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Por dentro dos dias - Barreiro
As percepções são meras projecções
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Sim, o Barreiro tem potencialidades, mas nunca, mesmo nunca, o Barreiro sozinho, sem o envolvimento do(s) governo(s) conseguirá dar a volta e enquadrar-se na grande cidade da AML.
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Um dia, em tempos idos, li aquela frase de um poeta, o caminho faz-se caminhando, com avanços com recuos, com momentos felizes, com momentos tristes, mas, de facto, todos eles são momentos de aprendizagem. Aprendemos fazendo. Errando e melhorando.
Outra coisa que aprendi, com a vida vivida, foi aquela frase que estava num moldura da Colectividade que tive a honra de dirigir durante décadas, a velhinha SFAL. Lá estava escrito, sempre foi mais fácil criticar que fazer.
Faz hoje, dia 10 de Julho, 44 anos que fui admitido como associado e, em todo este tempo, ali, vivi momentos inesquecíveis. Era então o meu amigo Hernani o presidente da Direcção. Foi antes de Abril acontecer e eu, digo-vos, já sentia os cravos de Abril a florescer nos meus nervos, esse sonho pela palavra Liberdade.
O tempo passa e nós vamos sentindo que há projectos que começam a ficar adiados, metidos na gaveta, porque os afazeres imensos, não dão mesmo para chegar a todo o lado, mas, nestas vivências do quotidiano dá para sentir como há muita vida, uma intensa actividade que mobiliza e motiva milhares de pessoas a agir e fazer cidade e cidadania.
É isso que sinto, quando diariamente me envolvo nesta actividade de fazer jornalismo local, e, digo-vos a maior alegria é sentir que este é um trabalho que vale a pena, sim, vale a pena porque tem leitores e, é por eles, para eles que sinto que vale a pena continuar a caminhar, porque, afinal, o caminho faz-se caminhando.
Uma cidade está viva no seu pulsar, nas suas mudanças e nos seus projectos.
Há uma grande diferença entre o sentir e discutir a cidade e a discussão que, por vezes, se faz em torno de objectivos táctico-partidários. Afinal a cidade continua a pulsar e a viver para além desses discursos que, muitas vezes, não motivam sequer para pensar a cidade, mas apenas para nos afastar e sentir a forma como os políticos se posicionam na forma de pensar e sentir a cidade. Tácticas.
O Barreiro continua a ser uma cidade que se agita, pessoas que se associam e movimentam nas actividades desportivas, criadores que divulgam os seus projectos culturais.
Dou comigo por vezes a pensar que em vez de se pensar a cidade, unir vontades e juntar esforços, há quem considere essencial partir de percepções – as ervas, o lixo, e, em torno disso – que sendo importante para a qualidade de vida, que não existam situações lamentáveis - não é por aí que se perspectivam caminhos para caminhar.
As percepções são meras projecções. Entre a percepção e projecção vai a distância, inerente, dos objectivos que se pretendem alcançar – votos.
Entretanto, ignoramos que o Barreiro que temos hoje, muito diferente, mas mesmo muito diferente, daquele que tínhamos há quarenta anos, mudou, mudou mesmo muito, mas não conquistou ao longo deste tempo uma das suas potencialidades ter emprego e atrair a criação de emprego.
O Barreiro, já o disse mais que uma vez, teve na sua história três patrões, após a fase agrícola do seu território – foram os ferroviários, foi a CUF e foram os construtores civis.
Hoje o Barreiro tem um tecido empresarial feito de micro, pequenas e médias empresas, gente que é patrão de si mesmo e que arregaça as mangas todos os dias.
Depois temos como grande empregador a função pública – autarquias, hospital, escolas, tribunal, sector da saúde e assistência social. Grande empresa, privada, temos uma a FISIPE, e, com menor dimensão a SOVENA.
O Barreiro que temos hoje, podem crer, é o resultado de mais de 40 anos de desinvestimentos públicos ou privados. E essa é discussão que todos devíamos fazer, porque é por aí que passa o futuro.
Foi por isso que gostei do discurso do Primeiro Ministro, António Costa, na sua recente visita ao Barreiro, sublinhando que para encontrar soluções para os territórios vazios – à espera de oportunidades de investimento – tem que existir uma estratégia concertada entre o governo e a autarquia.
Não vale a pena estar a apontar o dedo a culpados. Chegámos aqui, agora é preciso caminhar, porque o caminho faz-se caminhando. É preciso investimento. É preciso que se desenvolvam projectos âncora. É preciso potenciar o território do concelho do Barreiro e o tornar atractivo, quer no território da Baía do Tejo, quer nas suas potencialidades na zona de Coina - uma centralidade da península. E com a Mata da Machada e Sapal de Coina que, acredito, um dia será o grande «central parque, deste concelho-cidade. Porque ali existe história e ecologia, elementos que marcam as formas de pensar as cidades do futuro.
Sim, até existem referências ao nível do património, como bem disse o Miguel Honrado, Secretário de Estado da Cultura, que podem e devem ser dinamizadas e, mais uma vez, digo-vos gostei de ouvir que, para tal, é necessário o envolvimento de diversos sectores governamentais.
Sim, o Barreiro tem potencialidades, mas nunca, mesmo nunca, o Barreiro sozinho, sem o envolvimento do(s) governo(s) conseguirá dar a volta e enquadrar-se na grande cidade da AML.
O dia que Lisboa olhar para esta margem como sua continuidade…um novo caminho irá começar, até, lá, vamos mudando, vamos transformando, vamos melhorando e vamos esperando.
Tudo isto, porque vivi um fim-de-semana a correr de um lado para o outro, das Escolas de Futebol do Benfica, para o lançamento do livro de Isabel Mateus Braga, a inauguração da sede do Rotary Clube do Barreiro, passando pelo Moinho de Alhos Vedros, na Moita, e vi, de facto, a cidade e região agitar-se e viver intensamente a vida, no Alto do Seixalinho, na Praça de Santa Cruz e até na rua da minha velhinha SFAL, e, ali, a Baixa da Banheira em festa.
Ah, é verdade e ver o Tejo a «florir» com dezenas de velas de forma graciosa a dar alegria e juventude, com a prova promovida pelo Clube de Vela do Barreiro. E, na Biblioteca Municipal a música do futuro numa iniciativa da OU.TRA.
E ainda houve tempo para a reportagem do lançamento da 1ª pedra a reivindicar a construção do Centro de Saúde do Alto do Seixalinho e marcar presença na apresentação do candidato do PNR à presidência da Câmara Municipal do Barreiro.
Isto é lindo! Esta é mesmo uma cidade que pulsa vida.
E, no meio de tudo isto pensava, se existissem recursos humanos tanto trabalho que há, sempre por aqui, para fazer jornalismo, dar noticia e demonstrar que somos uma terra com vida.
Acredito que o caminho faz-se caminhando, por isso, cá vamos fazendo o possível e proporcionando aos nossos leitores um pouco do muito que se faz, não como percepção mas como projecção da vida real. É que temos mesmo leitores! E eles merecem o nosso respeito e dedicação. Os outros, os que não nos lêem esses, não contam, estão excessivamente «politizados».
E, de facto, uma coisa temos a certeza… isto vai, isto vai!
O importante é ser resiliente e nunca desistir, afinal, é esta a lição do Barreiro. Nunca desistir.
António Sousa Pereira
10.07.2017 - 21:00
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