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reportagem

Colóquio dos Jovens Filósofos
Na democracia “o que conta é o voto das maiorias” e “os menos representados são fragilizados”.

Colóquio dos Jovens Filósofos<br />
Na democracia “o que conta é o voto das maiorias” e “os menos representados são fragilizados”.<br />
O Colóquio dos Jovens Filósofos é, anualmente, um ponto de encontro com o trabalho de abordagem da Filosofia, ligando a filosofia à vida e a vida à filosofia.
Do pensar se o robot não tem emoções, à necessidade de pensar que a mudança sobre o pensar a igualdade de género começa na educação, ou reflectir sobre a eutanásia, também sobre sexualidade e a mudança do paradigma do amor, ou a falta de igualdade que existe na democracia. Uma tarde de pensar e sentir.

Na Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, ontem durante todo dia, realizou-se o 14º COLÓQUIO DOS JOVENS FILÓSOFOS, este ano como tema: “Ser um ser. Ser agora. Ser sempre um ser humano”.
Eeste evento é uma organização da Escola Secundária de Casquilhos, com a Coordenação: Prof.ª Maria Emília Palma Santos, sendo, sem dúvida, uma marca da cultura da comunidade educativa do concelho do Barreiro.

O robot não tem emoções

Não acompanhamos todo o programa, na nossa passagem pelo Colóquio tivemos oportunidade de assistir à intervenção de Guilherme Reguengos, aluno da ESC -Escola Secundária de Casquilhos, que a partir de uma reflexão com base n obra «Ética no Mundo Real», Peter Singer, colocou a pergunta – Será a robótica sempre um aspecto positivo?
Guilherme Reguengos, recordou que remonta aos tempos da Grécia antiga, a vontade de construi “uma máquina que conseguisse imitar os comportamentos humanos”, sublinhando que até ao século XIX – “foi uma ideia que não passou de uma ideia”.
Referiu que foi no século XX, em 1948, que foi construído o 1º robot, e, disse, desde então “a evolução robótica” tem vindo a continuar “e não é possível dizer até onde vai continuar”, de tal forma que “pode tornar-se um presente envenenado para a humanidade”
Guilherme Reguengos na sua dissertação, recordou problemas diversos que são colocados com a evolução da robótica e da IA – inteligência artificial, referindo que o ser humano tem livre arbítrio, mas um computador não tem livre arbítrio – “o robot não tem emoções”.
Na sua opinião a robótica pode ter aspectos positivos e negativos, pode ser a causa da perda de milhares de empregos, alertou para a necessidade do homem tomar as rédeas da evolução tecnológica, e referiu as teorias da “singularidade” que perspectiva o perigo dos robots se transformarem nos donos do mundo.

A mudança da sociedade é mudança na educação

Ana Teresa Cordeiro e Mariana Correia, da ESC, com base na obra «Uma Vindicação dos Direitos da Mulher», de Mary Wollstonecraft, colocaram a pergunta: Será que a educação é a solução para a desigualdade de género?
Recordaram que a autora viveu no período da revolução francesa, tendo sido a primeira filosofa feminista, criticando as posições, com origem em textos biblicos que colocam a mulher em segundo plano e que foi criada inferior ao homem.
Ana e Mariana sublinharam que a virtude é universal, por essa razão as pessoas são virtuosas de igual forma, devem ter a mesma liberdade, o homem e a mulher são seres racionais – “as diferenças físicas não alteram as suas capacidades racionais”.
Salientaram que a mulher sofre durante toda a vida violência física e mental, devido a comportamentos que são moldados pela sociedade, e alertaram que - “enquanto existirem grupos oprimidos não haverá liberdade”.
“A mudança da sociedade é mudança na educação”, afirmaram, por essa razão defenderam a importância de na escola existir “educação para a igualdade”, é preciso educar o homem e a mulher – “como seres iguais”.

Eutanásia a realizar-se devia ser concretizada com segurança e assistida

Jéssica Alves, Leonor Alberto e Marta Barão, da ESC, abordaram a obra «Homo Ignarus, Ética Racional para um Mundo Irracional», de Steven S. Gouveia.
Como é vista a eutanásia aos olhos da doutrina convencional ?, foi a interrogação que motivou a intervenção deste trabalho de grupo.
Reflectiram sobre a morte e o sofrimento, questionaram a legitimidade da eutanásia como opção para que cesse o sofrimento – “a morte pode não ser um mal só por si”, se a alternativa for viver a vida em sofrimento e agonia.
Recordaram que a eutanásia em Portugal não é permitida, embora exista legislação diferente noutros países, e, reconhecem o facto de este sere um tema que coloca questões morais e religiosas, e afirmam que sobre esta matéria não são adeptas da doutrina comum do “sim ou não”.
Na intervenção finalizar perspectivando que devia existir a viabilidade de sentir e abordar as diferentes situações porque “cada caso é um caso”, e, consideram que, nestes casos, a eutanásia a realizar-se devia ser concretizada com segurança e assistida.

A grande viagem do ser humano é para dentro de si mesmo

Alicia Tavares, Catarina Rafael, Amélia Rocha e Leopoldina Silva, da ESC, abordaram a obra «Novas Formas de Amar», de Regina Navarro Lins.
As alunas salientaram que o “amor é uma construção social que muda em cada momento histórico” e, recordaram que existe uma mudança de paradigma em relação ao amor romântico, como o ideal de amor cortez ou o ideal de amor puro.
“O amor romântico é uma forma de amar idealizada”, é um amor de “perfeição”, que “não corresponde à realidade”, é “uma ilusão não existe”, porque “exige que ambos sejam um só” e “a pessoa do amor romântico é exclusividade”.
Sublinharam que a atração sexual que “nós sentimos não se foca só numa pessoa”, e, acrescentaram que a “a exclusividade hoje em dia está a desaparecer”.
“A grande viagem do ser humano é para dentro de si mesmo”, salientaram, e, “o maor romântico faz o oposto”.
Na intervenção apresentaram, como exemplo de reflexão, as relações de amor e as concepções filosófica sobre esta temática entre Jean Paul Sarte e Simone Beauvoir.

A falta de igualdade que existe na democracia

A finalizar assistimos á intervenção de Hugo Macedo, da ESC, que abordou a obra «Desobediência Civil», de Henry David Thoreau.
É legitimo desobedecer à lei legal? – foi o ponto de partida para sua reflexão.
Hugo Macedo, começou por sublinhar que existem lei injustas e que “nem todas as leis são injustas”.
Referiu que resistir a uma lei injusta “não é violar a lei” é recusar, uma lei que é injusta, recordando que foi essa a atitude de Henry David Thoreau, que recusou pagar um imposto do governo dos Estados Unidos, que se destina á guerra, como recusou pagar esse imposto que considerava injusto, foi preso e foi na prisão que escreveu o libro «Desobediência Civil», onde defendeu que o governo não pode legislar e com a lei fragilizar a consciência dos cidadãos.
Recordou que a obra de Henry David Thoreau influenciou as lutas de Gandhi e Martin Luter King, a luta de protesto pela não violência, a recusa pacifica de aceitar leis injustas.
Nesse sentido defendeu que é legitimo protestar contra o governo que não reflecte a nossa opinião, são protestos contra as injustiças, porque – “ser cidadão é cada um ser respeitado na sociedade”.
Outra abordagem de Hugo Macedo centrou-se na reflexão sobre a democracia, na qual as minorias são sempre prejudicadas, porque na democracia “o que conta é o voto das maiorias” e “os menos representados são fragilizados”.
Nesse sentido comentou a “a falta de igualdade que existe na democracia”, porque o sistema democrático não é totalmente defensor da “igualdade”, por essa razão defendeu a necessidade de aprofundar e melhorar o sistema democrático.
Hugo Macedo alertou que “a democracia muito frágil e pode ser destruída”, por essa razão, lançou o repto para cada um dar o seu contributo no aprofundar a democracia, porque “nós temos que ter uma individualidade na sociedade”.
“Todos os nossos actos são actos políticos”, disse, acrescentando - “não fazer nada é um acto político”.
E sublinhou que a cada um de nós compete não deixar que a nossa individualidade seja afectada pelo governo.

O Colóquio dos Jovens Filósofos é uma organização da Escola Secundária de Casquilhos, com Coordenação: Prof.ª Maria Emília Palma Santos e a participação de Professores orientadores dos trabalhos dos alunos: ESC – Prof.ª Maria Emília Palma Santos (Filosofia), Prof.ª Graça Carvalho (Filosofia), Prof. Laurindo Martins (Filosofia) e Prof.ª Helena Pereira (História). ESMC – Prof.ª Isabel Silva (Filosofia) e Prof. José Martinho (Filosofia)

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12.05.2022 - 18:39

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