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Diz que é uma espécie…de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro
Por António Sousa Pereira
. A questão da Estátua Alfredo da Silva

Diz que é uma espécie…de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro<br>
Por António Sousa Pereira<br>
. A questão da Estátua Alfredo da Silva Como muito bem diz Leal da Silva, neste jornal, num comentário ao artigo do Nuno Banza, “se a mudança tiver que ter lugar (a invocação do plano do arquitecto catalão pode ser útil, mas não sei o que sobre o assunto lhe foi referido) e se destine então a uma localização com significado e centralidade, que permita uma implantação digna, não levanto objecções”.

Acrescentando que – “se for remetida para um local sem tais requisitos, que desprestigie a figura e a sua obra no Barreiro, serei dos primeiros a apoiar uma merecida e oportuna reinstalação; de qualquer forma, fique claro que considero que o por evidente incompatibilidade de volumetria.”

Espero que a cidade progrida o seu centro de revitalize. Desejo que a estátua de Alfredo da Silva seja relocalizada num espaço com dignidade, com a dignidade do seu Mausoléu, e que a sua figura continue no futuro a ser, necessária e obrigatoriamente, uma referência para a nossa memória colectiva.
Esta discussão vai passar e depois, do pó assentar, fica a obra…

Foi apresentado em diversos momentos, em diferentes contextos, o projecto de revitalização do centro da cidade, assim como a proposta de renovação do Mercado 1º de Maio.
O objectivo, estrategicamente referenciado, era criar um “centro”, com vida, de forma a evitar que o centro da cidade fosse “sugado” pelo novo espaço de centralidade que vai nascer, a partir de Outubro, com a construção do FORUM BARREIRO.
A ideia pareceu muito positiva e de alguém que deseja o melhor para o desenvolvimento do concelho do Barreiro, nomeadamente, para o comércio da zona da Avenida Alfredo da Silva.
A ideia de criar uma PRAÇA, no centro do Barreiro, com vida própria, com dinâmica de futuro, exige, obviamente que seja repensada a questão do monumento, onde se insere a Estátua de Alfredo da Silva.
Como sublinha, e muito bem, o colaborador deste jornal, Jorge Paulo Carvalho, eu, tal como ele, e outros barreirenses, “partilho da concepção de que o monumento a Alfredo da Silva, no todo ou em parte, não tem lugar nesta visão.”
Aliás, nunca ouvi, contestações a este projecto. A ideia estava como “consensualmente” aceite, porque era sentida como inovadora e com uma visão de futuro para o centro da cidade.
Comentava-se, isso sim, qual a opção a tomar em relação à Estátua Alfredo da Silva.
A renovação do centro da cidade, é, sem dúvida, uma proposta de modernidade e ambiciosa, que poderá ser um contributo para dar vida ao centro da cidade, para além das horas de funcionamento do Mercado Municipal. O que, naturalmente, irá obrigar a que seja repensado o “conceito de mercado actual”.

Discussão num patamar “ideológico” fantasmagórico

Tudo parecia estar a correr com normalidade. Sentia-se o futuro do Barreiro a renascer para o século XXI.
Quando de súbito, descobriu-se uma “brecha” para o “confronto político”. Afinal, esses senhores que dirigem a Câmara do Barreiro – comunistas – o que querem, após, 34 anos depois do 25 de Abril, é fazer o “ajuste de contas” com o industrial Alfredo da Silva.
Não se trata de revitalizar o centro da cidade. Não se trata de acreditar que o Barreiro não está condenado a ser um subúrbio da grande Lisboa, transformando-se irremediavelmente num dormitório. Não se trata de ter amor à terra e querer dar vida renovada ao seu centro.
Não. Eles – esse terríveis comedores de criancinhas - querem é fazer o ajuste de contas.
Desenterram-se fantasmas. Coloca-se a discussão num patamar “ideológico” fantasmagórico. De um lado os “bons” que defendem as “referências míticas”. De outro lado os “maus” que querem destruir as “memórias da cidade”.
Não se trata de discutir a revitalização do centro da cidade. De dar vida a um espaço “subaproveitado” para tudo e para todos, que, de facto, se não for agora, no futuro, outros empreendedores deverão fazê-lo, para modernizar e dar vida ao centro da cidade.

O Barreiro tem um centro de cidade que “morre à noite”

Quem conhece o Barreiro e vive no Barreiro tem plena consciência que aquele espaço, junto à estátua Alfredo da Silva, à noite é um “deserto”, não atrai nada, nem ninguém.
O Barreiro tem um centro de cidade que “morre à noite”. E, durante o dia, aquele espaço é de facto isso, como refere a “Pública” uma bela pista de skate.
Que cidade é esta que quer ver reduzido um dos seus mais belos espaços de vivência colectiva a uma mera pista de skate, ou, a ser, eventualmente, o tal “ponto de encontro” de “referência mítica”.
Não será, defender a pista de skate, uma postura que nada tem ver com uma concepção de cidade moderna e sem visão de futuro?
“Onde é que a gente se encontra? Junto à estátua!” - e, depois, o pessoal parte para a vida, rumo à night.
Já era tempo de nós barreirenses, nascidos ou aqui residentes, sermos capazes de dar a nossa visão de cidade, e, de facto, sermos os primeiros a não concordar com os “clichés” que alguns teimam em rotular a nossa vida e cidadania.
Quando leio algumas reportagens fico com a ideia que, na verdade, não é aquela a cidade onde eu vivo e que é a terra dos meus filhos.

Alfredo da Silva na história do Barreiro dos séculos XIX e XX

Nada, nem ninguém, conseguirá retirar Alfredo da Silva da história do Barreiro, dos séculos XIX e XX.
Porque, independentemente de tudo o que se diga, que usou a protecção do Estado Novo, que foi um defensor do regime que nos oprimiu durante décadas, a verdade está na sua obra industrial, de ter construído neste país de economia terciária, um dos maiores centros industriais da Península Ibérica e da Europa. Um centro de referência.
O centro industrial, onde os engenheiros que concluíam no Instituto Superior Técnico, de imediato, ansiavam por se tornar trabalhadores da CUF, por ser um centro de investigação de excelência. Uma empresa que marcou a vida de muitas gerações.

Largo das Obras não oferece condições

Como muito bem diz Leal da Silva, neste jornal, num comentário ao artigo do Nuno Banza, “se a mudança tiver que ter lugar (a invocação do plano do arquitecto catalão pode ser útil, mas não sei o que sobre o assunto lhe foi referido) e se destine então a uma localização com significado e centralidade, que permita uma implantação digna, não levanto objecções”.
Acrescentando que – “se for remetida para um local sem tais requisitos, que desprestigie a figura e a sua obra no Barreiro, serei dos primeiros a apoiar uma merecida e oportuna reinstalação; de qualquer forma, fique claro que considero que o por evidente incompatibilidade de volumetria.”
E, portanto, de facto, em nome da “modernidade”, na aposta num centro renovado, não vejo mal absolutamente nenhum, tal como Leal da Silva, que a estátua e o seu conjunto monumental, sejam transferidos para um local com dignidade, com a certeza que o Barreiro, não deve, esquecer, nem ignorar o nome deste industrial na sua história e memória colectiva.
Depois, sobre as leituras da história, de acordo com as opções ideológicas, cada qual é livre de fazer a sua avaliação e leituras da história.
Agora, até vivemos em liberdade, portanto, até as ideias e divergências podem ser espelhadas, sem irmos para a prisão.
Por mim, tal como defende o PSD, a estátua até pode ficar no espaço actual desde que fique só a estátua. Aliás posição defendida, igualmente, pelo presidente da Câmara Municipal do Barreiro.
Só que, sempre escutei, por parte de quem percebe de arte e arquitectura que aquele monumento é um todo, então, não destruamos um rico património cultural e que seja efectuada a sua mudança, como um todo, para um local digno da cidade, naturalmente, enquadrado, até, na concepção de alargamento do centro para o território da Qumiparque.

“Alfredo da Silva, não obrigado”

Por todas estas razões, considero que colocar a discussão da “questão estátua” numa discussão a “preto e branco”, de bons e maus, em nada ajuda ao progresso do Barreiro.
Penso que a discussão da estátua em torno de matérias ideológicas, dá muito pano para mangas.
Por exemplo, ao recordar as palavras de Fernando Rosas, no âmbito das iniciativas dos “100 anos o outro lado da CUF, em coerência o ideológica o BE, devia estar na rua a gritar: “Alfredo da Silva, não obrigado”.
Ao escutar as palavras de Domingos Abrantes, no âmbito das comemorações dos 100 anos da CUF, promovidas pelo PCP, igual posição deveria ser tomada.
Ora, nem uma força política, nem outra, se manifestaram pela retirada da estátua, ou exigiram que a mesma fosse enviada para a fundição.
Todos, apesar dos olhares diferentes, estão de acordo, que Alfredo da Silva é figura incontornável – como diz Jorge Fagundes – da história do Barreiro.

Mudança da estátua não é uma atitude política

Pois, como bem diz o meu amigo Tó Zé Ferrera, a colocação da estátua Alfredo da Silva, no Barreiro, foi um acto politico. Claro que foi.
Mas, a verdade, é que a mudança da estátua, para local com dignidade, hoje, aqui e agora, não tem nada, mesmo nada, a ver com matérias de ordem política, para mim isso ficou claro, claríssimo, na reunião da Assembleia Municipal do Barreiro.
A mudança tem a ver com uma proposta de modernização do centro da cidade. Numa vontade explicita de criar futuro e potenciar um espaço que está “todos os dias” ao abandono e não serve, nem a cidade, nem os barreirenses .
Concordo com a mudança da estátua para um local digno.
Na minha simples, opinião, de cidadão do Barreiro, considero que “lutar” por estratégia política para que a “estátua fique naquele local” não serve o desenvolvimento do Barreiro.

Há mais Barreiro para além das “passagens desniveladas”

Acredito que se houvesse um referendo sobre esta matéria com uma pergunta justa, os barreirenses votavam na mudança da estátua para um local digno.
É que já é tempo de “alguns barreirenses” começarem a pensar que, de facto, há mais Barreiro para além das “passagens desniveladas”.
Limitar a pergunta se concorda que a estátua fique no local, só por si, não é fazer uma pergunta de quem quer dar aos cidadãos uma opção credível de escolha.
Por isso é que considero, com toda a sinceridade, que o Carlos Humberto foi o vencedor da reunião da Assembleia Municipal do Barreiro, com um ponto agendado por proposta do PS, que coloca como proposta a realização de um referendo com uma pergunta “invertida” e de quem olha para o passado, saudosista e com lágrimas de crocodilo a propósito de Alfredo da Silva.
A ideia que tenho, claramente, é que na falta de capacidade de intervir politicamente, arranjam-se este “fait divers”, explorando os sentimentos e fazendo jogo politico a um nível que em nada dignifica a politica, nem cativa os cidadãos para respeitar os politícos.
A discussão da Estátua é um “fait divers”, como foi o Mercado de Levante, como hão-de ser outras coisas…isto é discutir por baixo.
Espero que a cidade progrida o seu centro de revitalize. Desejo que a estátua de Alfredo da Silva seja relocalizada num espaço com dignidade, com a dignidade do seu Mausoléu, e que a sua figura continue no futuro a ser, necessária e obrigatoriamente, uma referência para a nossa memória colectiva.
Esta discussão vai passar e depois, do pó assentar, fica a obra…

António Sousa Pereira

Nota Final – Até o CDS/PP tem uma posição sobre esta matéria mais justa e positiva que o PS.

19.5.2008 - 17:28

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