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reportagem

Assembleia Municipal do Barreiro
“Por favor, não fechem a nossa fábrica!”

Assembleia Municipal do Barreiro<br>
“Por favor, não fechem a nossa fábrica!” .Onde vai uma Tendeira arranjar emprego?

. “Que vou fazer em Setembro?”

. Deixem-me trabalhar até ao resto da minha vida

. Está em jogo a Venda Ambulante e o Mercado Abastecedor

Vilar António, vendedor do Mercado da Verderena, referiu, que encerrar - “É como fechar uma fábrica e despedir 150 trabalhadores” – acrescentando – “que vão fazer os trabalhadores, ficam à porta da fábrica”.

Caboz Gonçalves, defendeu a importância de se “alterar o conceito” de mercado existente, defendeu que é necessário manter o Mercado, no entanto, sublinhou que “mudar apenas a localização não é solução”.

Neste contexto, sugeriu a criação do “Mercado de Rua na Rua Marquês Pombal”, a funcionar naquela artéria no Barreiro Antigo até ao Largo Nª Srª do Rosário, salientou, Cabos Gonçalves, ser um meio de “dar vida ao Barreiro Velho”.

Por iniciativa conjunta do Partido Socialista e Bloco de Esquerda, sem consulta a outras forças políticas, foi convocada uma Assembleia Municipal Extraordinária, tendo como único ponto da ordem de trabalhos : “Análise da proposta de extinção do Mercado Bissemanal da Verderena”.
A reunião da Assembleia Municipal do Barreiro decorreu no dia 31 de Julho, no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, com uma sala repleta de cidadãos, essencialmente de vendedores ligados ao Mercado da Verderena.
Nas imediações da Biblioteca Municipal encontrava-se uma força Policial de Intervenção e os trabalhos do órgão municipal foram acompanhados de perto por agentes policiais à civil.
De referir que a reunião decorreu com normalidade, registando-se apenas, no inicio das intervenções do público, uma manifestação com aplausos, tendo João Fernando, presidente da Assembleia Municipal do Barreiro em exercício, recordado que as manifestações não eram permitidas e que a continuarem teria que pedir a evacuação da sala.
No entanto, os cidadãos presentes corresponderam e acompanharam os trabalhos de forma atenta e com total serenidade.

Mercado Rua Marquês de Pombal

O período de intervenção do público foi aberto por Cabos Gonçalves ( de referir que previamente distribuiu um documento intitulado – “Mercado de Rua Marquês de Pombal – Iniciativa individual de Cidadania ” - Vereação, grupos municipais, órgãos de comunicação social).
Caboz Gonçalves, defendeu a importância de se “alterar o conceito” de mercado existente, defendeu que é necessário manter o Mercado, no entanto, sublinhou que “mudar apenas a localização não é solução”.
Na sua proposta, referiu diversos exemplos de Mercados de Rua, em diversas cidades europeias.
Neste contexto, sugeriu a criação do “Mercado de Rua na Rua Marquês Pombal”, a funcionar naquela artéria no Barreiro Antigo até ao Largo Nª Srª do Rosário, salientou, Cabos Gonçalves, ser um meio de “dar vida ao Barreiro Velho”.

Foi a coisa mais triste da minha vida

O cidadão Saraiva, recordou que nasceu a viver o “Mercado da minha Rua 1º de Maio”, que sempre conheceu no Barreiro Mercados de Rua: no Largo Santa Maria, na Rua Grão Vasco, no Largo da Santa no Alto do Seixalinho.
“Sempre houve Mercado para o povo” – sublinhou, acrescentando - “Eu vendo no Mercado de rua há 30 anos, tenho feito a minha vida no Mercado Ambulante”.
Na sua intervenção referiu que lhe foi proposto optar pela venda em “Mercado Coberto”, mas, na sua opinião – “os mercados cobertos não vendem, a Câmara faz um esforço mas não servem”.
O cidadão Saraiva, salientou que ter recebido uma carta da Câmara Municipal do Barreiro a informar que “cessava a minha actividade como Vendedor Ambulante, foi a coisa mais triste da minha vida”.

Que vou fazer em Setembro?

Maria Zulmira, vendedora do Mercado da Verderena, referiu – “estou triste com o que se está a passar”, recordou – “vim do Alenquer para o Barreiro há 33 anos” e sempre dedicou a sua vida a esta actividade.
“Estou numa situação difícil. Tenho que sobreviver. Que vou fazer em Setembro?” – sublinhou, sentindo-se a emoção nas suas palavras.

Deixem-me trabalhar até ao resto da minha vida

José Cabeça, referiu que “não havia necessidade de estarmos aqui, só quero que o Senhor Presidente nos arranje uma solução”.
Recordou, “vivo no Barreiro há muitos anos, noutro lado não me deixam entrar”, como vendedor ambulante.
“Deixem-me trabalhar até ao resto da minha vida” – sublinhou, acrescentando – “quando me disseram que ia parar a minha actividade como Vendedor Ambulante ia-me dando uma coisa”. Sugeriu, que o Mercado fosse feito numa rua ao domingo.
“Sou cigano. Não me tirem a Venda Ambulante, é o meu pão de cada dia” – sublinhou.

Como se quer acabar com esta tradição?

Rute Carreira, referiu “sou cliente do Mercado da Verderena há vários anos, é uma tradição”.
“Como se quer acabar com esta tradição?” – interrogou.
Por outro lado, salientou que os vendedores do Mercado da Verderena – “estão juntos há vários anos, porque os querem separar”.

Que o diga de uma vez que não quer o Mercado

José Mota, representante dos Vendedores da Verderena, salientou que pode falar-se em tradição quando se fala em Mercados de Venda Ambulante, e recordou que nas reuniões com a Câmara Municipal do Barreiro foram analisados aspectos como : organização do Mercado; Gestão do Mercado e funcionamento do Mercado, referindo que – “já respondemos a todas estas questões”.
“A Câmara Municipal do Barreiro faz como Pilatos, os vendedores que encontrem solução” – sublinhou.
Na sua intervenção sublinhou que de acordo com a legislação compete à Câmara “fazer a gestão de espaços de fornecimento de bens e serviços”.
“Ou a Câmara Municipal do Barreiro quer a existência do Mercado de Venda Ambulante ou não quer, se quer que o diga e projecte” – sublinhou, acrescentando – “a Câmara Municipal do Barreiro a única coisa que é capaz de dizer é que não tem espaço”.
“Que o diga de uma vez que não quer o Mercado” – afirmou, José Mota.

É uma sentença de morte lenta.

Rosa Bernardo, referiu – “Sou Tendeira. Nasci no Barreiro. Toda a vida cá vendi. Em tida a vida política nunca vi um Presidente que quisesse acabar a Venda Ambulante”
Sublinhou que a carta que recebeu a comunicar o fim da sua actividade como Vendedora Ambulante – “É uma sentença de morte lenta”.
Referiu que aos mais de 100 vendedores do Mercado da Verderena – “não nos é possível vender fora da área de residência”.
“Esta injustiça está a tempo de ser reparada” – sublinhou, acrescentando – “Mercado da Verderena dá de comer a muitas famílias, de todas as etnias”.
“Dêem-nos uma oportunidade. Nós sabíamos que o Mercado da Verderena não ia durar para sempre” – sublinhou.
Rosa Bernardo, salientou que – “não temos ordenado, pagamos os nossos impostos, pagamos Segurança Social. Agora estão a cortar-nos as pernas”.
“Tenho um cartão com 33 anos de Vendedora Ambulante. Onde vou agora pedir emprego? Onde vai uma Tendeira arranjar emprego?” – sublinhou.

Em jogo Venda Ambulante e Mercado Abastecedor

José Casimiro, Vendedor do Mercado Abastecedor do Barreiro, recordou que “o encerramento do Mercado da Verderena vai afectar-nos”.
“Vendo mais à Verderena aos sábados que aos outros todos” – sublinhou.
Na sua opinião é preciso que haja “alternativa para arranjar espaço para esta gente”, porque, referiu, “está em jogo a Venda Ambulante e o Mercado Abastecedor”.

Nós queremos o nosso espaço de trabalho

Clarinda Serrão, referiu – “Sou Cigana. Os ciganos vivem da venda, os meus avós e os meus pais já viveram. Está na cultura dos ciganos a Venda Ambulante. Se nos tiram este modo de vida que vamos fazer.”
Na sua intervenção referiu que – “50% de nós não sabe ler, nem escrever, não é com esta idade que me vão tirar o meu modo de vida”.
Sublinhou que a carta que recebeu é como estivessem a dizer : “A partir de hoje vais deixar de poder trabalhar. Foi como espetarem um punhal no
meu peito”.
“Sempre trabalhei. O trabalho faz parte da minha vida. Apelo ao vosso bom senso para resolver esta situação, antes que possam ter problemas mais graves. Não vamos baixar os braços e vamos lutar até à últimas consequências” – sublinhou, acrescentando – “Somos seres humanos com direitos. Nós queremos o nosso espaço de trabalho”.

Mercado de Rua é uma tradição

José Janeiro, Operador no Mercado Abastecedor do Barreiro, referiu que o encerramento do Mercado da Verderena vai dar origem a – “falta de clientes no Mercado Abastecedor, mais uma brecha que se vai abrir na nossa actividade”.
“O Mercado de Rua é uma tradição é preciso arranjar uma alternativa” – sublinhou.

Fechar uma fábrica e despedir 150 trabalhadores

Vilar António, referiu – “Já vendi no Bairro das Palmeiras. Neste tempo todo, nunca houve um Presidente que dissesse o Mercado vai acabar”.
“É como fechar uma fábrica e despedir 150 trabalhadores” – referiu, acrescentando – “que vão fazer os trabalhadores, ficam à porta da fábrica”.
Recordou que Almada tem diversas Praças Públicas com Venda Ambulante.
“O que queremos é um espaço livre para fazermos negócio na rua” – sublinhou.
“Fui sempre pobre. Preciso de ganhar dinheiro para o meu dia a dia” – afirmou, finalizando – “Por favor, não fechem a nossa fábrica!”

Há muitas famílias dependentes deste mundo

Sérgio Flores, salientou – “O Mercado da Verderena para nós é como uma fábrica, se a fábrica fechar, estamos todos desempregados. Há muitas famílias dependentes deste mundo.”
Salientou que a divisão dos feirantes do Mercado – “não é solução, porque todos juntos formamos o Mercado”, referindo a interdependência e multidisplinaridade de actividades que atraem os clientes.
A finalizar referiu que caso não exista solução – “têm que abrir mais postos de polícia, porque vamos todos roubar”.

Após a intervenção do público iniciou-se a Ordem de Trabalhos da reunião Extraordinária da Assembleia Municipal do Barreiro, tendo como único ponto :Análise da proposta de extinção do Mercado Bissemanal da Verderena.”
Trataremos esta matéria noutra nota de reportagem.

2.8.2007 - 12:04

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