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Teatro Municipal de Almada
«TROILO E CRÉSSIDA» ESTREIA A 29 DE ABRIL

Teatro Municipal de Almada<br>
«TROILO E CRÉSSIDA» ESTREIA A 29 DE ABRIL<br>
A estreia em Portugal de Troilo e Créssida – uma obra de Shakespeare ainda não apresentada no nosso País – ocorre no dia 29 de Abril no Teatro Municipal de Almada.

A obra, com tradução de António Conde, era um velho projecto do encenador Mário Barradas, que morreu meses antes de se iniciarem os ensaios. A Companhia de Teatro de Almada e os seus associados nesta co-produção (a Companhia de Teatro de Braga e a Companhia de Teatro do Algarve) tomaram de imediato a decisão de manter o projecto, como uma forma de homenagear Mário Barradas.

Joaquim Benite, director do TMA, e José Martins encarregam-se agora da encenação, depois de um convite para esse efeito ao encenador suíço Michel Kullemann não se ter podido realizar, por doença deste actor e encenador.
A cenografia e os figurinos são do francês Christian Rätz, cenógrafo do Théâtre National de Strasbourg, em cuja escola Mário Barradas fez a sua formação.
No espectáculo participam 20 actores, entre os quais Luís Vicente, Marques D’Arede, Carlos Santos, Luzia Paramés, Alberto Quaresma, Maria Frade, André Gomes, Jaime Soares, Ivo Alexandre e Mário Spencer. Os papéis titulares são representados pelos jovens actores André Laires e Mónica Lara, ambos da Companhia de Teatro de Braga.

Troilo e Créssida é a última peça escrita por Shakespeare, que aproveitou o conflito entre Tróia e a Grécia, em consequência do rapto de Helena, esposa do rei Menelau, por Páris, para desenvolver uma das teias mais complicadas da sua dramaturgia, em que a guerra e a violência, por um lado, e o amor, por outro, constituem os pólos dominantes da esfera de temas que se entrelaçam. Os heróis mitológicos helenos, como Aquiles, Ulisses, Páris, Príamo, Agamémnon, Pátrocolo, Ájax, são aqui tratados, na generalidade, como políticos hábeis e sem escrúpulos, ambiciosos e não preparados para a responsabilidade das funções que desempenham. Troilo e Créssida são, no seu projecto amoroso, as vítimas desta engrenagem em que se incluem e que não logram vencer ou ludibriar. A peça acaba, como muitas outras de Shakespeare, numa mortandade que nos faz reflectir sobre a vida e o sem sentido de muitas acções humanas.
Considerado um texto menor ao longo de quase dois séculos – foi escrito no início do século XVII –, Troilo e Créssida impressionou grandes criadores contemporâneos pela crueza com que retrata o carácter duvidoso dos heróis da Guerra de Tróia, mais interessados na afirmação dos seus interesses mesquinhos e venais do que num esforço colectivo de vitória. Paixões ocultas, combates à espada, jogos de pura intriga ou de desbragada comédia enredam as personagens, que, embora provenham da tradição grega antiga e da literatura inglesa medieval, estão muito próximas da insegurança anti-heróica em que hoje vivemos, das estratégias com que tentamos sobreviver num mundo de enganos, de um genuíno apego à vida, menos preocupado com moralizações fáceis do que com a compreensão do tempo que nos coube.

Para Joaquim Benite, que acaba de estrear Tuning, a nova peça do jovem dramaturgo Rodrigo Francisco, seu habitual colaborador, «Troilo e Créssida é o resultado da mistura de muitos ‘estilos’, que, como por milagre, constituem o elemento da unidade essencial do que pode considerar-se o ‘estilo do teatro shakespeareano».
De Shakespeare, Joaquim Benite encenou já duas versões de Othelo (1993 e 2005), O Mercador de Veneza e uma adaptação de Timon de Atenas (estreada no Festival de Mérida de 2008). Este último texto, agora na sua versão integral e com tradução de Yvette Centeno, será uma das suas próximas encenações e deverá estrear no TMA em Maio de 2011.

William Shakespeare nasceu em Stratford-upon-Avon, cerca de 1564, e morreu na mesma cidade inglesa, em 1616. Poeta e dramaturgo – além de actor –, Shakespeare é um dos nomes maiores do teatro mundial. Entre 1590 e 1613 escreveu quatro dezenas de peças e vários poemas – entre eles, os famosos sonetos –, que continuam a impressionar públicos de todas as épocas e latitudes. Tendo desenvolvido em Londres toda a sua carreira criativa – trabalhando em espaços como o Thee Theatre, Curtain Theatre, e o famoso Globe Theatre (um edifício a céu aberto, de forma octogonal, actuando os actores ao centro, sobre uma plataforma rectangular) – Shakespeare legou-nos um incomparável fresco da Humanidade, nas suas grandezas e misérias, mas também nos seus cómicos enganos e mediocridades. Entre os géneros teatrais que cultivou – comédias, peças históricas, tragédias e tragicomédias –, engendrou intrigas e personagens que, ainda hoje, são sinónimo do próprio teatro. O ciúme de Othelo, as hesitações de Hamlet, o amor inabalável de Romeu e Julieta, a fúria assassina de Macbeth, o enfatuamento de Falstaff, a amargura de Lear ou os sortilégios de Próspero há três séculos que, nos mais variados campos, inspiram sublimes e profundas criações artísticas, desde a encenação teatral à realização cinematográfica, da pintura à música erudita, da literatura à dança.

17.4.2010 - 13:13

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