reportagem
BARREIRO - Open Day da ADAO promove encontro entre artistas, artesãos e comunidade
A arte como ferramenta de reflexão e transformação social
Exposições, demonstrações e contacto direto com os criadores marcaram mais uma edição do Open Day da ADAO, que reuniu visitantes de várias idades em torno da valorização das artes e dos saberes tradicionais.
A Associação para o Desenvolvimento de Artes e Ofícios (ADAO) abriu as suas portas à comunidade para mais uma edição do Open Day, uma iniciativa que procurou dar a conhecer o trabalho desenvolvido pela instituição e promover o contacto direto entre os visitantes e os diversos projetos artísticos e culturais em curso.
Ao longo do dia, os participantes tiveram a oportunidade de visitar os diferentes espaços da associação, conhecer oficinas de artesanato, observar demonstrações de técnicas tradicionais e contactar com artesãos e artistas que colaboram regularmente com a ADAO. A iniciativa reuniu associados, formandos, parceiros e membros da comunidade, num ambiente marcado pela partilha de conhecimentos e pela valorização do património cultural. Entre ateliês abertos, exposições, conversas informais e demonstrações artísticas, os visitantes circularam livremente pelo espaço, contactando diretamente com os criadores e os seus processos de trabalho.
Imaginação, comunidade e resistência como pilares da ADAO
Segundo Carla Pacheco, presidente da ADAO, o Open Day nasceu da necessidade de dar a conhecer à comunidade os artistas e o trabalho desenvolvido no espaço. Ao longo dos anos, a iniciativa tornou-se um dos eventos mais emblemáticos da associação, atraindo centenas de visitantes através de uma programação diversificada que se estende da tarde até à noite. Para além de apresentar o trabalho dos artistas residentes, o evento acolhe também propostas de criadores externos, reforçando o seu caráter aberto e inclusivo.
A responsável destaca ainda os conceitos de imaginação, comunidade e resistência, presentes nesta edição, como valores fundamentais para a associação e para os artistas que nela trabalham. Num contexto marcado por desafios sociais e políticos, considera que a arte continua a ser uma ferramenta essencial de reflexão e intervenção. "É através da arte que podemos espalhar sementes que despertam consciências", afirma.
No Barreiro, a ADAO tem vindo a consolidar-se como um importante polo cultural, promovendo regularmente concertos, exposições e outras iniciativas artísticas. Para Carla Pacheco, o que distingue este espaço é a sua natureza independente e experimental, oferecendo aos artistas uma liberdade criativa difícil de encontrar em contextos mais institucionais. "Aqui, o espaço funciona quase como um laboratório de experiências", explica, permitindo que os criadores desenvolvam projetos e obras adaptados às características únicas do local.
Artistas destacam a partilha e a liberdade criativa
Os artistas presentes destacaram ainda a importância da ADAO como espaço de encontro, criação e partilha. O fotógrafo Rui Serrano salientou a riqueza da multidisciplinaridade existente no espaço, onde fotógrafos, escultores, pintores e designers convivem diariamente, desenvolvendo colaborações e trocando experiências que enriquecem os seus processos criativos.
A liberdade de expressão e a procura constante de novos olhares foram apontadas como elementos fundamentais da prática artística.
Também Pedro Serra Pereira, criador do Complica, sublinhou a importância da experimentação e da combinação de diferentes técnicas, defendendo que os artistas não devem limitar-se a uma única forma de criação. Para o autor, a arte desempenha igualmente um papel relevante na divulgação de emoções, experiências e realidades sociais que muitas vezes permanecem invisíveis.
A arte como ferramenta de reflexão e transformação social
Uma perspetiva semelhante foi partilhada por António Correia, conhecido artisticamente como Pantónio. O artista destacou a influência positiva da convivência diária entre criadores de diferentes áreas, considerando que a troca informal de ideias constitui uma das maiores mais-valias do espaço. Através da sua obra, inspirada na relação entre a natureza, os animais e os seres humanos, procura transmitir uma mensagem de ligação e interdependência entre todos os elementos do mundo. Relativamente ao papel da arte na sociedade, defendeu que esta deve fazer parte do quotidiano das pessoas, funcionando como uma forma de sensibilização capaz de despertar emoções e promover uma compreensão mais profunda da realidade humana.
Já Luís Guerreiro, artista multidisciplinar conhecido como Lugu, sublinhou a importância prática da ADAO para o desenvolvimento dos seus projetos, descrevendo o espaço como um local essencial para a criação, experimentação e preparação das suas obras. Através do seu trabalho, procura surpreender o público e proporcionar novas experiências, muitas delas de carácter interativo. Relativamente ao papel da arte na sociedade, considera que esta deve assumir uma função interventiva e de consciencialização, contribuindo para a reflexão sobre temas relevantes e para o debate em torno das questões sociais contemporâneas.
Um espaço de criação ao serviço da cultura local
Mais do que um simples dia de portas abertas, o Open Day afirmou-se como um espaço de encontro entre tradição, criatividade e comunidade, reforçando o papel da ADAO na dinamização cultural e na preservação dos saberes artesanais.
Sara Morgado
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12.06.2026 - 17:54
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