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Entrevista INTERACTIVA
Eurídice Pereira, Governadora Civil de Setúbal
Uma das debilidades do distrito é não ter uma imagem de marca

Entrevista INTERACTIVA<br>
Eurídice Pereira, Governadora Civil de Setúbal<br>
Uma das debilidades do distrito é não ter uma imagem de marca . Uma das grandes debilidades do distrito é mesmo a de não ter uma imagem de marca

. Ponte Barreiro-Chelas faz sentido para potenciar o desenvolvimento económico

Eurídice Pereira, Governadora Civil de Setúbal deu a primeira ENTREVISTA INTERACTIVA, um projecto conjunto do “Rostos” e SAPO LOCAL.
Eurídice Pereira, responde a perguntas colocadas por leitores de “Rostos on line” e “SAPO LOCAL”, assim como a perguntas do jornal “Rostos”.
Aqui fica o resultado da primeira ENTREVISTA INTERACTIVA.

A primeira pergunta colocada à Governadora Civil de Setúbal foi : Como avalia a actual situação do Distrito de Setúbal?
“Avalio sempre numa lógica de futuro. Como sabe, os investimentos em curso ou projectados, sejam públicos ou privados, são muito significativos. Tenho presentes os investimentos em execução na Península de Tróia, na Portucel, na plataforma industrial de Sines, a Plataforma Logística do Poceirão, o Metro Sul do Tejo e, ainda, aqueles que decorrem das políticas sociais, em particular, do programa PARES. Espero que este esforço reforce o emprego no distrito, uma das principais, se não a principal preocupação que tenho.”

Uma presença activa e dinâmica

Desde que assumiu o cargo tem mantido uma actividade muito dinâmica de contactos com instituições e presença nas diversas actividades. Considera que o seu cargo lhe exige uma presença activa?
“Como compreenderá, cumpro a minha obrigação, porque fui designada para ter uma relação de proximidade com os cidadãos, reflectindo junto do Executivo as suas legítimas preocupações. Obviamente não concebo exercer o cargo sem uma presença activa e dinâmica com as instituições públicas e privadas do distrito.”

Bombeiros são parceiros fundamentais

Que razões motivam o ciclo de visitas aos quartéis de Bombeiros do distrito de Setúbal?
“Não é por acaso que a voz do povo diz, e bem, que os bombeiros são os soldados da paz. São eles que respondem, em primeira linha, às acções de protecção e socorro, tendo sempre em atenção a salvaguarda dos bens e das pessoas. Estas são razões bastantes, se outras não houvesse, para ter programado um ciclo de visitas aos quartéis de bombeiros, preocupando-me em verificar as condições e os meios de resposta que têm ao seu dispor, bem como constatar a realidade envolvente sobre a qual têm de agir. Registe-se que os Governadores Civis são as autoridades máximas de Protecção Civil distrital e os bombeiros os seus parceiros fundamentais na nobre missão que têm.”

Diminuição do número de acidentes

Tem tido uma intensa preocupação em matérias de trânsito. É esta uma bandeira da sua acção como Governadora Civil?
“A minha bandeira tem a ver com o Distrito de Setúbal e as suas gentes. Nesta lógica, é óbvio que me tenho de preocupar e agir na sensibilização para a diminuição da sinistralidade rodoviária, porque tenho presente que, apesar de ao longo dos últimos anos, os números terem decrescido, ainda constituem uma preocupação. A dinamização de acções de segurança e prevenção vão ser uma constante na actuação do Governo Civil de Setúbal. O objectivo é colaborar na diminuição do número de acidentes e, logo, nas suas consequências. O distrito está, a nível nacional, em 5º lugar em número de vítimas ligeiras e graves e em 2º lugar ao nível das vítimas mortais. Há que agir sobre esta realidade, nós, mas fundamentalmente os condutores e os peões. Por isso os sensibilizamos a prevenirem-se.”

Na região que melhor sirva o país

Qual a sua opinião sobre a localização do aeroporto em Alcochete?
“Como sabe, sou natural e sempre residi no Distrito de Setúbal. É natural que, afectivamente, deseje um novo aeroporto na Margem Sul. Sucede que os estudos técnicos que o Governo encomendou ao LNEC ainda não foram apresentados, não me sentindo, consequentemente, capacitada para lhe dar uma resposta sobre a melhor localização, que, racionalmente, deverá ser na região que melhor sirva o país na sua afirmação no mundo.”

Ponte Barreiro-Chelas justifica a opção rodoviária

Considera que a ponte Barreiro-Chelas é uma prioridade? Deve a ponte ser só ferroviária e TGV, ou deve ter também a vertente rodoviária?
“Não se encontrando ainda a situação da localização do aeroporto resolvida, a questão que me suscita e que respeita a uma nova travessia do Tejo deverá ser enquadrada num projecto global de acessibilidade. Parece-me, contudo, que a Ponte Barreiro-Chelas faz sentido para potenciar o desenvolvimento económico dos concelhos que necessitam da sua instalação, para além da facilitação da mobilidade. Por isso, acho que se justifica também a opção rodoviária.”

Distrito não tem uma imagem de marca

As regiões do país, e em escala menor os distritos, devem ter um papel interventivo no sentido de se afirmarem no contexto nacional e passarem uma “imagem de marca” ou para captarem investimento, potenciarem capacidades e congregarem vontades que levem ao desenvolvimento da região. Sabendo que, por si só, as Câmaras Municipais não têm esse papel abrangente, qual deverá ser o papel do Governo Civil nesta matéria?
“Sinto ser dever de todos os agentes do distrito, públicos e privados, actuarem de forma crescentemente concertada para que o distrito reforce a sua imagem de marca. O nosso distrito é a porta de entrada do Atlântico para a Europa, está próximo de uma importante região central de Espanha, a Estremadura, apresenta complementaridades entre a Península de Setúbal e o Litoral Alentejano e é charneira entre o norte e o sul do país. Temos de ganhar todos, incluindo os municípios, a consciência de que aquilo que nos une é, neste momento, mais importante do que o que nos divide. Uma das grandes debilidades do distrito é mesmo a de não ter uma imagem de marca que responda às enormíssimas potencialidades que o distrito tem. Temos de acreditar mais em nós. O Governo Civil deve ter um papel dinamizador neste objectivo, enquanto potenciador de sinergias que sirvam o distrito, mas não estou nada de acordo, como a pergunta pressupõe, que as Câmaras Municipais não devem ter esse papel. Devemos ter presente que, em democracia, o poder é partilhado e que o poder autárquico é tão importante como os outros poderes. Desvalorizar os papéis das Câmaras nos desígnios a prosseguir para o distrito é conceder-lhes um papel menor que, obviamente, não é correcto.”

Mecanismos de auto-sustentabilidade económica

Considerando que a grande maioria da população residente no distrito de Setúbal se desloca diariamente para Lisboa, onde tem o seu local de emprego, qual a opinião da Sra. Governadora Civil de Setúbal relativamente ao facto de uma infra-estrutura recente, (ligação ferroviária através da ponte 25 de Abril) que representou um grande investimento, não ter sido acompanhada de interfaces com outros transportes públicos, de modo a incentivar a utilização deste meio de transporte, havendo inclusivamente estações (e.g. Penalva) que não são servidas por qualquer meio de transporte público?
“Na minha perspectiva, e observando o futuro, é que saibamos todos contribuir para criar mecanismos de auto-sustentabilidade económica que evitem que uma parte significativa da população do distrito de Setúbal trabalhe em Lisboa. Sem prejuízo disto, considero que “Roma e Pavia não se fizeram num dia” e que, nos últimos tempos, mercê da colaboração do Governo com as autarquias e vice-versa, têm-se registado melhorias significativas quer em infra-estruturas rodo e ferroviárias, quer nos transportes públicos, de que é exemplo o Metro Sul do Tejo. Reconheço que se tem de ir mais além e é isso que está projectado.”

Governo Civil não tem poder de intervenção

Como é possível que seja colocada nas mãos de uma pessoa só (José Luis Bucho) a decisão de permitir a passagem ao quadro de honra dos Bombeiros Voluntários do anterior Comandante (José Picoto) a quem depois de 30 anos de dedicação e bons serviços ao voluntariado (Bombeiros Vol. de Setúbal), lhe está a ser recusado o pedido? Como é que uma pessoa só, tem o direito de decidir, de acordo com o seu julgamento de meses, a dedicação de 30 anos? É assim que premeiam a dedicação ao voluntariado? Permitindo o "julgamento" por uma pessoa que entrou em conflito com ele? Já agora informo, foi o comandante que o convidou a fazer parte dos órgãos sociais. A paga que recebeu foi a demissão como funcionário, e a recusa de passagem ao quadro de honra como bombeiro
“Embora me cheguem ecos sobre o que a pergunta pressupõe, o Governo Civil, enquanto tal, e a Governadora Civil, não têm poder de intervenção no caso concreto que me é perguntado.”

Mercado junto à via rápida

Será que a Sra. Governadora Civil está informada do problema da nova localização do mercado da Verderena, junto à via rápida, a população dos Fidalguinhos, vai atravessar a via rápida. Como evitar futuros acidentes com os peões?(temos exemplos dos acidentes mortais na zona do hipermercado Modelo do Barreiro). Vedar a via rápida (IC21)? construção de uma nova passagem aérea?... O Governo Civil tem competências para pressionar a Câmara Municipal do Barreiro e as Estradas de Portugal?
“O Governo Civil não tem competências sobre as matérias referidas que são, em exclusivo, da alçada municipal”
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Não deveria acumular as duas funções

Porque é que em vez de ter ficado como vereadora da Câmara Municipal da Moita, para onde foi eleita, se foi embora?
“Admito que seja do conhecimento público que, como vereadora, não me foram atribuídos pelouros, nem tempo, inteiro ou parcial, para exercício de funções efectivas como autarca. Poderia, por isso, acumular as funções de Governadora Civil com as de vereadora sem pelouro nem tempo atribuído, limitando-me a ir às reuniões para que fosse convocada, na ordem de duas por mês. Tendo sido designada Governadora Civil entendi – e bem – por razões de total isenção institucional, que não deveria, embora a lei me permitisse, acumular as duas funções. Como sabe, tendo sido eleita por uma lista, a minha saída, feita com coerência e “à luz do dia”, foi preenchida de imediato por outro elemento, cuja competência está acima de qualquer suspeita, como é norma quando se valoriza o trabalho colectivo. Já agora informo que, na mesma data, também renunciei aos cargos executivos partidários, exactamente pelas mesmas razões.”

Distrito de referência do país

Que perspectivas coloca no desenvolvimento do Distrito de Setúbal?
“Perspectivas de muita ambição. O Distrito de Setúbal é um distrito de referência do país, de gente laboriosa, e é essa a sua maior riqueza, que se conjuga com uma localização privilegiada, de centralidade e com capacidade de atracção invulgar de investimento. É por isso que temos de agarrar o futuro desde já.”

2.1.2008 - 13:01

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