reportagem

Roteiro das Coletividades Centenárias
Reconhecer e preservar a memória e a identidade do Barreiro

Roteiro das Coletividades Centenárias<br />
Reconhecer e preservar a memória e a identidade do Barreiro A colocação da primeira placa nas instalações da SFAL - Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense, marca a abertura do Roteiro das Coletividades Centenárias, um processo que visa o reconhecimento do património associativo do concelho.

A Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense (SFAL) recebeu, no passado sábado, 30 de maio, a primeira placa comemorativa integrada no projeto de valorização das coletividades centenárias do concelho do Barreiro.
A cerimónia contou com a presença de representantes da Câmara Municipal. Frederico Rosa, presidente, e, Rui Pedro Pereira, vereador do pelouro do associativismo e do desporto, assim como Eduardo Oliveira, presidente da direção da SFAL, e o historiador, Fernando Motta.

Associações funcionavam como as "redes sociais do antigamente"

O Roteiro das Coletividades Centenárias visa prestar uma homenagem ao contributo destas instituições para a história e identidade do movimento associativo barreirense.
Para os responsáveis autárquicos, a história das coletividades está intimamente ligada à própria história do Barreiro.
Foi referido que com o desenvolvimento industrial do concelho, milhares de pessoas provenientes do Alentejo, Norte, Algarve, Beiras e, até, do estrangeiro fixaram-se na região para trabalhar nas fábricas e nos caminhos-de-ferro.
Foi nas coletividades que muitas dessas pessoas encontraram espaços de convívio, integração e partilha. Como foi salientado estas associações funcionavam como as "redes sociais do antigamente", permitindo criar amizades, fortalecer laços comunitários e construir um forte sentimento de pertença.

Valorização das coletividades centenárias

Atualmente, estas instituições continuam a desempenhar um papel central na dinamização cultural e social do concelho. Entre atividades desportivas, culturais, recreativas e formativas, as coletividades mantêm-se como espaços de encontro para diferentes gerações.
Segundo os representantes municipais, o associativismo terá também um papel importante na candidatura do Barreiro a Capital Portuguesa da Cultura 2028, demonstrando que estas entidades não representam apenas o passado, mas também o futuro da cidade.
A valorização das coletividades centenárias tem sido acompanhada por investimentos municipais na recuperação das suas infraestruturas.
Nos últimos anos, várias sedes associativas beneficiaram de intervenções ao nível de coberturas, pisos e remodelações interiores, permitindo melhorar as condições para a realização de atividades e acolhimento de associados.
No caso da SFAL, foram já concretizadas obras de reabilitação do telhado e do piso do ginásio, possibilitando uma utilização mais segura e diversificada dos espaços.

Envolvimento dos jovens será determinante para garantir a continuidade

Um dos principais desafios identificados, pelos intervenientes, passa pela renovação geracional. Tanto a autarquia como os dirigentes associativos defendem que o envolvimento dos jovens será determinante para garantir a continuidade destas instituições.
A aposta em novas atividades e em formatos mais próximos dos interesses das gerações mais novas surge como uma das estratégias para assegurar que o movimento associativo continue vivo nos próximos cem anos.
Com a colocação da primeira placa na SFAL, o Roteiro das Coletividades Centenárias dá início a um processo de reconhecimento do património associativo do concelho. Mais do que homenagear o passado, a iniciativa procura garantir que a memória destas instituições continue presente na vida dos barreirenses e das futuras gerações.

Sara Morgado

02.06.2026 - 16:11

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