reportagem

Barreiro - Mário Durval apresenta obra poética
«Entre a Voz e o Gesto» é «o desvendamento de um homem sensí-vel» - afirma Carlos Alberto Correia

Barreiro - Mário Durval apresenta obra poética<br />
«Entre a Voz e o Gesto» é «o desvendamento de um homem sensí-vel» - afirma Carlos Alberto Correia Mário Durval, Médico de Saúde Pública, no dia 6 de junho, apresentou no Auditório Manuel Cabanas, na Biblioteca Mu-nicipal do Barreiro, o 1º volume da sua obra poética – «Entre a Voz e o Gesto – poemas de trabalho e luta»

Na Mesa que dirigiu a sessão, para além da presença do au-tor, de registar a participação Carlos Alberto Correia, escritor e editor da obra, e, Alice Conceição, Coordenadora da Bibli-oteca Municipal do Barreiro, que salientou ser uma honra e «um gosto» receber a apresentação do livro de Mário Durval.

Na nossa natureza o gesto precede a voz

Carlos Alberto Correia, apresentou a obra poética “Entre a Voz e o Gesto”, salientando que este é o primeiro volume.
Na sua intervenção, sobre o título, referiu que “marca dois tempos definidos. A voz e o gesto” e, conhecendo o autor, interpretou o facto de “antepor a Voz ao Gesto., como se com este enunciado o Autor” quisesse “inverter o ciclo normal da vida humana”.
“Sim, porque, na nossa natureza o gesto precede a voz. No início o bebé gesticula para conseguir o pretendido; só mais tarde a voz lhe chega para se fazer entender no mundo.”, disse.

Apenas após o domínio da voz o gesto pode ser compreendido

“Porquê então esta inversão?”, interrogou Carlos Alberto Correia.
“No meu entender é porque apenas após o domínio da voz, da capa-cidade de comunicar, o gesto pode ser compreendido, transmitido, descrito, em toda a sua plenitude.
Desta forma o gesto seria, não só o caminho para onde tende a voz, como a mais perfeita forma de conseguimento na transmissão de uma ideia, uma emoção, um afeto, entre pessoas.
Resumidamente estamos perante uma sugestão de percurso.
É isto que nos é proposto observar na Obra que hoje apresentamos.”, afirmou o escritor.

O desvendamento de um homem sensível

“Porque escrever é expor-se, é desvendar o que de mais íntimo nos sucede, é correr o risco de trazer para a praça o que vive no mais recôndito de nós. Sim, escrever é um ato de desvendamento e cora-gem. Abre-se ao alma ao público. Dá-se-lhe entrada no santo dos san-tos de quanto se vive e sente. Só por isso, os parabéns ao Mário.”, sa-lientou Carlos Alberto Correia, acrescentando que este livro “é, além de poesia, o desvendamento de um homem sensível, capaz, em cada momento, de inscrever em palavras aquilo que está a sentir, isto é, a forma como reage a cada momento emocional, trazendo para as pa-lavras, num gesto de ação, quanto a voz quer transmitir.”

Um testemunho poético do seu tempo

Recordou que os dois volumes, da obra poética de Mário Durval – “di-rão o percurso de um homem pela vida, pela comunidade, pelas emoções, pelos afetos. Isto é, em forma de poesia quase imediata, dá-nos o testemunho de quanto viu, sentiu e fez.
É assim que se nos apresenta a poesia do Mário Durval. Instantânea, corajosa, denunciante de vícios, cantora de pequenas épicas do dia-a-dia. Em resumo, um testemunho poético do seu tempo!”

Cinco momentos da experiência humana

No decorrer da apresentação, o escritor apresentou pelo um “slide show” que definiu como “uma viagem simbólica através de cinco momentos da experiência humana: A Vida. A Voz. O Gesto. A Sabedoria. O Hori-zonte.
Cada etapa foi sendo introduzida por uma frase breve e evocativa, se-guida por uma imagem que ampliava o seu significado sem o expli-car. Desde o início da jornada, passando pela disponibilidade para descobrir. Num caminho ao amanhecer, um homem caminha em di-reção à luz, e, duas aves acompanham discretamente o horizonte.

Toda a vida começa por um passo

Uma ideia: toda a vida começa por um passo, e, o futuro ainda não é conhecido, porque, afinal, ninguém encontra a sua voz sozinho e a identidade constrói-se na relação com os outros. Encontros, diálogos, presenças. A voz nasce da convivência.
A comunidade ajuda a revelar quem somos. E, na vida, nem todas as palavras precisam de ser ditas. Mas, partilhar presença é uma forma de cuidado, com a consciência que a confiança nasce da proximida-de.

Nesta viagem feita de palavras e emoções, em torno da obra de Mário Durval, Carlos Alberto Correia, salienta que - «a sabedoria não vence o tempo», e «aprende a conviver com ele». Numa poesia onde «só o essencial permanece» e «a maturidade aprende a distinguir o acessó-rio do essencial.”

Saúde Pública também tem coração

Afinal a «Saúde Pública também tem coração» um sinal que «a caminhada continua» e que «nada termina verdadeiramente», porque «toda a chegada abre uma nova partida».
E, nesta obra, referiu Carlos Alberto Correia, existe um alerta que «a liberdade não é uma garantia. É uma possibilidade» onde «o horizonte permanece aberto», num tempo de crescer, em busca do sentido da vida, uma voz e um gesto que bem alto expressa um «aviso aos novos ditadores».
A voz do poeta e o gesto de afecto foi sendo desvendada por Raquel e Luísa que, de forma brilhante, ao vivo, deram sonoridade e vida aos poemas de Mário Durval.

Meus poemas são política e ideologicamente marcados

Mário Durval, após os agradecimentos, com emoção, expressou a sua má-goa por não contar, na sessão com a presença de Romi, sua companheira de vida, que se encontrava hospitalizada.
Na sua intervenção, salientou que nos seus poemas procura sempre expor «aquilo que penso, o meu coração, os meus sentimentos» e, «os meus poe-mas são política e ideologicamente marcados, defendem sempre qualquer coisa, não coisas abstractas, ou sem sentido».
Referiu que o 1º volume são poemas de «trabalho e luta», e, na realidade são poemas relacionados com o trabalho e também com a luta, poemas que afirmam a luta e a esperança, a vontade de mudar o mundo.
«São as pessoas que trabalham comigo, as pessoas que trabalham, as pesso-as que estão na mudança, somos todos nós, as pessoas, que podemos mudar as coisas”, disse.
Recordou que nos seus poemas, está muito da sua vida de trabalho, na área da saúde, poemas que procuram expressar a essência da relação com as pes-soas, que «não são laços de enfeitar, são laços de união».
Mário Durval, recordou que o 2º volume, que está no prelo, vai ser dedicado a «cantigas de amor e maldizer».
Na sessão, várias pessoas presentes, deram o seu testemunho pessoal, de momentos de vida partilhados com o homem, o profissional de saúde, o cidadão, o politico - o cidadão dos afectos.

António Sousa Pereira

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11.06.2026 - 17:48

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