inferências
Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro
Forum Barreiro – o nascer do Barreiro cosmopolita
O FORUM do BARREIRO, embora sendo tal, por si só, não será um motor de desenvolvimento, por essa razão, antes de mais, é urgente e necessário que o projecto do Arco Ribeirinho Sul avance com uma prioridade das prioridades, de forma que a requalificação do território da Quimiparque seja outro alavanca do desenvolvimento.Rogério Fráguas era um dos sonhadores. Poeta. Por essa razão, no seu tempo, foi editada a primeira colectânea ( e única até hoje) de poetas do Barreiro.
Quis acompanhar a par e passo a noite eleitoral. E, foi com enorme emoção que acompanhei o discurso de Baracka Obama. Uma lágrima eclodiu, quando ele recordou a história de Ann Nixon Cooper, uma mulher de 106 anos.
Recordar Rogério Fráguas
No ano de 1981, em sequência de um Concurso Público, entrei para a função pública, na Câmara Municipal do Barreiro.
A minha admissão, entre sete candidatos, foi aprovada por unanimidade, pelo executivo municipal, na época composto por 5 vereadores do PCP/CDU, 3 do PS e 1 do PSD. Entre eles estava Rogério Fráguas, responsável pelo Pelouro da Cultura.
Iniciei funções no Gabinete de Informação e Relações Públicas, penso que foi, quase de certeza, o primeiro projecto desta natureza criado numa autarquia, abrindo uma nova área funcional no Poder Local.
O meu local de trabalho era numa secretária, no mesmo espaço, onde, também trabalhava Rogério Fráguas. Aliás, no mesmo espaço onde exerciam as suas actividades o Vereador Mendes Costa (PSD) e o vereador Morgado (PS) para além de mais quatro ou cinco trabalhadores da autarquia. Quando os vereadores chegavam alguém tinha que sair e aguardar para voltar de novo ao trabalho. Outros tempos.
Recebi a notícia do falecimento de Rogério Fráguas.
Recordo a forma simples e humana como ele vivia o dia a dia, num tempo em que o Poder Local estava em construção, na procura de rumos e na construção de sonhos.
Nas minhas recordações encontrei a fotografia que, aqui, é editada, memória de um tempo em que já se falava, como hoje, na construção de um Barreiro Novo, então, ainda Vila do Barreiro, que aspirava a ser Cidade.
As dinâmicas culturais da autarquia, na época, estavam muito longe de ter a expressão que, ao longo dos anos foram assumindo.
No entanto, era um tempo em que tudo se construía com muito amor e muito voluntarismo.
Como, bem recordou João Gomes, foi Rogério Fráguas o vereador responsável por se impulsionar um projecto, para época inovador, a Ludoteca – Biblioteca de Brinquedos - que nasceu no Moinho do Gim, na Avenida da Praia.
Era um tempo de procura. Era um tempo de grande agitação, mas todos moviam-se com uma vontade enorme de dar, de construir quotidianamente o tal Barreiro Novo.
Rogério Fráguas era um dos sonhadores. Poeta. Por essa razão, no seu tempo, foi editada a primeira colectânea ( e única até hoje) de poetas do Barreiro.
A Manuela Fonseca deixou nas páginas do Rostos um cravo para Rogério Fráguas.
Este breve apontamento é afinal, uma evocação, de um homem que sempre respeitei e sempre me respeitou, mesmo, nos tempos, que soube que eu “rasguei” com as suas ( outrora nossas) opções ideológicas.
Aqui fica o meu abraço ao Rogério Fráguas, um pioneiro do Poder Local, nos tempos em que ser autarca era como ser um associativista – apenas servir a comunidade, sem vencimentos e, só, praticamente, com voluntariado.
Na foto em cima – Da esquerda para a direita : Mendes Costa (PSD), Joaquim Maçarico (PCP/CDU) – falecido; Helder Madeira ( presidente); Joaquim Galrito (PCP/CDU); Rogério Fráguas (PCP/CDU) – falecido; e, Eduardo Guerreirinho (PCP/CDU).
Barack Obama – uma nova página da história da humanidade
Eram 4 horas e 2 minutos quando foi reconhecido que Barack Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos da América. Uma eleição que foi acompanhada, por todo o mundo, com muita expectativa.
Perto das 5 horas da manhã o presidente eleito falou a uma multidão. Nas imagens sentia-se, viva, a emoção do momento.
Quis acompanhar a par e passo a noite eleitoral. E, foi com enorme emoção que acompanhei o discurso de Barack Obama.
Uma lágrima eclodiu, quando ele recordou a história de Ann Nixon Cooper, uma mulher de 106 anos.
“Ela nasceu apenas uma geração depois da escravatura, numa época em que não havia automóveis nas estradas, nem aviões no céu; em que uma pessoa como ela não podia votar por duas razões : porque era mulher e por causa da cor da sua pele.
E esta noite penso em tudo o que ela viu ao longo do seu século de vida da América – a angústia e a esperança; a luta e o progresso; as alturas em que nos foi dito que não podíamos e as pessoas que não desistiram do credo americano: sim, podemos.
Numa época em que as vozes das mulheres eram silenciadas e as suas esperanças destruídas, ela viveu o suficiente para se erguer, falar e votar. Sim, podemos”.
Ao escutar estas palavras senti uma profunda emoção. Não contive uma lágrima que caiu lentamente, nesta noite, escrita com a palavra esperança.
Recordei, também, que, um dia, por outras razões, ainda jovem adolescente, quando do assassinato de Jonh Kennedy, igualmente, uma lágrima chorei por um presidente dos Estados Unidos. Um país que não conheço. Um país de mitos, de histórias, de contradições profundas, de ódios, de riquezas, de pobreza, mas, afinal, um país que marca o pulsar do mundo.
Este ano, nas férias, li, parte, não acabei, a obra “Da Democracia na América” de Tocqueville, um texto de filosofia política, que me despertou para um novo olhar sobre o chamado “sonho americano”.
O problema filosófico de fundo que, para mim, emerge deste sonho americano, é como superar e encontrar a unidade, ou a ruptura, entre os conceitos de – “igualdade” e “liberdade”.
É, talvez, este o grande desafio que se coloca a Barack Obama, neste começo do século XXI, nesta porta que se abre para uma nova página da história da humanidade.
Forum Barreiro – o nascer do Barreiro cosmopolita
Abriu o FORUM BARREIRO. Para uns, mais fundamentalistas, com ritmos de vida naturistas, esta é uma Catedral de Consumo. Para outros é um equipamento âncora que pode vir a reanimar o centro da cidade do Barreiro. Para outros a porta que se abre para um novo Barreiro cosmopolita.
Outros há, preocupados em discutir a paternidade. Que parece não estar clara, mas que começa em génese, na gestão de Pedro Canário, tem na raiz a ambição empreendedora de Carlos Olavo, desenvolve-se com a criatividade de Matias Lopes, ganha forma na gestão de Emídio Xavier, reformula-se e consolida-se com a gestão de Carlos Humberto.
Não estou preocupado com as paternidades. Nem tal vai acrescentar muita coisa ao projecto.
Este, de facto, parece ser um equipamento âncora, no centro da cidade, que pode dar um importante contributo para animar a vida do Barreiro, transformando-se num pólo de atractividade.
Mas, de certeza que o FORUM do BARREIRO, embora sendo tal, por si só, não será um motor de desenvolvimento, por essa razão, antes de mais, é urgente e necessário que o projecto do Arco Ribeirinho Sul avance com uma prioridade das prioridades, de forma que a requalificação do território da Quimiparque seja outra alavanca do desenvolvimento.
Uma coisa é certa, entre as muitas mudanças que, certamente, vão ser geradas na região de Setúbal durante o século XXI, por tudo o que está anunciado, o arranque do FORUM BARREIRO, é, sem dúvida, um contributo para recolocar o Barreiro na grelha da partida para as mudanças anunciadas.
Desta vez, de facto, não estamos à espera que o futuro aconteça, começamos a fazer o futuro acontecer.
Sentimos um novo pulsar da cidade. Sentimos que o Barreiro recupera o gosto por viver consigo próprio.
Há muita esperança no ar. Também há muitos velhos do Restelo…que sonham e desejam que aconteça o pior.
Sem dúvida, o FORUM BARREIRO veio afirmar, na prática, que o Barreiro “cidade aldeia” com um sentir “cosmopolita”, que sempre foi vivendo na outra margem da capital ou nos arrabaldes da grande Lisboa, também, aqui, pode sentir esse pulsar dentro de si mesmo, erguendo-se com orgulho da sua cultura solidária, num espaço moderno que pode ajudar a cultivar a amizade, a promover encontros e a abrir as portas do futuro.
Parabéns Barreiro!
António Sousa Pereira
9.11.2008 - 20:23
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