Conta Loios

cultura

Arte Viva estreia “A rua do Inferno”
Três cores dão a dimensão das emoções da vida

Arte Viva estreia “A rua do Inferno”<br>
Três cores dão a dimensão das emoções da vida Arte Viva – Companhia de Teatro do Barreiro levou à cena o seu novo espectáculo :”A Rua do Inferno”, de António Onetti, com encenação de Rui Quintas.
Uma brilhante presença de três mulheres em palco. Força nas emoções. Força nos gestos. Força nas palavras. Se não acredita …vá ao Teatro Municipal do Barreiro e descobrirá as cores da vida.

Um cenário que nos coloca como observadores de três vias, que são afinal os três caminhos seguidos por três mulheres.
Movimentos que nos conduzem aos ritmos do quotidiano. Na cores alucinantes. Numa viagem ao mundo de dentro e ao mundo de fora de cada personagem. Talvez até ao mundo dos ovnis.
Sentimos que a vida está sob o fio da navalha. A morte está ausente e presente ao longo da peça, colocando-nos perante este paradoxo de não sabermos se a personagem está viva ou se está morta, ou, até, se a própria sobrevivência nos dias, num quotidiano desdobrado entre o ser e o parecer, não é um simbolismo que nos conduz a sentir o ritmo do coração – o pulsar da vida.
Pode ser um supermercado, ou outro local qualquer, onde o “preço” e os “valores” estão afixados numa monotonia repetitiva.
Talvez, até, apenas, o som da faca do talhante, subitamente quebrado ( porque alguém foi fumar um cigarro), seja o silêncio que nos acorda, para pensarmos, todas as paixões acorrentadas na banalidade dos dias, colocando em aberto a dúvida, que nos obriga a pensar no amor, e na distância que vai entre o amor e o sexo. Entre o instinto e a consciência. A partilha. A amizade. O cinismo.
São muitas perguntas que podemos colocar a nós mesmos à medida que as personagens se vão despindo nas suas interioridades, numa cumplicidade freudiana.
São muitas as encruzilhadas que vamos encontrar ao longo do espectáculo, na medida em que formos capazes de mergulhar nos discursos que nos dão a conhecer o drama e a comédia de cada personagem.
Três mulheres que se mostram nas suas dores, paixões, ambições e sonhos, dizendo-nos, claramente, que há uma vida exterior ( que nos conduz a viver a banalidade do corpo) e uma vida interior que nos dá a entender o ritmo da “roda da vida”. Os sonhos vividos e os sonhos adiados
A vida tem, afinal, o sentido que todos nós lhe damos, e pode ser vivida, tanto mais, quanto mais formos capazes de sentir o ritmo do coração.
Uma roda gigante. Um bater do coração. Um desdobrar de personalidades.
Genoveva Pimpista e Paula Magalhães, numa luta, de palavras e gestos, de violência e força plástica encantadora, são protagonistas de um dos momentos mais belos do espectáculo. Uma dança que é uma luta e, é, ela mesma, a dimensão dos dias nessa roda gigante da vida.
Ângela Farinha, no cimo da roda, na beira do abismo, faz-nos viver outro belo momento, marcado de emoção, onde, talvez, uma lágrima e um sorriso, nos fazem sentir a sua dança embriagada e a força do ritmo da vida.
È esta personagem que nos aponta um caminho, de certa forma, aquele que conduz à necessidade de enfrentarmos os acontecimentos, sabendo que quando um dia cairmos, será necessário, depois erguermo-nos e começar de novo…e voltar ao “inferno da rua”.
Três mulheres imponentes. Vivem três personagens empolgantes.
Uma encenação que nos dá a dimensão da cor, do ritmo e da emoção dos dias.
Vá ao teatro…

Os espectáculos são às Sextas e Sábados pelas 22h no Teatro Municipal do Barreiro. Rua Vasco da Gama no Centro Comercial Pirâmides. Em cena até meados de Junho.


A Rua do Inferno
Ficha Técnica

Autor : António Onetti
Tradução : António Gonçalves

Encenação e Direcção de Actores: Rui Quintas
Assistência de Encenação : Patrícia Mendes

Actores :Ângela Farinha; Genoveva Pimpista,Paula Magalhães

Musica: Nuno Fernandes
Figurinos :Pessoa Júnior
Guarda Roupa : PessoaJúnior e Lila Amaral Dias
Cenografia e Afreços : Sara Franqueiro
Desenho de Luz: Rui Quintas
Cartaz : Nuno Fernandes
Operadores de Luz e Som: Jorge Ferreira e Nuno Fernandes
Técnicos : Dário Valente e Carlos Tainha
Fotografia :Cláudio Ferreira
Divulgação :Milucha
Dança :Ana Bela Oliveira

Sobre o Autor - AntonioOnetti

Nasceu em Sevilha, em1962. Iniciou a sua carreira num a Companhia de Teatro local, mesmo antes de inciar os seus estudos na Real Escuela Superior de Arte Dramático eno Centro Nacional de NUevas Tendências Escénicas –ambas em Madrid.
A sua primeira peça “Los Peligros de la jungla, de 1985, ganhou o segundo prémio do Maqrués de Bradomin; em 1988,”Marcado por el tipex”, ganhou o mesmo prémio.
Desde aí, Onetti, tem publicado vários títulos, formando uma larga obra teatral.

A Rua do Inferno e as Actrizes

“E se um dia percebêssemos que a nossa vida não passava de uma viagem de uma roda gigante a girar ao contrário num parque de diversões?
É o retrato de uma história vivida por uns, o sonho de outros…É a história de três mulheres, amigas, colegas que partilham tudo não partilhando nada, porque acima de tudo, o caminho por onde levamos a nossa vida, só à nossa solidão diz respeito!”

Angela Farinha

“Uma, duas, três mulheres.
Uma noite de feira.
Uma roda gigante.
Um supermercado.
Um concurso de sevilhanas.
Três, duas, uma mulher…ou como a vida com todos os seus desejos, frustrações, egoísmo e alegrias, cabe no segundo de um bater de coração”

Paula Magalhães

“A Rua do Inferno…
… Um universo aparentemente feminino, pois…afinal…mais não é do que a manifestação de múltiplos desejos, múltiplas fantasias que “rodam” numa “roda gigante” chamada vida.
Três mulheres…uma mulher…um desdobrar de intenções, de personalidades, apenas conseguido através de …um..coma?”

Genoveva Pimpista

18.4.2005 - 3:23

Imprimir   imprimir

PUB.

Pesquisar outras notícias no Google

Design: Rostos Design

Fotografia e Textos: Jornal Rostos.

Copyright © 2002-2022 Todos os direitos reservados.