reportagem
BARREIRO - Futebol Clube Barreirense
União dos sócios e defesa do património marcaram tomada de posse dos novos órgãos sociais
O Futebol Clube Barreirense iniciou, na passada segunda-feira, 29 de junho, um novo ciclo da sua vida associativa com a cerimónia de tomada de posse dos membros da Mesa da Assembleia-Geral, da Direção e do Conselho Fiscal recentemente eleitos. A Cerimónia assinalou o início de um novo mandato até novembro de 2027, num momento marcado por apelos à participação dos associados e à preservação da identidade do clube.
Os novos órgãos sociais ficam mandatados até novembro de 2027, assumindo a responsabilidade de conduzir os destinos de uma das mais antigas e emblemáticas coletividades do concelho do Barreiro.
A cerimónia decorreu na sede do clube e reuniu sócios, antigos dirigentes, representantes de associações desportivas e diversas personalidades ligadas ao movimento associativo. Num ambiente marcado pela responsabilidade e pelo compromisso, os discursos convergiram numa ideia comum: o futuro do Barreirense dependerá da capacidade de unir os associados em torno de um projeto comum, preservando a identidade e a história do clube, sem perder de vista os desafios que o presente impõe.
Um clube que procura unir os associados
Na intervenção de encerramento, o presidente da Direção, Hugo Máximo, fez um retrato da realidade que o Barreirense atravessa, reconhecendo as dificuldades financeiras e organizativas, mas deixando uma mensagem de confiança na equipa agora empossada. O dirigente explicou que aceitou voltar a liderar o clube por considerar que não podia permitir que a instituição ficasse sem direção, assumindo esse compromisso por sentido de responsabilidade e de dedicação ao Barreirense.
Ao longo da sua intervenção, apelou repetidamente ao envolvimento dos sócios na vida da coletividade, lamentando a reduzida participação nas assembleias-gerais e defendendo que os grandes desafios apenas poderão ser ultrapassados com uma maior união entre todos. "O Barreirense não é da Direção, a Direção não é dona do Barreirense", afirmou, acrescentando que o clube pertence aos seus associados e que todos devem assumir um papel ativo na construção do seu futuro.
Estabilidade financeira e defesa do património
Entre as principais prioridades para o mandato que agora se inicia, Hugo Máximo, destacou a necessidade de garantir uma maior estabilidade financeira, reforçar a captação de patrocinadores e parceiros e criar novas fontes de receita que permitam assegurar a
sustentabilidade do clube. Apesar das dificuldades, manifestou confiança nas pessoas que integram os diferentes departamentos e modalidades, salientando que o trabalho desenvolvido por dirigentes, treinadores e colaboradores continuará a ser determinante para o crescimento da instituição.
Um dos momentos mais marcantes da cerimónia centrou-se na defesa do património do Barreirense. O presidente foi perentório ao afirmar que a alienação de qualquer bem do clube "está fora de questão", considerando que o património representa um legado construído ao longo de mais de um século por sucessivas gerações de sócios e dirigentes. Nesse sentido, defendeu a criação de mecanismos que reforcem a proteção desse património e incentivem uma maior participação dos associados nas decisões estratégicas relacionadas com o futuro da coletividade.
Infraestruturas e prioridades para o novo mandato
As infraestruturas constituíram outro dos temas em destaque. A recuperação do campo n.º 2 da Academia, a substituição do relvado sintético, a requalificação da sede social e do pavilhão e a melhoria das condições disponibilizadas às diferentes modalidades foram identificadas como objetivos prioritários para os próximos anos. Hugo Máximo reconheceu que muitos destes investimentos dependerão da capacidade de estabelecer novas parcerias e de obter apoios externos, sem comprometer a estabilidade financeira do clube.
Formação continua a ser a principal missão
A cerimónia contou igualmente com intervenções de representantes da Associação de Futebol de Setúbal, da Associação de Basquetebol de Setúbal, antigos dirigentes e sócios do Barreirense, que felicitaram os novos órgãos sociais e reconheceram a coragem de assumir funções numa fase particularmente exigente para o associativismo desportivo.
Nas várias intervenções foi destacado o papel que o Barreirense continua a desempenhar na formação de crianças e jovens, sendo defendido que essa deverá permanecer como a principal missão da instituição. Os oradores sublinharam ainda as dificuldades que os clubes enfrentam atualmente, desde o aumento dos custos de funcionamento e dos transportes até à escassez de infraestruturas desportivas e de financiamento público, considerando, contudo, que o investimento na formação continua a ser o caminho mais sólido para assegurar o futuro da coletividade.
Participação dos sócios apontada como essencial
Foi igualmente lançado um apelo aos associados para que participem de forma mais ativa na vida do clube, não apenas através da presença nas assembleias-gerais, mas também apresentando propostas e contribuindo para a definição das estratégias que permitam responder aos desafios atuais. Como foi referido durante a cerimónia, o futuro do Barreirense dependerá da capacidade de transformar o sentido de pertença em participação efetiva.
O presidente da Mesa da Assembleia-Geral cessante reforçou também essa ideia, lembrando que a sobrevivência e o crescimento do clube dependem do contributo coletivo de todos os barreirenses. Defendeu uma maior proximidade entre os órgãos sociais e os associados e apelou à construção de soluções em conjunto, sublinhando que as dificuldades apenas poderão ser ultrapassadas através de uma participação responsável e construtiva.
Um mandato voltado para o futuro
A cerimónia terminou com uma mensagem de esperança e responsabilidade. Conscientes das dificuldades que têm pela frente, os novos órgãos sociais assumiram o compromisso de trabalhar para reforçar a estabilidade financeira do Barreirense, preservar o seu património, melhorar as infraestruturas e continuar a afirmar o clube como uma referência desportiva e associativa no concelho do Barreiro.
O mandato agora iniciado prolonga-se até novembro de 2027 e será marcado pelo desafio de conciliar a recuperação financeira com o desenvolvimento das modalidades, mantendo viva a identidade de um clube que, ao longo de mais de um século, tem desempenhado um papel relevante na formação desportiva e na vida da comunidade barreirense.
Sara Morgado
03.07.2026 - 15:04
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