reportagem

Festival Barreiro em Curtas foram vencedores os filmes
«Número zero do Barreiro» em Cinema de Animação e «1947» no Cinema Documental

Festival Barreiro em Curtas foram vencedores os filmes<br>
«Número zero do Barreiro» em Cinema de Animação e «1947» no Cinema Documental<br>
Festival Barreiro em Curtas decorreu hoje, pela manhã, no AMAC – Auditório Municipal do Barreiro, tendo sido exibidos 16 filmes selecionados entre os trabalhos desenvolvidos pelos alunos ao longo do ano letivo.
Elsa Mendes, Coordenadora do Plano Nacional de Cinema, afirmou que «Barreiro em Curtas» é «uma experiência única« no país que «está a abrir portas» e «vai deixar raízes» para o futuro.

No final da sessão Barreiro em Curtas», após o visionamento dos filmes das duas modalidades a concurso - Cinema de Animação e Cinema Documental, decorreu a cerimónia de entrega de prémios e menções honrosas, aos vencedores nas duas categorias.

Cinema de Animação vencedor “Número zero do Barreiro”

Na categoria de curtas metragens de Cinema de Animação o júri atribuiu o 1º prémio ao filme – “Número zero do Barreiro”, realizado pela equipa composta por Inês Gomes, Carlos Jorge e Leonor Sardinha, alunos da Escola Secundária dos Casquilhos, do Barreiro, orientada pelo professor Carlos Jorge.
Segundo os jurados, este filme afirma uma capacidade de construir uma narrativa audiovisual a partir de matéria de imagem e de som, tem por base a realização de um trabalho colectivo que revela criatividade. É um filme que demonstra qualidade artística.
O filme tem por base um episódio na vida de uma criança e a sua paixão pelos soldados da paz e que viu as antigas instalações dos Bombeiros Voluntários do Sul e Sueste, transformar-se na ADAO – Associação de Desenvolvimento de Artes e Ofícios, um núcleo artístico de referência no concelho e na região.

2º Prémio «O Som da Memória»

O 2º Prémio de Cinema de Animação foi atribuído ao filme «O Som da Memória», realizado pela equipa composta por Arielly Prado, Carolina Pires, Diana Bordalo, Marina Rocha e Micael Marques, da Escola Secundária Manuel Cargaleiro, no Seixal, orientada pela professora Matilde Pinto.
O Júri considerou que este filme revela uma capacidade de apropriação do real e da memória, como matéria de criação fílmica, dando uso cinematográfico a elementos sonoros e visuais, contando uma história sem palavras.
O filme parte da situação do Coreto do Jardim de «Os Franceses», outrora, era um ponto de encontro para ouvir música e dançar, um ponto de encontro e de animação, e, nos dias de hoje, longe dessa época musical está a maior parte, ali, entre as árvores sozinho. O som que se escuta são os sinos da Igreja de Santa Cruz.

Três menções honrosas no Cinema Documental

Na categoria de Cinema Documental, o júri atribui três menções honrosas:
Esperança que não finda>
- “Esperança que não finda”, produzido pela equipa composta por caetano Machado, Mateus Nascimento e Rafael Medina, da Escola Secundária de Casquilhos, orientada pela Professora Helena Pereira.
Um documentário sobre o legado do futebol no Barreiro tendo com núcleo central as memórias e estórias do Futebol Clube Barreirense.

O sol sempre aparece

- «O sol sempre aparece», realizado pela equipa composta por Antónia Segundo, Leonel Coentro, Raissa Indjal e Rafaela Almeida, da Escola Secundária de Santo André, orientada pela professora Fátima Correia.
Uma viagem pela vida de Maria de Lurdes Almeida, da sua vida em Cabo Verde à sua vinda para o Barreiro. Uma vida marcada pela superação, resiliência e esperança, que descobriu na UTIB – Universidade da Terceira Idade do Barreiro, um espaço de construção de amizade e aprendizagem.

O Corpo e a corrente

«O Corpo e a corrente», realizado por Matilde Libório, com orientação da professora Helena Pereira, da Escola Secundária de Casquilhos.
Um documentário que acompanha as rotinas de um atleta e treinador de Stand up padle, nas águas dos rios Tejo e Coina. Uma modalidade nova no Barreiro. Um desporto que entre a competição, a intensidade dos treinos, encontra espaço para a inclusão social, de ligação do rio com as pessoas.

Cinema Documental 1º Prémio «1947»
- as memórias da Escola Alfredo da Silva

Na categoria Cinema Documental, o júri atribuiu o 1º Prémio ao filme «1947», realizado pela equipa composta por Ana Mourata, Misiane Fernandes e Sara Bernardino, da Escola Secundária Alfredo da Silva, com orientação do Professor Diogo Rosa.
Um júri sublinhou que este filme merece esta distinção, pela pesquisa efectuada, aliada ao rigor narrativo, assim como pelo cuidado colocado na realização, na montagem e no desenho de som. É referenciada a coerência estética geral do filme, nomeadamente em torno da forma e do pensamento da arquitectura.
O filme «1947» faz uma abordagem da Escola Industrial e Comercial Alfredo da Silva, numa viagem por dentro do tempo, do Barreiro Industrial, um ensino que se cruzou com a história da CUF, mergulhando nos lugares de aprendizagem e papel marcante da Escola Alfredo da Silva, na identidade cultural, económica e politica na identidade da comunidade barreirense.

Cinema Documental 2º Prémio «Aguarelas»
- uma tela colorida de esperança de amor.

O 2º prémio na categoria documental foi atribuído ao filme «Aguarelas», cuja equipa de produção é composta por flor de Oliveira, Larissa do Céu e Maria Beatriz, da Escola Secundária Augusto cabrita, com orientação da professora Ana Bento.
O júri sublinha que este documentário, é um filme com uma identidade própria ao nível visual e narrativo, que demonstra o domínio da linguagem cinematográfica e dramatúrgica, envolvendo-nos num retrato com uma grande dimensão humana e emocional. Um filme que nasce na história do Barreiro e na história de Portugal.
O filme «Aguarelas» proporciona uma viagem por dentro de uma escola do ensino básico, onde cada aluno é uma história de vida, de raízes espalhadas pelo mundo. Um filme que retrata a multiculturalidade e o sentir de crianças que crescem, sem preconceitos, cultivando amizade, partilhando saberes e memórias de culturas diferentes. Um filme que é uma tela colorida de esperança de amor.

Formação de públicos escolares

De salientar que o «Barreiro em Curtas» é uma iniciativa pedagógica destinada à formação de públicos escolares, centrada no desenvolvimento da literacia fílmica e na experimentação audiovisual. O projeto é organizado pelo Agrupamento de Escolas de Casquilhos e pelo Cine Clube do Barreiro, em articulação com os agrupamentos de escolas do concelho, a Academia de Jazz «Os Franceses», a Universidade Sénior do Barreiro e o Plano Nacional de Cinema.
Conta com o financiamento do ICA - Instituto do Cinema e do Audiovisual, da Fundação Amélia de Mello, da Câmara Municipal do Barreiro e do Rotary Club do Barreiro.

Envolveu Comunidade Educativa Barreirense

Nesta segunda edição, o projeto envolveu 74 estudantes no ramo de cinema documental, com 18 projetos iniciados e 13 filmes concluídos. No cinema de animação, participaram 76 estudantes, que desenvolveram 14 filmes.
No projeto participaram a Escola Profissional Bento de Jesus Caraça, Escola Secundária de Casquilhos, Escola Secundária Augusto Cabrita, Escola Secundária Alfredo da Silva, Escola Secundária de Santo André e Colégio Minerva. Um projecto que envolveu a Comunidade Educativa Barreirense.
De referir ainda que, a edição deste ano ficou marcada pelo alargamento da proposta formativa, porque, para além do cinema documental, o «Barreiro em Curtas» integrou o cinema de animação, e abriu o caminho para o desenvolvimento de bandas sonoras originais.

Homenageada a professora Guilhermina Lobato

Nesta sessão de «Barreiro em Curtas» foi homenageada a professora Guilhermina Lobato. Guilhermina Lobato nasceu no Barreiro a 20 de Abril de 1942, tendo frequentado a escola primária no Concelho. Com o incentivo dos pais, foi estudar para Lisboa a partir do terceiro ano do liceu. Frequentou a Faculdade de Ciências e, antes mesmo de acabar o curso, foi dar aulas de matemática no Externato D. Manuel de Mello, no Barreiro.
Mesmo sem ter algum dia pensado, de facto, em ser professora, apaixonou-se pela profissão logo nos primeiros anos de ensino e acabou por permanecer no externato quatro anos, tendo depois ficado a leccionar na secção do Barreiro do liceu de Setúbal, hoje Escola Secundária dos Casquilhos, como professora de matemática até à reforma.
Hoje, «Barreiro em Curtas» merecidamente prestou-lhe uma calorosa saudação e reconhecimento.

As escolas como eixos de cultura

Como nota final, registamos as palavras de Elsa Mendes, presidente do júri e Coordenadora do Plano Nacional de Cinema, que afirmou «Barreiro em Curtas» é “uma experiência única que tem um epicentro aqui no Barreiro, é preciso dizer isso”, acrescentando que este projecto “está a abrir por, tas“, uma experiência que está ainda no princípio mas “vai deixar raízes, porque o céu é o limite”.
Elsa Mendes sublinhou a importância do cinema e do audiovisual no sistema educativo – “pouco se fala nisso”, da necessidade de capacitar os jovens com ferramentas tecnológicas e artísticas para a progressão do futuro.
“É importante ver as escolas como eixos de cultura, a cultura não está la fora, parte de entro da escola, e, a escola pode ser protagonista na produção de cultura. É assim que também mudamos o território em que habitamos”, disse.

António Sousa Pereira

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02.06.2026 - 21:53

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