inferências
Diz que é uma espécie…
de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro
Por António Sousa Pereira
Pois…participação rima com respiração!
Fiquei com essa sensação, afinal, que a cidade tem mais vida para além dos partidos, principalmente, quando estes no poder se assumem com posturas de “donos da cidade”.Fiquei com essa sensação que há mais cidade…sem dúvida, para além, muito para além, dessas “filosofias” que marcam as “guerrilhas” político-partidárias, entre partidos, ou as “guerrilhas” nos próprios partidos.
Estive presente em duas iniciativas que decorreram recentemente e, nelas, registei um pormenor, que me tocou, mergulhando no pensar e sentir o quotidiano da cidade : a cidade do Barreiro agita-se, mexe-se, incomoda-se, preocupa-se, começa a marcar uma presença, com novos rostos – os rostos de gente que vive na cidade e gosta de viver nesta cidade.
Fiquei com essa sensação, afinal, que a cidade tem mais vida para além dos partidos, principalmente, quando estes no poder se assumem com posturas de “donos da cidade”.
Fiquei com essa sensação que há mais cidade…sem dúvida, para além, muito para além, dessas “filosofias” que marcam as “guerrilhas” político-partidárias, entre partidos, ou as “guerrilhas” nos próprios partidos.
E, como alguém disse, só se ama aquilo que se conhece, senti que as pessoas querem viver a cidade, sentir que ela se transforma e que, de facto, a qualidade de vida vai ao encontro de um desejo enorme de mudança e procura de novos rumos.
Na Biblioteca Municipal do Barreiro, assisti à parte inicial do debate sobre o “Centro da Cidade” e, sem dúvida, despertou a minha curiosidade verificar a presença de diversas pessoas, dos mais variados quadrantes sociais e políticos, ali, atentas e com a preocupação de saber quais os rumos que se apontavam para a “renovação” do centro da cidade.
Não assisti ao debate, porque tinha destinado a noite para assistir à estreia do novo trabalho do Arte Viva.
E, enquanto, no Auditório da Biblioteca se discutia o futuro, eu, ali, no Teatro Municipal, também com sala cheia, vivi mais um brilhante espectáculo de teatro.
Mas, recordo, que sai do Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro com a sensação que, ali, estava em “emergência” uma viragem de atitude dos barreirenses, na sua relação com o Poder Local e na atitude de apreciação das suas propostas para transformar e construir o Barreiro do século XXI.
Um Poder Local que se aproxima dos cidadãos, que debate com os cidadãos os seus projectos, cativa e mobiliza os cidadãos para que sejam também actores no processo de mudança e na construção da cidade.
É que uma cidade tem que ser construída para todos os que nela vivem e não só, ser direccionada, apenas, para alguns que nela possam, circunstancialmente, estar ou ser poder.
Acho que, esta noite, deixou a ideia que a “estratégia de participação” que tem vindo a ser dinamizada pela autarquia, sob a liderança de Carlos Humberto, começa a despertar a curiosidade e o interesse das pessoas, que, de alguma forma, começam a acreditar que esta “estratégia” é, na verdade, um objectivo de vivência da cidade e não apenas uma “táctica” circunstancial para criar uma imagem.
Foi uma presença activa de cidadãos que encheu o Auditório da Biblioteca Municipal, com olhar atento, ouvidos bem abertos.
Foram centenas de pessoas que, senti, não estavam ali apenas para “ver e ouvir”, mas, sim, para assumir uma atitude de “vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar”.
Uma noite exemplar de prova de maturidade democrática e de cidadania dos barreirenses.
Depois, ontem, assisti, à abertura simbólica da ciclovia da Avenida da Liberdade, muitos cidadãos anónimos, muitos rostos conhecidos e desconhecidos. Famílias inteiras – pais, avós e netos – partilhando a alegria de um novo espaço e de aproximação da cidade ao rio.
Uma verdadeira festa. Uma romaria que encheu aquele espaço com algumas largas centenas senão mesmo milhares de pessoas. Uma festa com os olhos no futuro.
A sensação que fiquei, apesar de ver que por ali, estavam algumas pessoas com uma “atitude militante” é que, de facto, a maioria das pessoas era gente anónima, pessoas que vivem no Barreiro e que estavam com alegria a partilhar e viver com uma enorme paixão a abertura de um espaço, e, de alguma forma, a viver aquele instante, que era um acrescento e uma melhoria à qualidade de vida.
Recorde-se que a freguesia da Verderena se caracteriza por ser aquela que tem a maior densidade populacional do concelho do Barreiro, com carências de espaços verdes e de zonas que permitam, objectivamente, que a habitação se estenda para lá das quatro paredes onde vivem, permitindo que os cidadãos respirem nas ruas da cidade, olhando o sol, o rio e a natureza.
Porque, de facto, a habitação tem que ter continuidade no exterior na relação com a cidade e com o rio.
A cidade começa a reencontrar-se com o seu rio. As pessoas começam a sentir vontade de partilhar e conhecer os projectos.
Sem dúvida, o Barreiro agita-se, mexe-se, incomoda-se, mobiliza-se e começa a olhar para o futuro com muita esperança.
É bom sentir o Barreiro respirar e sentir esta sensação de proximidade dos cidadãos com a cidade.
Pois…participação rima com respiração! E começo a sentir que a cidade respira…para além, muito para além dos partidos.
António Sousa Pereira
10.2.2008 - 15:13
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