reportagem
BARREIRO - Jornadas Europeias do Património no Arco Ribeirinho Sul
As fábricas são a arte da modernidade e a CUF é um exemplo
Sara Oliveira Ribeiro, Presidente do Arco Ribeirinho Sul, na conferência que decorreu no Museu Industrial, salientou a importância da identidade do lugar, o território industrial da CUF, como um legado da memória e de uma identidade, que é muito mais abrangente que o património físico – é uma memória colectiva do Barreiro.
No âmbito das Jornadas Europeias do Património, o Museu Industrial do Arco Ribeirinho Sul, ontem à tarde, recebeu a Conferência subordinada ao tema «Arte, Arquitetura e Urbanismo no Barreiro».
«Cidade dos Arquivos» exemplo único em Portugal
O evento foi moderado pelo historiador José Pacheco Pereira, fundador do Arquivo Ephemera, que, no começo sublinhou a importância do património industrial do Barreiro, uma cidade que nos anos 50 era a maior concentração industrial do país, salientando que a identidade do Barreiro é ligada à sua história industrial
Recordou que agora existe outra história a «Cidade dos Arquivos», “um exemplo único em Portugal, que une um conjunto de arquivos e instituições universitárias que colaboram em parceria”.
Recorde-se que o Projecto «Cidade dos Arquivos» tem por essência diversas entidades que estão instaladas no Parque do Arco Ribeirinho Sul no Barreiro.
Sensibilizar os mais jovens para estas questões
Arlete Cruz, Vereadora responsável pelas áreas do Património Cultural e Arquivo Histórico da Câmara Municipal do Barreiro, referiu a necessidade de sensibilizar a opinião pública para a importância da memória colectiva. O Património Arquitetónico, é o tema central das Jornadas Europeias do Património de 2025, neste contexto a autarca sublinhou que “a arquitectura, para além do seu carácter estético e funcional, tem atrás de si uma história”.
Arlete Cruz, sublinhou que o fundamental das diversas iniciativas que vão decorrer no âmbito da Jornadas Europeias do Património visam sensibilizar os mais jovens para estas questões que são importantes na nossa cultura.
Património Industrial parte da identidade do Barreiro
Ana Lourenço Pinto, autora do livro ‘Arte, Arquitetura e Urbanismo na Obra da CUF no Barreiro (1907-1975), na sua intervenção referiu a importância do Património industrial do Barreiro, não só construído, mas também o seu património social, “esse património industrial e social é parte da identidade cultural do Barreiro. Um património que é importante preservar.
Recordou que algum do património industrial da ex-CUf já está classificado como “património de interesse público”.
“Este é um património que pertence a todos. Todos devemos dar um contributo para o preservar”, disse.
Fábrica um caso de estúdio em História de Arte
A investigadora referiu que a empresa CUF teve sempre preocupações em dignificar o seu território, tinha interesse na sua arquitectura, para deixar uma marca da época em cada fábrica. Recordou que na fábrica cruza-se a engenharia com a arquitectura.
“Numa fábrica há sempre uma componente estética. A fábrica pode ser um caso de estúdio em História de Arte”, sublinhou.
Na sua intervenção recordou a existência de três bairros operários, e outros equipamentos existentes no tecido concelho do Barreiro, que contaram com o apoio da CUF.
Na sua opinião, o Barreiro está sempre em inovação e faz parte da História da Arte em Portugal.
Que quer ser o Barreiro? Qual o seu futuro?
Luís Pedro Cerqueira, Coordenador do Gabinete do Corredor Ecológico do Rio Coina da Câmara Municipal do Barreiro, fez uma abordagem do tema a Reabilitação Urbana e o Património.
Na sua opinião, esta temática tem que ser enquadrada no âmbito de uma visão estratégica acerca do futuro, nomeadamente - Que quer ser o Barreiro? Qual o seu futuro? O Barreiro e as chaminés o Barreiro? O Barreiro e sua paisagem? Como encara o Barreiro as influências das alterações climática no território?
Luis Pedro Cerqueira, considera que estas são matérias fundamentais para reflexão e para a definição de uma estratégia. Estes são temas prioritários na agenda politica do Barreiro, de forma a discutir-se o futuro, e ser elaborada uma Carta do Património, onde esteja inscrita uma estratégia para o património e ambiente.
Na sua opinião a estratégia que possa ser definida terá que ser sustentável, mesmo do ponto de vista do “negócio”, e, para tal tem que encontrar parcerias na construção civil.
Portugal pioneiro no estudo da reabilitação urbana
Na sua intervenção, Luís Pedro Cerqueira desenvolveu um amplo historial sobre a evolução dos conceitos em torno do pensar cidade e planeamento do espaço urbano, ao longo de diversos Congressos Internacionais.
Recordou que Portugal foi um país pioneiro, no estudo da reabilitação urbana, temática que contou na sua génese com os trabalhos realizados, no Algarve, pelo Arquitecto Cabeça Padrão, natural do Barreiro. Um tema fundamental para defender e reabilitar a paisagem urbana.
Recordou que o Arquitecto Cabeça Padrão celebrou o seu centenário, no mesmo ano que Alfredo da Silva. Uma oportunidade perdida para recordar o homem e a sua obra, que tem dimensão nacional.
As fábricas são a arte da modernidade
Raquel Medina Cabeças, investigadora de História da Arte e de Estudos de História Empresarial, fez uma reflexão sobre o tema a Arte, a Arquitectura e Património – a CUF e os engenheiros franceses no Barreiro. Recordou o contributo de diversos franceses que estiveram presentes, no arranque, em 1907, na construção das fábricas da CUF, no Barreiro, salientando particularmente Auguste Stinville.
Na sua intervenção referiu que, todos nós, viajamos, gostamos de visitar cidades, ver as catedrais, as igrejas, monumentos, e obras de artistas ao que chamamos património cultural.
“Se as catedrais são a arte da Idade Média, as fábricas são a arte da modernidade, e, a CUF é um exemplo dessa modernidade, a partir do início do seculo XX”, disse.
A CUF é um caso português e um caso europeu
Neste contexto, recordou o contributo de Alfredo da Silva que visitou fábricas no estrangeiro, na França e na Alemanha, e, vai trazer para o Barreiro o que aprendeu nessas visitas – “procurou o que era bem feito lá fora”, o que era construído ao nível do património industrial, para edificar no Barreiro.
Na sua opinião a CUF é um caso português e um caso europeu, porque, o nosso património é uma mistura de tecnicidade, de conhecimento português e estrangeiro – “é o grande modelo fabril do Barreiro”.
A investigadora, acrescentou que o património da CUF, não é só um património de pedra e ferro, é, também um património humano feito de memórias – as cidades operárias.
“Queremos que a CUF seja património vivo”, um património que vá do passado ao futuro, referiu.
“O património industrial é arte porque traduz criatividade humana, aplicada à técnica e à vida quotidiana”, disse.
Preservar a identidade do Barreiro.
Sara Oliveira Ribeiro, Presidente do Arco Ribeirinho Sul, salientou a importância da identidade do lugar, o território industrial da CUF, como um legado da memória e de uma identidade, que é muito mais abrangente que o património físico.
Neste contexto sublinhou a importância de preservar a memória das pessoas que por aqui passaram – um legado que é uma memória colectiva do Barreiro.
Defendeu que o património edificado da CUF deve ser preservado, com respeito pelo passado e como uma memória da cidade.
Na sua opinião, é importante “olhar para esta janela do passado, que ainda está presente na memória de todos”, e, nela preservar a identidade do Barreiro.
Visita guiada à Cidade dos Arquivos
No âmbito do programa das Jornadas Europeias do Património na Cidade dos Arquivos, com o tema “Património Arquitetónico: Janelas para o Passado e Portas para o Futuro”, durante o dia de ontem, realizou-se uma visita guiada à Cidade dos Arquivos.
A vista começou junto ao Mausoléu de Alfredo da Silva e foram efectuadas visitas ao Arquivo da Fundação Amélia de Mello, ao Colectivo SPA, ao PADA Studios, ao Museu Industrial do Arco Ribeirinho Sul, ao Espaço Memória, ao Clube Chapas, ao Arquivo Ephemera e ao Arquivo dos Portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra, findando com a visita à Exposição “As Minas na Cidade dos Arquivos”, uma homenagem ao Engenheiro Leal da Silva.
O programa das Jornadas Europeias do Património, no Barreiro, findou com o Sunset Archive Party, que decorreu na ADAO (Associação de Desenvolvimento das Artes e Ofícios).
S.P.
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20.09.2025 - 16:41
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