a quatro mil pessoas a bordo, rumo a Portugal. Era o regresso do monarca a Lisboa depois de quase 14 anos de ausência no Brasil. Partia em lágrimas, ali vivera os dias mais felizes da sua vida. Para trás deixava o filho D. Pedro dizendo: «Antevejo que o Brasil não tardará a separar-se de Portugal. Neste caso, antes quero que tomes a coroa para ti do que vê-la passar da Casa de Bragança para as mãos de algum aventureiro.»
Se a dramática partida da corte para o Brasil em 1807 é amplamente conhecida, pouco sabemos sobre esta viagem de regresso. O jornalista Armando Seixas Ferreira consultou diários de bordo, documentos da época e fontes inéditas, para nos trazer um relato empolgante sobre a vida da corte em terras de Vera Cruz, esta viagem náutica de 68 dias, e traçar um retrato de todo este período épico da nossa História que culmina com a Independência do Brasil, em 1822.

A 3 de julho de 1821, D. João VI chega finalmente a Lisboa. Visivelmente emocionado, vestido de gala, é recebido com entusiasmo e aplausos pelo povo e pelos deputados que lhe oferecem um exemplar da Constituição. Portugal tinha mudado, no horizonte aproximava-se a guerra civil e D. João VI não voltaria a encontrar a paz e tranquilidade que sentiu no Brasil.

Editorial: Planeta
Tema: História
Coleção: PLANETA PORTUGAL

Formato único
Capa Mole com Badanas
17.50 €
O livro estará nas livrarias dia 28, mas já pode ser adquirido nos sites da Bertrand, Fnac, Wook e planetadelivros.pt

O autor - Armando Seixas Ferreira

ARMANDO SEIXAS FERREIRA, nasceu no Barreiro a 16 de maio de 1973. Integra desde 2015 a equipa do Linha da Frente, o programa de grande reportagem da RTP1. Licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade Autónoma de Lisboa, em 1996.
Frequentou um curso de língua Árabe na Faculdade de Letras em 2011. Estudou História da Arte e concluiu uma Pós-Graduação em Mercado da Arte e Colecionismo na Universidade Nova de Lisboa em 2018.

Entre 1993 e 1996 trabalhou no Jornal do Barreiro. Entre 1995 e 1998 integrou a redação do jornal Público na secção Local. Em televisão começa por trabalhar, em 1998, na redação do Telejornal, onde se especializa na área da Defesa, Política e Sociedade. Em 2003 é enviado especial à guerra do Iraque, a bordo do porta-aviões americano Theodore Roosevelt e a Nassíria junto do contingente português.

Assinou várias reportagens na Bósnia, Kosovo, Líbano, Timor, Indonésia, Colômbia e Afeganistão. Colaborou com a estação de televisão árabe Aljazeera. Em 2006 venceu o Prémio Nacional de Paridade de Jornalismo com a grande reportagem Mulheres à Prova de Bala, que retrata a vida das paraquedistas portuguesas no Kosovo.

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13.10.2021 - 00:28

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