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Rui Moreira, Presidente da Câmara Municipal do Porto
D. João VI é uma figura eminente na nossa história e acima de tudo um patriota

Rui Moreira, Presidente da Câmara Municipal do Porto<br />
D. João VI é uma figura eminente na nossa história e acima de tudo um patriota<br />
Rui Moreira sublinhou que a saída de D. João VI de Portugal foi “precipitada” pela aproximação das tropas napoleónicas, debaixo de uma ameaça que o rei não podia aceitar, porque o ficar era a subordinação de Portugal a Napoleão.
“O rei sabia que ficando deixaria de ser rei e Portugal poderia ter deixado de ser Portugal, se o rei nessa altura não tivesse partido”, disse.

Na Biblioteca Municipal do Porto decorreu, no passado dia 22 de Novembro, uma sessão de apresentação do livro do jornalista da RTP, Armando Seixas Ferreira, «1821 - O Regresso do Rei», que foi apresentado por Rui Moreira, Presidente da Câmara Municipal do Porto.

200 anos da independência do Brasil

Carla Lima, da Editora Planeta, na abertura da sessão recordou que esta livro – “conta uma história que até hoje tinha ficado o esquecimento”, porque “pouco se conhecia da viagem do regresso” de D. João VI.
Salientou a importância e a actualidade da publicação desta obra, neste ano que são assinalados 200 anos do regresso da Corte do Brasil, e o facto de no próximo serão assinalados os 200 anos da independência do Brasil.

Porto cidade berço da revolução liberal

Armando Seixas Ferreira, referiu que – “é uma honra apresentar o livro no Porto” a cidade berço da revolução liberal que pôs fim ao absolutismo e abriu no país o caminho para um rei constitucional.
Recordou que a sua motivação para escrever sobre a viagem do regresso do rei D. João VI, por sentir que existia um vazio e que o regresso do rei estava pouco aprofundado.
Salientou que ao encontrar dois diários de bordo de navios que integraram a frota, sentiu-se a navegar e decidiu ser – “um jornalista em viagem no tempo”, e perceber como era a vida a bordo e sentir o estado de espirito do rei D. João VI, nesta viagem de regresso após 14 anos.
Referiu que procurou escrever de forma a que o leitor pudesse sentir-se uma viajante.

Importante contributo para a conquista da paz na Europa

Armando Seixas Ferreira, exprimiu a opinião que a imagem que a história nos transmite de D. João VI – “está muito deturpada”, porque, “foi alvo da propaganda de Napoleão”.
O jornalista sublinhou que a ida da Corte para o Brasil “não foi uma fuga, foi uma decisão estratégica”, que foi definida pelo Almirante Galvão e Mello, como “estratégia de profundidade territorial”.
Referiu que D. João VI deu um importante contributo para a conquista da paz na Europa e derrota de Napoleão.
O rei viveu no meio de jogos, viveu “contra tudo e contra todos”, e de tudo saiu vitorioso – “foi o rei certo, no momento certo”.

Experiências de navegar que vinham dos tempos do Fenícios

Rui Moreira, Presidente da Câmara Municipal do Porto, começou por referir que gosta da arte de navegar e este livro é muito interessante para quem gosta do mar, para quem compreendo o mar, porque não sendo um diário de bordo, contem elementos muito importantes daquilo que eram os diários de bordo.
Referiu que hoje não temos a noção exacta do que era navegar nessa época, num tempo que o tempo era completamente diferente, com falta de informação, não era a náutica, era um tempo que não havia radares, nem rádios, mas que tinham experiências de navegar que vinham dos tempos do Fenícios, por isso sabiam navegar por águas desconhecidas.
O saber que se estava próximo de terra, quando viam pássaros, sabiam o que ia acontecer com o tempo, não tinham era informação – “este livro relata-nos de forma magistral esse tempo”.

Daqui a 100 anos as pessoas recordar-se-ão de Pedro Baptista

Rui Moreira, recordou os dias de Fevereiro de 2020, no dia 20, quando abriu a «Exposição 1820 – a revolução liberal no Porto», que era o ponto de partida de um amplo e ambicioso programa de comemorações do bi-centenário da Revolução, promovido pelo município do Porto em colaboração com vários parceiros institucionais.
Nesse dia notámos que o Comissário Geral “estava atrasado” – “o Pedro Baptista tinha morrido nesse dia”.
Há alguma coisa de trágico nestas histórias, mas estas histórias ficam, tenho muita pena que o Pedo não pudesse ter inaugurado essa exposição, um projecto que o envolvia, mas ficam estas coisas e – “daqui a 100 anos as pessoas recordar-se-ão que Pedro Baptista morreu naquele dia”, por essa razão, deixou uma palavra sentida a Pedro Baptista.

1820 - Foi celebrado no Porto devia ter sido celebrado no Parlamento Nacional

O presidente da Câmara Municipal do Porto a propósito do programa das comemorações da revolução de 1820, com debates, concertos, exposições, aberta à cidade, um Congresso Internacional, iniciativas, que pela intenção do seu Comissão Geral, deviam convocar á intervenção civica e critica dos cidadãos no contexto da nossa contemporaneidade.
Recordou que em 18 de março de 2020, o Presidente da República decretou o «Estado de Emergência» e o programa que se deveria desenvolver até ao final desse ano foi interrompido, depois da Assembleia da República ter ignorado as celebrações de 1820.
“Foi celebrado no Porto, mas devia ter sido celebrado no Parlamento Nacional, e não foi, e não foi por falta de avisos, de facto continua a se difícil quando alguma coisa boa acontece no Porto, mesmo passados 200 anos, não ser reconhecida ou celebrada, coisa que não é menor”, disse Rui Moreira.

Revolução lançou as bases para a futura instalação de um Estado de Direito

Salientou que a pandemia que mudou o mundo, com consequências, ainda hoje, são difíceis de discernir, com total clareza, podemos de novo viver no espaço público – “não sei por quanto tempo, acho que se estão a preparar para nos fecharem outra vez.”
Recordou o espirito reformista que animou os revolucionários de 1820, a clarividência de propósitos, a capacidade de planeamento, são ainda hoje exemplares e inspiradores.
A revolução lançou as bases para a futura instalação de um Estado de Direito, regido por uma Constituição, o advento da Res- publica, da coisa do povo, ou, a coisa pública.

D. João VI um rei cuja memória e imagem é preciso reabilitar

Rui Moreira, salientou que o livro de Armando Seixas Ferreira, apresentado, quase um ano e meio depois da apresentação do livro –“ 1820 – Revolução Liberal do Porto – 200 anos”, de José Manuel Lopes Correia, (presente na sala), estabelece um complementar traço de união entre estas duas datas históricas.
Recordou que a obra de Armando Seixas Ferreira escrita a pretexto da viagem de regresso, após 14 anos de exilio no Brasil – “dá-nos um suculento retrato de D. João VI”, um rei cuja memória e imagem “é preciso reabilitar”.
Sublinhou que o livro apresenta o rei como um sagaz estratega, um politico que conseguiu através de uma decisão radical e visionária, conseguiu “proteger Portugal da invasão francesa”, com realizar uma operação inédita de transladar a Corte para o Brasil e estabelecer a capital de Portugal no Rio de Janeiro, regressando a Portugal após a Revolução Liberal para unir o país, aclamado como herói nacional.
“Escrito como um verdadeiro cronista, esta história de Armando Seixas Ferreira, contribui para aproximar o leitor comum, não especializado, na narrativa histórica, cativando”, disse.
“Espero que saia daqui um filme, porque merece um filme”, afirmou.

O rei sabia que ficando deixaria de ser rei e Portugal

Rui Moreira sublinhou que a saída de D. João VI de Portugal foi “precipitada” pela aproximação das tropas napoleónicas, debaixo de uma ameaça que o rei não podia aceitar, porque o ficar era a subordinação de Portugal a Napoleão.
“O rei sabia que ficando deixaria de ser rei e Portugal poderia ter deixado de ser Portugal, se o rei nessa altura não tivesse partido”, disse.
Recordou aos que criticam a partida do rei, que o Czar da Rússia não fugiu mas mandou incendiar Moscovo.
“Nós não tivemos que incendiar Lisboa. Esta é a maior homenagem que posso fazer a um rei que, na altura própria, decidiu que ir para o Brasil, garantia a esperança a Portugal, que, um dia, Napoleão viesse a ser derrotado”, afirmou.

Portugal transformou-se num protectorado dos Ingleses

O presidente da Câmara Municipal do Porto, recordou que D. João VI foi aclamado na sua chegada ao Brasil, e ele ficou surpreendido, porque a sociedade brasileira era mais cosmopolita, do que a sociedade portuguesa da época.
Referiu quando os franceses foram derrotados e saíram de Portugal – “nós pagamos um preço terrível”.
“Portugal transformou-se num protectorado dos Ingleses”, disse.
Referiu que dos tempos da invasão francesa há muito que ainda é desconhecido, porque na época houve quem considerasse que existia algum modernismo nas invasões francesas, depois tivemos a submissão aos ingleses.
“Os portugueses perderam o que era fundamental para Portugal, principalmente para as gentes do norte, que era o controle dos portos do Brasil”, referiu.

Regresso a Portugal iria implicar a independência do Brasil

Rui Moreira, sublinhou que D. João VI, percebeu que o seu regresso a Portugal iria implicar a independência do Brasil.
O Brasil tendo a capital, podia ser hoje Portugal, e, Portugal ser uma colónia inglesa, sublinhou.
“É por isso que considero que D. João VI é uma figura eminente na nossa história, e, acima de tudo um patriota”, disse.
A finalizar salientou, para aqueles que acreditam no Iberismo, uma das razões porque os franceses chegaram a Portugal tão depressa, foi porque os espanhóis queriam, por intermédio deles tomar conta de nós – “para os que são Iberistas” – registe-se que D. João VI saiu daqui porque os espanhóis tomassem Lisboa e eles tomassem conta de nós – “isso não aconteceu”.

António Sousa Pereira

25.11.2021 - 01:07

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