reportagem

BARREIRO - Tertúlias Augusto Cabrita «Do Cérebro à Educação»
Tecnologias contribuem para que o ser humano vá perdendo funções cognitivas

BARREIRO - Tertúlias Augusto Cabrita «Do Cérebro à Educação»<br />
Tecnologias contribuem para que o ser humano vá perdendo funções cognitivas . Se não treinamos os neurónios os neurónios perdem capacidades de aprendizagem
Quando deixamos de utilizar todas as funções do cérebro perdemos capacidades de aprendizagem, por essa razão – “o treino do cérebro é importante”, disse Tiago Ribeiro, no decorrer da conferência «Do Cérebro à Educação», da Tertúlia Augusto Cabrita.

No Auditório Mariana Alves, na Escola Secundária Augusto Cabrita, ontem, dia 29 de maio, realizou a conferência tendo como tema : «Do Cérebro à Educação - verdades, mitos e desafios para aprender ao longo da vida», sendo prelector Tiago Ribeiro, investigador na área da educação e divulgação das ciências.

Neurociência é uma ciência interdisciplinar

Tiago Ribeiro docente universitário e investigador na área da educação e divulgação das ciências, é doutorado em Ensino e Divulgação das Ciências. A sua actividade científica e pedagógica desenvolve-se na interseção entre educação e ciências, nomeadamente, ciência cidadã, educação ao longo da vida e comunicação científica, incidindo sobre inovação pedagógica.
O investigador, na sua intervenção, sublinhou que as neurociências, são ciências interdisciplinares, cujo objecto de estudo está direcionado para o estudo das funções cognitivas e sistemas nervosos, estabelecendo pontes entre o cérebro e a mente, articulando-se com diversas áreas, nomeadamente a psicologia, engenharia, química, filosofia, matemática, linguística, medicina e ciências da computação, procurando analisar como funciona o cérebro e como influência o que somos – “a neurociência é verdadeiramente uma ciência interdisciplinar”, disse.
Recordou ó contributo das neurociências para a abordagem de perturbações, entre outras, o autismo ou problemáticas relacionadas com a atenção, assim como para as doenças neurológicas, como esquizofrenia, epilepsia ou esclerose.

A importância do mapeamento das funções cognitivas

Tiago Ribeiro, numa abordagem sobre a evolução histórica da neurociência, referiu que as preocupações sobre o estudo da temática do cérebro, remontam e estão registadas ma Grécia Antiga- Clássica.
Salientou que em 1873, no século XIX, Camilo Golgi, contribuiu para que fosse dado primeiro passo no processo de mapeamento do cérebro, através da coloração através de utilização de nitrato de prata.
Por outro lado, recordou o contributo de Paul Brocca que mapeou no cérebro à da fala-linguagem, e, também, no ano de 1906, no começo do século XX, a descoberta da teoria dos neurônios, pot Santiago Ramón y Cajal.
O processo do estudo do cérebro tem sido evolutivo e, de certa forma é uma investigação recente, mas tem que contribuído para estudar as funções cognitivas, a origem das emoções, as estruturas das células nervosas, os fluxos do sistema nervoso. Um processo de grandes complexidades, em torno do qual foram desenvolvidas teorias eléctricas e teorias químicas.

O treino do cérebro é importante

Na sua intervenção, o investigador estabeleceu a ponte entre as Neurociências e a Educação. Alertou para a influência das tecnologias do mundo actual que contribuem para que o ser humano vá perdendo funções cognitivas, porque deixa de treinar essas funções – se não treinamos os neurónios os neurónios perdem capacidades de aprendizagem. Por exemplo, perdemos capacidade de atenção e de memória.
Quando deixamos de utilizar todas as funções do cérebro perdemos capacidades de aprendizagem – “o treino do cérebro é importante”, disse Tiago Ribeiro.

Estamos todos no espectro do autismo

O investigador sublinhou que cada individuo tem as suas particularidades - cada cérebro é um rosto – que tem uma informação genética – que diz «o que sou» e também é necessário refletir sobre a nossa dimensão no plano da epigenética.
Comentei, para Tiago Ribeiro que, de certa forma, numa interpretação do quotidiano – genética, é aquilo QUE somos, e a epigenética é o COMO somos.
Foi uma longa conversa, de cerca de duas horas e meia, com uma abordagem em torno dos neurónios, do interior do cérebro, da linguagem, em suma, uma viagem em tono da construção da cidadania, da aprendizagem e do amadurecimento do saber, da importância da relação do eu com o outro, porque afinal – estamos todos no espectro do autismo.
Esta foi a última Tertúlia Augusto Cabrita, no final do ano lectivo, projecto com mais de duas décadas, que contribui para proporcionar abordagem de diversos conhecimentos. Uma valorização ao longo da vida. As Tertúlias são animadas e moderadas por Marina Gomes e Natália Nunes. As Tertúlias regressam em Outubro.

António Sousa Pereira

30.05.2026 - 17:07

Imprimir   imprimir

PUB.

Pesquisar outras notícias no Google

Design: Rostos Design

Fotografia e Textos: Jornal Rostos.

Copyright © 2002-2026 Todos os direitos reservados.