Conta Loios

moldura

Almada - Do que é que somos feitos
de Andréya Ouamba com encenação de Catherine Boskowitz

Almada - Do que é que somos feitos <br />
de Andréya Ouamba com encenação de Catherine BoskowitzNuma Brazzaville em pleno conflito armado, o coreógrafo recorda o dia em que, ainda muito novinho, e com risco da própria vida, enfrentou no seu caminho militares prontos a disparar até mesmo sobre uma criança

Terça-feira, às 18h, na Esplanada da Escola D. António da Costa, temos conversa com os autores e intérpretes de País clandestino: Florencia Lidner, Jorge Eiró, Lucía Miranda, Maëlle Poésy e Pedro Granato. O colóquio será moderado pelo crítico Jorge Louraço. Para quem ainda não viu, às 18h30, no TMJB, ainda pode ver Se isto é um homem, de Primo Levi; à mesma hora no Seminário de S. Paulo, em Almada, Juni Dahr faz de Joana d’Arc; às 20h30, no Palco da Esplanada, temos música da Europa Oriental com os Tchekov Trio; às 21h, em Cascais, continua em cena, O sonho, com encenação de Carlos Avilez; às 22h, no Palco Grande, Do que é que somos feitos?!

Numa Brazzaville em pleno conflito armado, o coreógrafo recorda o dia em que, ainda muito novinho, e com risco da própria vida, enfrentou no seu caminho militares prontos a disparar até mesmo sobre uma criança. Um caminho que representava um atalho, pois o medo que tinha do pai e de que este se desse conta da sua ausência de casa era ainda maior. Andréya Ouamba (n. 1975) é bailarino e coreógrafo. O seu trabalho tem-se construído a partir do que encontra em seu redor. O artista congolês vê nesse episódio bastante mais do que uma historieta para contar aos netos. Em África, o respeito devido aos mais velhos permanece um valor superior a qualquer outro. Dessa reflexão nasceu uma dúvida: será que não há uma ligação entre a autoridade paternal alimentada pela educação no seio familiar e a reprodução de regimes políticos autoritários e paternalistas? Não sem audácia, Ouamba afirma uma desafiante emancipação filosófica. Fá-lo ao lado do escritor camaronês Kouam Tawa (n. 1974), um homem que se dedica à escrita literária, ao teatro e à pedagogia em oficinas de escrita, e da encenadora francesa Catherine Boskowitz (n. 1959), uma mulher que tem desenvolvido um trabalho sobre o lugar e o papel da arte nas sociedades contemporâneas. Em 1985 criou a Companhia ABC.
Do que é que somos feitos? De ideias feitas apresentadas como heranças que é necessário questionar.

Do que é que somos feitos?!
Proposta coreográfica para quatro intérpretes de Andréya Ouamba
Encenação de Catherine Boskowitz

CONCEITO E COREOGRAFIA: Andréya Ouamba
DIRECÇÃO DE ACTORES: Catherine Boskowitz
TEXTOS: Kouam Tawa
CENOGRAFIA E VÍDEO: Jean Christophe Lanquetin (com Arnaud Granjean)
DESENHO DE LUZ: Cyril Givort
MÚSICA ORIGINAL: Press Mayindou
INTERPRETAÇÃO: Andréya Ouamba, Clarisse Sagna, Kouam Tawa, Press Mayindou

COMPAGNIE 1ER TEMPS (Dakar, Senegal) e COMPAGNIE ABC (Paris, França)
Co-produção: Théâtre de la Ville, Atelier de Paris Carolyn Carlson, Pôle-Sud CDCN Strasbourg e Cité internationale des arts

LÍNGUA: Francês (legendado em Português)

ESCOLA D. ANTÓNIO DA COSTA | PALCO GRANDE | M/12
16 JUL | TER | 22H
PREÇO: 15€

13.07.2019 - 20:50

Imprimir   imprimir

PUB.

Pesquisar outras notícias no Google

Design: Rostos Design

Fotografia e Textos: Jornal Rostos.

Copyright © 2002-2019 Todos os direitos reservados.