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Plataforma Cívica Aeroporto BA6-Montijo Não
Reunião entre o governo e líder do PSD aumenta caldo de “confusão” e dispersão de localizações

Plataforma Cívica Aeroporto BA6-Montijo Não<br />
Reunião entre o governo e líder do PSD aumenta caldo de “confusão” e dispersão de localizações . Governo e PSD resolveram afastar o LNEC da execução dos estudos

"A questão aeroportuária não é, em primeira instância, uma questão de localização, mas sim de que solução o país e a região de Lisboa, e os portugueses espalhados pelo mundo, precisam para defender, proteger e valorizar o seu único HUB. HUB de Lisboa e HUB da TAP.", sublinha a Plataforma Cívica Aeroporto BA6-Montijo Não.

Coligação negativa admite “soluções” a pedido.

Após a criação de alguma expectativa, destinada a fazer crer que o assunto ia ser tratado com profundidade e rigor, a reunião de ontem, 23 de setembro de 2022, entre o governo e o líder do PSD saldou-se por umpequeno conjunto de afirmações, algumas desnecessárias.
Ficou a saber-se que os intervenientes na reunião aceitaram incluir na chamada AAE, Avaliação Ambiental Estratégica, uma dita solução de localização de um aeroporto a pedido.

Afirmação desnecessária terá sido o “consenso” de que iriam existir negociações com a concessionária de todos os aeroportos portugueses, para se desencadearem as obras na Portela.
Nada mais absurdo já que essa é uma prerrogativa e obrigação da ANA Aeroportos/VINCI, constantes no Contrato de Concessão.
Ficou a saber-se que, em vez de se discutir que solução aeroportuária Lisboa e o país precisam, se abordou a metodologia e o “timing” para a dita AAE.

Ficou a saber-se que, governo e PSD, resolveram afastar o LNEC da execução dos estudos e, assim, ficou clara a desconsideração e desvalorização das instituições públicas, isentas e independentes, do país. Simultaneamente, passaram um atestado de incompetência e
menoridade sobre o conjunto da comunidade científica portuguesa. Ordens profissionais e universidades incluídas.

Não deixa de ser tendencioso, e até insultuoso, insinuar que o LNEC não teria isenção suficiente já que defendeu “Alcochete”. Nada mais falso e ignóbil. O LNEC fez o que lhe foi pedido pelo governo: Procedeu a uma comparação com base numa avaliação técnica, económica, financeira e ambiental na base dos factores críticos para a decisão. Quem homologou esse relatório foi o governo tal como era sua competência.
O próprio líder do PSD chegou a sugerir o envolvimento do MIT neste processo como se os técnicos portugueses fossem uns incapazes. Nem de propósito cabe aqui citar as palavras do Presidente Jorge Sampaio aquando das comemorações do 50º aniversário do LNEC:

“(…) Gerações e gerações de técnicos competentes, de especialistas reconhecidos internacionalmente e de investigadores de grande mérito têm sido formados nos seus departamentos e centros, conseguindo atingir as fronteiras dos conhecimentos e o estado da arte de bem fazer nos respetivos domínios” (fim de citação).
O que tal evidencia é o receio de que as instituições científicas portuguesas se viessem pronunciar por uma verdadeira e estratégica solução aeroportuária para o país como é o caso do NAL no Campo de Tiro de Alcochete.

Ficou igualmente a saber-se que irá ser constituída uma “comissão técnica independente”, que terá um coordenador geral, e uma “comissão de acompanhamento”. Restará saber-se de que independência estão a falar e em relação a quê e a quem.
Certamente não se tratará de independência face à VINCI já que esta “metodologia” parece agradar à dona da concessionária.
Quando se quer “conduzir algo”, nada melhor do que criar uma comissão. Estranho é, também, que num país onde tudo se sabe e onde o segredo de justiça é banalizado e reduzido a escombros, possa haver uma solução que anda a ser estudada há três anos e nada se tenha
sabido de que estudos e planos ela contém. Ao invés apenas se conhece uma ideia de localização que, aliás, parece ter sido pedida aos promotores para aumentar o caldo de “confusão” e dispersão de localizações. Como elemento de diversão não podiam ter escolhido melhor.

A questão aeroportuária não é, em primeira instância, uma questão de localização, mas sim de que solução o país e a região de Lisboa, e os portugueses espalhados pelo mundo, precisam para defender, proteger e valorizar o seu único HUB. HUB de Lisboa e HUB da TAP.
Por isso são também preocupantes as notícias que indiciam a possível reprivatização/compra da companhia aérea portuguesa.
Tal intenção, após o investimento feito pelos portugueses para salvar a TAP, não pode deixar de ser levado em conta neste processo cada vez mais opaco e menos transparente.

A Plataforma Cívica
24 de setembro de 2022

24.09.2022 - 20:11

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