reportagem
Barreiro - SIRB «Os Penicheiros»
Celebra 156 anos de história com os olhos postos no futuro
Uma sessão solene assinalou mais um aniversário da histórica coletividade barreirense, com homenagens aos sócios e destaque para o futuro do movimento associativo. A SIRB Os Penicheiros comemorou, no dia 7 de agosto, o seu 156.º aniversário, numa sessão que reuniu sócios, dirigentes, representantes de coletividades e várias entidades do concelho do Barreiro.
Mais do que assinalar uma data, a cerimónia serviu para recordar o percurso de uma das instituições históricas do Barreiro e refletir sobre os desafios que se colocam ao associativismo nos dias de hoje.
A sessão contou com a presença de representantes da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto, da Associação das Coletividades do Barreiro, da União das Freguesias, da Câmara Municipal do Barreiro e de várias coletividades e instituições do concelho.
Na abertura da cerimónia, Pedro Estrela, presidente da Assembleia Geral, destacou a importância das várias gerações que fizeram parte dos Penicheiros ao longo dos seus 156 anos de existência. “Celebrar os 156 anos é celebrar gerações de associados, dirigentes, atletas, artistas, músicos, atores, leitores, amigos e outros que, ao longo do tempo, encontraram nesta casa um espaço de participação, convivência e cidadania”, afirmou.
Para o responsável, a história dos Penicheiros está profundamente ligada aos valores do associativismo popular e à própria história do Barreiro. A coletividade foi, ao longo das décadas, espaço de cultura, convívio, formação e participação da comunidade.
Um novo mandato com aposta na continuidade
A sessão ficou também marcada pela referência à entrada em funções dos novos órgãos sociais da coletividade.
Pedro Estrela deixou uma palavra de agradecimento aos anteriores dirigentes pelo trabalho desenvolvido e salientou que o novo mandato pretende apostar na continuidade, consolidação e aprofundamento do trabalho realizado.
Entre os objetivos está a recuperação e dinamização de iniciativas que fizeram parte da história dos Penicheiros. “Não por uma questão de saudosismo, mas porque a nossa história e a nossa identidade constituem uma base sólida para construir o futuro”, explicou.
A aproximação aos associados será também uma das prioridades. Nesse sentido, foi anunciada a retoma da figura do cobrador, procurando estabelecer um contacto mais próximo e regular com os sócios. “Os sócios não são meros espectadores da vida associativa. São a sua principal razão de existir”, afirmou o presidente da Assembleia Geral.
Homenagem a quem fez parte da história
Um dos momentos centrais da noite foi a homenagem aos associados que completaram 25, 50 e 75 anos de ligação aos Penicheiros. A distinção pretendeu reconhecer não apenas os anos de inscrição na coletividade, mas sobretudo a dedicação e o sentimento de pertença daqueles que acompanharam diferentes fases da história da instituição.
A cerimónia destacou, assim, o papel dos associados na manutenção de uma coletividade que atravessou diferentes períodos da história do Barreiro e do país.
Câmara destaca importância dos Penicheiros
Em representação da Câmara Municipal do Barreiro, foi reforçada a importância da coletividade para o concelho. A autarquia anunciou que Os Penicheiros irão integrar, em breve, o roteiro das associações centenárias do Barreiro, iniciativa que pretende valorizar o património associativo e a história das instituições que fazem parte da identidade do concelho.
Durante a intervenção, foi também anunciada a criação da Casa do Movimento Associativo, um espaço que deverá disponibilizar salas de reunião às associações do concelho e facilitar a realização de encontros entre diferentes coletividades.
A representante do Município deixou ainda uma palavra de reconhecimento aos dirigentes associativos e voluntários, destacando o trabalho desenvolvido de forma gratuita e o tempo que muitos dedicam às suas coletividades.
“Investir no associativismo é investir na comunidade”
A importância do movimento associativo esteve igualmente em destaque nas restantes intervenções. Em representação da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto, António Matias defendeu uma maior valorização das coletividades, sublinhando o papel que estas desempenham na sociedade.
O dirigente recordou o percurso dos Penicheiros enquanto espaço de cultura e instrução, destacando, entre outros aspetos, o papel desempenhado pela coletividade no acesso à leitura durante o Estado Novo.
Para António Matias, as coletividades não devem ser vistas apenas como entidades que recebem apoios, mas como estruturas que diariamente prestam um serviço à comunidade através do trabalho voluntário dos seus dirigentes e associados. “Estamos aqui todos para podermos defender o nosso movimento associativo popular”, afirmou.
Uma história ligada ao Barreiro
Também Daniel Ventura, em representação da Associação das Coletividades do Barreiro, destacou o papel dos Penicheiros na história do movimento associativo. Na sua intervenção, recordou a origem da coletividade, a sua ligação à cultura e à instrução e o papel que desempenhou em diferentes momentos da história local e nacional.
A intervenção destacou ainda a participação dos Penicheiros na organização do movimento associativo português e a importância da instituição enquanto espaço de cultura, cidadania e participação comunitária.
Das memórias às novas gerações
A celebração dos 156 anos incluiu ainda um momento de demonstração de uma das atividades atualmente desenvolvidas na coletividade, ligada à defesa pessoal, com a participação de crianças.
O momento permitiu mostrar uma das formas encontradas pelos Penicheiros para continuar a dinamizar a sua atividade e aproximar diferentes gerações da instituição.
Entre discursos, homenagens e momentos de convívio, a noite terminou com a celebração do aniversário e com o tradicional momento de cantar os parabéns.
Aos 156 anos, Os Penicheiros continuam a fazer parte da vida do Barreiro. Entre a memória de quem ajudou a construir a coletividade e os projetos pensados para o futuro, a instituição procura manter viva a sua identidade e continuar a ser um espaço aberto à comunidade.
Sara Morgado
13.08.2026 - 14:37
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