inferências
“Conversas do Palácio”com o presidente da Câmara do Barreiro
“Faço uma avaliação positiva do trabalho realizado pela CDU nestes dois anos”
Ontem realizou-se, no Restaurante Palácio Alfredo da Silva, mais uma “Conversa do Palácio”, desta feita com a presença do presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, sob o tema: “Dois anos depois, tempo de balanços e perspectivas”.
E de balanços, o edil barreirense expressou: “Faço uma avaliação positiva do trabalho realizado pela CDU nestes dois anos”. E apesar dos problemas de desenvolvimento económico e de desemprego que aponta, no concelho, considera que se “estão a abrir expectativas” e por isso expressa: “Estamos a viver a melhor experiência para o Barreiro”.
“Globalmente estamos a concretizar parte da estratégia”
Volvidos dois anos de mandato, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, considera: “globalmente estamos a concretizar parte da estratégia”, não deixando de sublinhar que o programa eleitoral apresentado pela CDU tinha “poucas coisas concretas” e que se baseava “mais na estratégia do que em promessas eleitorais”. E em jeito de balanço, comentou: “foram dois anos de um salto qualitativo e quantitativo muitíssimo grande”. Não deixando ainda de advertir: “Ainda há muito trabalho a fazer. Estamos longe das eleições e só gostava de pensar em eleições depois de 2008”. Do ano de 2008 diz ser um ano de “concretização de acção”.
”O Barreiro tem de ser uma centralidade numa área metropolitana polinucleada”
Ao referir que “as coisas estão a correr relativamente bem”, chama a atenção para o trabalho que assenta em algumas ideias-chave, das quais destaca: ”O Barreiro tem de ser uma centralidade numa área metropolitana polinucleada” e sublinha que o trabalho tinha de ser feito “para que o Barreiro fosse um desses pólos”. Uma questão que diz ser estratégica e acrescenta: “os passos que foram dados, as parcerias que foram conseguidas, as que se estão a construir, a estratégia e a visão estratégica que se está a concretizar leva a pensarmos que é possível que o Barreiro venha a assumir esse papel de núcleo central da área metropolitana no arco ribeirinho sul.”
“Não concebo este projecto de construção de Cidade, de cidadania, de desenvolvimento, de centralidade, sem a participação dos cidadãos”
Outro aspecto que destacou foi a questão da participação, democracia e cidadania, o que diz ser “um elemento central da estratégia da Câmara Municipal” e, sobre a qual, comenta: “Era aproveitar as capacidades, hábitos e tradições da população do Barreiro para construir soluções em conjunto”, o que considera ser uma “mais-valia” e que o leva a advogar: “Não concebo este projecto de construção de Cidade, de cidadania, de desenvolvimento, de centralidade, sem a participação dos cidadãos”. E em relação ao trabalho desenvolvido pela Câmara sobre estas questões refere que “o que fizemos até hoje, conseguimos, para o futuro temos de fazer mais, mas fundamentalmente temos é de fazer melhor”. Do ponto de vista programático considera que estava bem desenvolvido e sublinha ”quem leu com menos atenção o programa eleitoral acho que confundiu participação de democracia participada com Opções Participadas”, quando reitera que existem múltiplos instrumentos de participação.
“O maior problema do Barreiro é de desenvolvimento económico e desemprego”
Não deixou de sublinhar que “o maior problema do Barreiro é de desenvolvimento económico e desemprego” e que esse desenvolvimento não se “desliga da centralidade que se pretende construir para o Barreiro” e acrescenta que “sabendo que as autarquias têm uma capacidade limitada”, e não se tratando da sua competência nessa área, mas defende ser esse “um elemento estratégico e diferenciador”. Relativamente à situação económica do concelho refere que “a realidade não é boa, continua a ser difícil, mas as perspectivas começam a abrir-se”.
Como segundo maior problema do concelho, considerou as questões da mobilidade e das acessibilidades, o que diz exigir intervenções e medidas, e nesse âmbito refere: “também estão a ser dados passos importantes e estratégicos”.
Estratégia na Educação e Formação – “acho que aí, ainda estamos atrasados”
O que considera que está mais atrasado no Barreiro é a questão da Educação, Formação e Emprego, e que por serem alicerces determinantes na construção de uma cidade, diz ser necessário que “o factor humano atinja outras qualidades”, particularmente nas camadas mais jovens da população e, por isso, sublinhou a importância de se “fazer uma aposta determinante na educação e na formação”, através de uma estratégia e admite: “acho que aí, ainda estamos atrasados” mas adianta: “os caminhos também se vão construindo”.
“O que para mim é mais importante é concretizar o que o Barreiro precisa, tanto faz que venha da CDU ou do PS”
Na conversa que se seguiu, foi questionado ao edil barreirense qual a sua reacção face à crítica de que o que os trabalhos que estão a ser feitos no Barreiro, foram herdados do Partido Socialista, nomeadamente em relação ao projecto Polis e Quimiparque, ao que Carlos Humberto contestou: “O que para mim é mais importante é concretizar o que o Barreiro precisa, tanto faz que venha da CDU ou do PS” e adiantou que o Polis que está a ser construído “é uma pequena parte da proposta que Pedro Canário fez ao Governo e que não foi aceite”. E da Quimiparque defendeu: “O que é importante é que o Barreiro ganhe” e adiantou: “O Plano Estratégico Muda-Barreiro, do arquitecto Manuel Salgado, era um projecto da Câmara, o Masterplan é um projecto da Quimiparque e o de hoje é um projecto que está a ser construir entre a Quimiparque e a Câmara” e rematou: “o caminho que foi feito não chegou ao ponto onde chegámos”.
Coesão inter-concelhia
Questionado se o enfoque que está a ser feito no centro do Barreiro pode vir a pôr em causa a coesão inter-concelhia, o presidente da Câmara reiterou: “Acho que essa questão não se coloca”, e acrescentou que as intervenções que estão a ser feitas no concelho não se ficam pelo centro. Ciente dessa ideia, falou nas intervenções nas freguesias de Santo André e da Verderena, ao que expressou: “Espero que daqui a um ano tenham o requalificação da Avenida da Liberdade toda feita, o Polis concluído, o novo Campo do Barreirense pronto, o prolongamento da Rua de Macau.” A respeito da freguesia do Lavradio, considerou que “também ganha” com o atravessamento da Quimiparque, que vai ser feito pelos empresário e pela Administração da Quimiparque, com a construção da Piscina de Aprendizagem e com as obras de revitalização do seu espaço exterior, do Mercado Municipal do Lavradio e da Escola nº 1. Em Coina, sublinhou “as pequenas obras que se estão a fazer” e falou na construção das infra-estruturas na Urbanização do Alto da Malhada, na construção da Estação Elevatória de Coina, da SIMARSUL, no Centro Pedagógico H2O, que ficará situado na ETA – Estação de Tratamento de Água. Do Alto do Seixalinho, fez menção ao Mercado do Levante, ao que comenta: “que é uma requalificação” e de Santo António da Charneca, referiu: “vamos ficar muito longe dos objectivos mas vamos ter intervenções qualitativas nas AUGI’s”.
Constituição de Conselhos Municipais – Saúde e Juventude
Interrogado se as iniciativas desenvolvidas no âmbito da Participação e Cidadania conseguiram de facto entusiasmar a cidade com os novos projectos que assomam, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro entendeu que sim e adiantou que a concepção da participação “não é só para gerir melhor”, ao que acrescentou: “é um acto de reconhecer os direitos e deveres de cada cidadão e de aprender com o contributo uns dos outros”. E, nesse contexto de participação, chama a atenção para a importância da constituição de um conjunto de Conselhos Municipais e adiantou que vai ser constituída um Conselho Municipal de Saúde e, na Quinzena da Juventude, o objectivo é também constituir um Conselho da Juventude.
Espaço J – “reconheço que o espaço é insuficiente e não tem todas as condições mas não vou dizer que tenho já uma solução”
Em relação a políticas para a Juventude, foi questionado se estaria previsto novas instalações para o Espaço J, ao que o presidente da Câmara comentou: “reconheço que o espaço é insuficiente e não tem todas as condições mas não vou dizer que tenho já uma solução” e acrescentou: “estamos a estudar alternativas”, sublinhando a importância de o espaço poder vir a ter outras valências, que não apenas de estudo, pois sublinha que existem no concelho outros locais para esse fim, fazendo menção à Biblioteca Municipal do Barreiro. E adiantou que “estamos a estudar para que o EL Matador entre em obras” mas disse ser importante ponderar se “a Câmara tem condições para ter dois espaços de juventude”. Referiu ainda que como apoio à política da Juventude, para além de vir a ser criado um Conselho da Juventude, os Fóruns da Juventude vão realizar-se “quando se justifiquem”.
UTIB – “uma mais valia para o concelho”
Do progressivo envelhecimento da população do Barreiro, e da necessidade de serem tomadas medidas, neste âmbito, pela autarquia, o presidente da Câmara fez menção ao papel que a Universidade da Terceira Idade do Barreiro (UTIB) tem nessa área, ao que sublinhou: “uma iniciativa que vem do mandato anterior” e que considera ser “uma mais valia para o concelho”. Questionado com o porque de a UTIB não ter surgido no seio do movimento associativo já existente no concelho, o edil barreirense comentou: “No Barreiro o que nos toca à porta são apelos para mais associações, mais sedes e a estratégia tinha de ser outra, articular o que é novo com o movimento associativo existente”. Sobre este assunto discutiu-se ainda o papel dos mais velhos e a sua importância na transmissão de saberes e conhecimentos.
Aposta nos mais novos
Chamado a atenção para a necessidade de se apostar também na infância, o presidente da Câmara insistiu na ideia de que a Educação e a Formação são áreas fundamentais e adiantou que em 2008 vão ser abertas quatro salas de Pré-primária e uma Escola do 1º Ciclo do Ensino Básico e revelou: “vamos ver se conseguimos iniciar uma outra”.
“É nesta perspectiva que entendo que o Barreiro pode ser uma centralidade, porque serve a região e o país e não porque se sirva a si próprio”
Foi também referido que houve um ganho de confiança e visão positiva por parte da autarquia, ao que Carlos Humberto sublinhou que “o discurso tem de se adaptar ao que considero ser a realidade”. Defendendo que se “estão a abrir expectativas” e, por isso, expressa: “Estamos a viver a melhor experiência para o Barreiro”. Dessa experiência, destaca o projecto para a Quimiparque, as intervenções em Alburrrica e no centro do Barreiro e a possibilidade de a 3ª Travessia sobre o Tejo passar pelo Barreiro. E ainda sobre essa realidade, acrescenta: “Há uma concepção que nós defendemos”, ao que referiu: “o País precisa de uma Área Metropolitana forte, de uma Cidade-Região que se internacionalize, que seja uma das principais capitais da Europa” e adianta que, nessa concepção, para que Lisboa assuma esse papel “é preciso que seja Lisboa –Região” e para isso é importante que cresça do ponto de vista qualitativo. E dessa cidade de duas margens, onde o Rio Tejo é o elemento aglutinador de desenvolvimento, diz ser possível só se crescer para sul e acrescenta “e se crescer para Sul, o Barreiro tem condições, por razões geográficas, de assumir este papel de centralidade”, sublinhando a importância do território da Quimiparque e “da experiência do saber fazer que é aproveitado mal” e é, nesse sentido, que comenta: “É nesta perspectiva que entendo que o Barreiro pode ser uma centralidade porque serve a região e o país e não porque se sirva a si próprio.”
“Não queremos a ponte para ir para Lisboa, mas queremos a ponte para construir essa Cidade Polinucleada”
E é na defesa dessa concepção de desenvolvimento de Cidade-Região, que sublinha a importância da 3ª Travessia do Tejo Barreiro-Chelas, destacando a ferrovia tradicional mas defendendo a solução rodo-ferroviária. Afirmando: “Não queremos a ponte para ir para Lisboa, mas queremos a ponte para construir essa Cidade Polinucleada”, acrescentou: “queremos que o Barreiro seja uma cidade para trabalhar e para viver” e, nesse sentido, refere que o propósito da nova ponte não se caracteriza pela pedonalidade Barreiro/Lisboa. E ainda sobre a 3ª Travessia do Tejo, adiantou que vai participar a 12 de Fevereiro, num debate na Ordem dos Engenheiros.
De sublinhar que a próxima Conversa do Palácio já está agendada para dia 28 de Fevereiro, com o convidado Vítor Ramalho, presidente da Distrital de Setúbal do Partido Socialista.
Andreia Catarina Lopes
4.2.2008 - 18:15
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