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entrevista

No Barreiro
José Neto, Presidente Conselho Administração Quimiparque
A cidade tem que crescer para a Quimiparque e aproximar-se do rio

No Barreiro<br>
José Neto, Presidente Conselho Administração Quimiparque<br>
A cidade tem que crescer para a Quimiparque e aproximar-se do rio . Cidade do Cinema aguarda entrega de dossier

. Na Quimiparque- Barreiro, existem cerca de 300 empresas, que dão trabalho a mais de 4.000 pessoas


"A Câmara, a PARPÚBLICA e Quimiparque, não estamos sincronizados a 100%, mas estamos consensualizados a mais de 90%.
Há uma zonazeca que ainda falta afinar, até porque estes são projectos grandiosos, dispendiosos, que implicam gastos vultuosos, e, portanto, é preciso semear para colher.
Nós esperamos que aqui frutifique. Neste território vamos colher muitos frutos. É isso que tenho explicado ao accionista e, é isso, que eu penso com presidente da Quimiparque." - sublinha José Neto, Presidente do Conselho de Administração da Quimiparque, em entrevista ao "Rostos".

José Neto, Presidente do Conselho de Administração da Quimiparque, é natural do concelho de Leiria, da freguesia de Parceiros, onde, recorda - “brinquei de pé de descalço”.
Casado, comenta – “Já sou avô e também sou Neto”.
Após concluir a instrução primária, frequentou o Curso Comercial, em Leiria, empregando-se posteriormente, aos 16 anos, numa fábrica.
Prosseguiu os estudos, como trabalhador -estudante, em Lisboa, para onde veio com 17 anos, tendo concluído a sua licenciatura em Finanças.
“Tenho um passado de trabalho e dificuldades, do qual não me gabo, nem me envergonho” – sublinhou, recordando as suas origens rurais de regadio - “ajudei muito os meus pais a encaminhar a água, que praticavam uma agricultura de subsistência em simultâneo com o pequeno comércio.”
Recorda seu pai – “Hoje é o homem mais velho da aldeia, um homem muito respeitado. Está de saúde e tem a felicidade de ter filhos que gostam dele, como ele gosta dos filhos”.
“Vivi um tempo de dificuldades, dificuldades de toda ordem, também políticas” – salienta José Neto, num breve percurso pelas suas memórias.
Salienta que despertou para uma consciência política antes do 25 de Abril, tendo sido um activista da CDE, para além de actividade que desenvolveu no mundo do Sindicalismo.

Liguei-me de alma e coração ao 25 de Abril

No 25 de Abril, estava a exercer a sua actividade profissional numa empresa de dimensão nacional, que desenvolvia projectos ao nível do urbanismo e engenharia.
Tendo sido, após aquela data convidado para trabalhar no sector público, iniciando o seu percurso na Junta Nacional do Vinho.
Recorda que “foram tempos conturbados”, aqueles que se viveram após o 25 de Abril.
E acrescenta – “liguei-me de alma e coração ao 25 de Abril. Sou daqueles que diz que valeu a pena”.

Secretário de Estado do IV Governo Provisório

José Neto, com 27 anos, foi convidado para integrar o Governo, tendo exercido as funções de Secretário de Estado do Abastecimento, no IV Governo Provisório, tendo como Ministro Mário Murteira ( de quem é amigo)
e Primeiro Ministro Vasco Gonçalves – “Foi uma experiência gratificante, embora complicada. Fui dos mais jovens Secretários de Estado de Portugal”.
Na sua opinião a governação de Vasco Gonçalves “ainda está incompreendida, estamos muito próximos do que aconteceu e muito marcados”.
Refere que do Governo de Vasco Gonçalves, que integrou, faziam parte membros dos diversos partidos – “excluindo o CDS, estavam lá todos PCP, PS, PPD, MDP e Independentes, era um governo formalmente de coligação”.
“A verdade é que andávamos à procura de um caminho e, esse caminho, com algumas dificuldades foi sendo encontrado” – sublinha, acrescentando – “tenho alguma satisfação por ter vivido esta experiência”.

Discordei e discordo da extinção do IPE

José Neto, após sair do Governo, iniciou as suas funções como Técnico do IPE- Instituto de Participações do Estado - “Concorri para o IPE e entrei como Técnico de 3ª. Demorei oito anos a ser nomeado como Director, já tendo sido Secretário de Estado, e, Administrador de Empresas privadas, antes do 25 de Abril.”
Exerceu funções ao serviço do IPE, durante 25 anos.
José Neto, expressa a sua opinião sobre a extinção do IPE – “O IPE não teve substituto, quanto a mim mal. Discordei e discordo da extinção do IPE, independentemente de ter sido uma decisão legítima, por um Governo, mas, pessoalmente duvidei da extinção e ainda hoje duvido”.

A experiência na Quimiparque tem sido muito gratificante

No ano 2002 a Quimiparque estava na dependência do IPE. Nesse ano, a convite do IPE, assume as funções de Presidente da Quimiparque, substituindo Plácido Pires, na Presidência.
Com a extinção do IPE a Quimiparque passou a integrar a PARPÚBLICA.
“A experiência na Quimiparque tem sido muito gratificante.
Sabe, o Barreiro, primeiro estranha-se e depois entranha-se. Eu tinha uma ideia desfocada do que era o Barreiro. Já conhecia a cidade e o território, mas vim cá pouco.
Acho que é o que acontece com a maior parte das pessoas que vive em Lisboa, têm uma ideia desfocada do que é o Barreiro.
A Margem Sul, é uma encruzilhada. As pessoas conhecem aquilo que as pontes mostram, por Almada e Seixal, através da Ponte 25 de Abril; e, Montijo, Alcochete, pela Ponte Vasco da Gama.
Aqui, o Barreiro, (para quem não gosta de andar de barco e são poucos os que gostam de andar de barco), ninguém conhece, excepto quem cá vive, ou quem cá vive e trabalha em Lisboa.
Sabe, à medida que a gente vem para cá e vai convivendo com o território e com as pessoas, com quem cá nasceu, com quem cá vive, com a história deste território que é riquíssima. Vai ficando com outra ideia do Barreiro”

Barreiro na história económica de Portugal

“Para quem conhece a história económica de Portugal, sabe quanto importante foi a indústria do Barreiro, estudar a industrialização em Portugal, permite estudar a industrialização no Barreiro.
Mas, também, em termos políticos, para quem gosta de política, estudar a história do Barreiro é indispensável. É uma cidade riquíssima, com as suas dificuldades e com as suas lutas, até lutas nos seus grupos sociais, que não são homogéneos.
São bastante homogéneos, mas não são monolíticos. Quem está do outro lado é que pode considerar monolíticos, mas não é verdade, porque onde há diversas pessoas há diversidade.
Aqui no Barreiro, houve, e há, uma grande diversidade, que é importantíssimo estudar.
Eu não sou político, não pertenço a nenhum partido político, mas gosto de politica, como causa pública e ligada aos interesses comuns dos cidadãos.
Considero que o Barreiro é um sítio muito agradável”

Quimiparque – 300 empresas, mais de 4000 postos de trabalho

José Neto, salienta que no parque empresarial da Quimiparque no Barreiro, existem cerca de 300 empresas, que dão trabalho a mais de 4.000 pessoas.
“Uma das minhas grandes preocupações como presidente da empresa tem sido acarinhar, estimular a presença de todas estas pessoas e empresas e tentar captar mais, se alguma delas não se aguenta, é preciso que exista uma nova.
Por outro lado, procuramos melhorar a competitividade, criando condições para quem cá esteja se sinta cada vez melhor e possa produzir mais, com menos custos. Não é fácil, mas é nisso que estamos empenhados.”

Projecto de requalificação do território está a evoluir muito bem

Como está o projecto Quimiparque?
“Vamos ver. Há dois projectos. Há um projecto de requalificação do território que, optimismo à parte, do meu ponto de vista, está a evoluir bem.
Digamos, que foi possível chegar a um consenso quer com a Câmara, que com o nosso accionista, quer com outras entidades, a Administração do Porto de Lisboa, a REFER e outras entidades, no sentido de termos uma visão, relativamente consensualizada e partilhada por todos sobre o futuro deste território.
Digamos que, grosso modo, essa requalificação implica três zonas – a nascente, há uma área empresarial tradicional, como nós a conhecemos nos últimos 20 anos no Barreiro.
Depois, há outras duas zonas, uma localizada perto do casco da cidade, da sua zona urbana tradicional, que tem que ser, do nosso ponto de vista, um prolongamento da cidade.
A cidade tem que crescer para este lado e aproximar-se do rio, também deste lado.
Evidentemente que não será só habitação, mas não será fechar a porta à habitação, será ter aqui, também, comércio e serviços, outras actividades económicas que sejam compatíveis com uma área urbana, uma área urbana habitacional.
Entre a zona a nascente e esta zona, uma zona intermédia, que seja uma zona de comércio e serviços, actividades económicas e alguma habitação, porque não, está lá o Bairro Operário e vivem lá pessoas.”

A Câmara somos nós todos

Como tem sido a discussão do projecto com a autarquia?
“Eu costumo afirmar que – a Câmara somos nós todos. Digo a Câmara ou o Governo. Incomodo-me sempre quando ouço os cidadãos referirem-se a “eles”, ou os “tipos do Governo”, ou numa empresa “os tipos da Administração”.
Eu tento sempre referir que a empresa somos nós todos, considero que temos que encarar a empresa desta maneira, porque somos todos a trabalhar para o conjunto.
Se vivo numa cidade e aceito delegar algum do meu poder a quem me represente, e a quem tenha que exercer o poder, eu também faço parte do grupo.
É evidente que, por vezes, temos surpresas desagradáveis. Votamos e os eleitos não se comportam como nós esperávamos.
Dizer que as nossas relações com a Câmara têm sido um mar de rosas, era estar a cantar a canção do bandido. Nada é assim.
Felizmente, pensam pela cabeça deles, eu penso pela minha e, digamos, que esses pensamentos chocam-se.
Agora, por amor à verdade, acho que tem havido, parte a parte, um grande esforço para procurar o que nos une, esquecendo o que nos divide.
Não escondo que há coisas que nos dividem, concerteza que há, mas, há coisas que nos podem unir.
Há uma coisa que para mim é óbvia, o tempo que tenho é relativamente curto. Já fiz muito, agora sobram-me poucos anos para trabalhar e que outros tomem o meu lugar, portanto, tenho que andar depressa. Tenho pressa de fazer algumas coisas. Às vezes, do lado de lá, a noção do tempo é diferente.”

Quimiparque já aprovou Plano Estratégico

Aposta em fazer da concretização deste projecto uma referência para a sua vida?
“Eu não direi tanto, mas, digamos, gostava de vê-lo a vivo, modéstia à parte já está a avançar. Dou-lhe um exemplo, a ETAR do Barreiro-Moita, estava um pouco encalhada, havia uma indecisão sobre os terrenos.
Um telefonema do Presidente da Câmara Municipal da Moita, e assunto foi resolvido.
Portanto, quer o Barreiro, quer a Moita vão ficar melhor quando a ETAR começar a funcionar.
Neste território a Administração da Quimiparque viu uma oportunidade e tratou de zelar por ela, e, posso referir que nós chegámos, hoje, a um consenso sobre o Plano Estratégico para o futuro da Quimiparque.
Nós, Conselho de Administração da Quimiparque já aprovámos. Conto, que, por um destes dias a Câmara também o aprove.
Por nós, sempre dentro daquela ideia que o bom é inimigo do óptimo, digo, que para nós é um bom Plano Estratégico.
É um bom desenho para o futuro.
E, refiro, que não temos, até hoje, razões para duvidar que a Câmara também pensa assim, porque participamos em sessões públicas, onde existiram discordâncias, onde existiram propostas, mas que no essencial, ninguém esteve contra, algumas situações colocadas são para a etapa seguinte, isso, será trabalhar no plano de urbanização.
Nessa fase, iremos tratar o Plano Estratégico ao nível mais concreto, onde vamos colocar isto e aquilo, onde vai passar a rua, ou a rede de esgotos, que edifícios, com que altura, que jardins, que equipamentos, isso é a seguir, porque, primeiro foi preciso saber o que queremos e, hoje, penso que já não há dúvidas sobre isso. Este é um ganho enorme.”

Poder Central também tem que se empenhar

O avanço da implementação do Plano não vai implicar a revisão do PDM?
“Acho que sim. Tem que ser. Essa questão é de grande importância, porque o nosso acordo com a Câmara e a alteração do PDM, implica que o Poder Central, que também somos nós todos, também tenha que se empenhar e pronunciar. Eu acho muito bem que se pronuncie, o que acho mal é que demore anos a pronunciar-se”

Câmara, a PARPÚBLICA e Quimiparque estão consensualizados

A PARPÚBLICA concorda com esta Estratégia?
“Concorda. Aí está a minha pequena vaidade, é ter conseguido, para já, juntar o puzle. Não só a PARPÚBLICA concorda, como a Câmara também, mas, mais do que isso, o Porto de Lisboa – um vizinho da maior importância –a REFER, outro vizinho de maior importância. Não só entidades, eles têm território aqui, são nossos confinantes e, portanto, é preciso falar com eles, têm que ser respeitados, para que eles também nos respeitem. Foi isso que fizemos. Nós envolvemo-los nesta discussão.
Por exemplo, o Porto de Lisboa tem aqui um porto que concessionou a outra empresa – a Atlanport, que também tem direitos adquiridos. Não podemos dizer vai-te embora. Mas, quando chegar ao fim o acordo com a Atlanport, poderá ser dado outro destino ao território, ou eventualmente renegociar antes.
Nós estamos cá para negociar, é isso que temos estado a fazer.
A Câmara, a PARPÚBLICA e Quimiparque, não estamos sincronizados a 100%, mas estamos consensualizados a mais de 90%.
Há uma zonazeca que ainda falta afinar, até porque estes são projectos grandiosos, dispendiosos, que implicam gastos vultuosos, e, portanto, é preciso semear para colher.
Nós esperamos que aqui frutifique. Neste território vamos colher muitos frutos. É isso que tenho explicado ao accionista e, é isso, que eu penso com presidente da Quimiparque.
A Quimiparque tem recursos escassos, como muitas empresas nos tempos que correm, e tem dificuldades.
Nós temos apresentado lucros todos anos, há custa de uma certa austeridade e não sei se vamos ser capazes de apresentar sempre resultados positivos.
Nas empresas, há momentos que se a gente não investe arrisca a não desenvolver.
O investimento em princípio não é um custo, é para desenvolver.
Há algumas coisas que não podem deixar de ser postas nos custos que, no imediato, se reflectem nos resultados. Mais tarde podem ser positivos.”

Com ou sem Aeroporto a ponte é uma necessidade

A Ponte Barreiro- Chelas tem influência no desenvolvimento do projecto Quimiparque?
“Eu penso que a ponte, embora tenha sido anunciada pelo Senhor Primeiro Ministro, em simultâneo com o anúncio do Aeroporto, para mim, com ou sem Aeroporto, a ponte é uma necessidade.
A ponte Vasco da Gama, mesmo sem Aeroporto, daqui a meia dúzia de anos está saturada.
Uma terceira ponte Chelas-Barreiro é indispensável. Eu brinco com coisas sérias, por isso quando se fala em terceira travessia, eu digo: Terceira Travessia já foi, precisamos é da quarta travessia, porque a quarta travessia é um tema que está aí, já um dia destes.
Eu prefiro a opção Trafaria-Algés. Mas isto, não é para se começar a discutir daqui a cinco anos. Penso que logo que se feche este dossier, deve começar a ser discutida a quarta travessia porque é uma necessidade.”

PARQUEXPO vai participar no Plano de Urbanização

Qual o papel que a PARQUEXPO vai ter neste processo da Quimiparque?
“A PARQUEEXPO já nos presta serviços e espero que continuem a prestar.
A PARQUEEXPO ganhou uma experiência e uma competência na área do ordenamento de espaços, com uma determinada dimensão, sobretudo espaços públicos, com a requalificação de espaços de determinada dimensão, tendo uma competência reconhecida.
Nós, contratámos a PARQUEXPO para trabalhar connosco nesta fase que agora acabou, de elaboração do Plano Estratégico, e, contamos que voltem a participar no Plano de Urbanização.”

Cidade do Cinema aguarda entrega de dossier

A Cidade do Cinema que tem sido tão falada a Quimiparque foi contactada?
“ A Cidade do Cinema é como outro qualquer projecto.
Se a Cidade do Cinema quiser vir para a Quimiparque estabelecer-se, como qualquer empresa, eu acho que já cá estava, porque sempre que aparece um empresário nós tudo fazemos para contratualizar.
O que aconteceu, no caso da Cidade do Cinema, é que eles têm a ambição de receberem contrapartidas para se puderem estabelecer, é um projecto de dimensão nacional, com um valor acrescentado muito significativo para o país e para a região, para a cidade e para a empresa.
Portanto, querem contrapartidas para se poderem instalar.
Eu não sou dono da Quimiparque, portanto, o que lhes disse, quem quer que seja que dê as contrapartidas, que seriam legítimas, porque Portugal tem dados muitas contrapartidas a muitos investidores, nacionais e internacionais, (isso, a mim não me choca, que sejam dadas as contrapartidas), mas, não me sinto à vontade, enquanto presidente da Quimiparque para ser eu a decidir sobre contrapartidas a dar.
O meu interesse é o imediato para a empresa. Ora uma coisa pode ser óptima para o país, se for mau para a Quimiparque, o país que explique, quem manda no país que diga, eu direi que é mau para a Quimiparque.
Não estou a dizer que é mau para a Quimiparque. Estou a dizer se querem que o país dê contrapartidas que expliquem.
Eu acompanhei-os ao Governo. O que o membro do Governo lhes disse, foi uma coisa que eu percebi bem: Sim senhor. Nós estamos dispostos a dar contrapartidas. Damos contrapartidas a quem nos disser o que é que nos dá a nós, ao país.
Digam lá quanto fazem de investimento, quantos postos de trabalho criam, apresentem um dossier, que a gente com base nisso, sabemos o que trazem e o esperam receber em contrapartidas. Se for razoável assinamos o contrato. Ficam responsáveis por fazer o que dizem, e nós ficamos responsáveis por dar as contrapartidas que querem.
Tenho pena se não vier para a Quimiparque. Porque sei, por pessoas ligadas ao Cinema e à Fotografia, que têm reconhecido no nosso território especiais condições de luminosidade e além disso com as acessibilidades previstas permitem vantagens óbvias.
Nós já perguntámos se o projecto estava esquecido, como estava o tal dossier, o que me foi dito é que o dossier, ainda não foi entregue ao Governo. Nem a mim.”

Candidatura PIN+ irá avançar

Que está a ser feito para que o Projecto da Quimiparque seja considerado um PIN+?
“Nós continuamos a pensar que esse será o caminho correcto porque permitirá uma melhor gestão do território.
Neste momento, ainda não temos os elementos suficientes para preparar um dossier que sustente, com força, a candidatura a Projecto PIN +.
Logo que o Plano Urbanização esteja preparado, que avançaremos, logo que a autarquia aprove o Plano Estratégico, (que sabemos está para breve), pensamos logo que tenhamos o Plano de Urbanização e que a autarquia aprove, estamos em condições de apresentar a candidatura ao Projecto PIN+.
Pensamos que tal faz sentido para ganhar celeridade.”

QREN um caminho para a apoiar a descontaminação dos solos

No âmbito do QREN há verbas relativas a aspectos do ambiente, a Quimiparque vai apresentar candidaturas?
“Sim. Essa é uma das coisas para a qual contamos com a ajuda da PARQUEXPO, porque, na nossa zona essa é, das poucas coisas, onde pudemos ir buscar alguns recursos através dom QREN.
Por isso, já falámos com a PARQUEXPO, e, eles também têm a mesma leitura.
O problema da descontaminação de alguns resíduos que ainda subsistem no nosso território, é qualquer coisa a que a empresa se sente com direito. Nós não poluímos nada. Nós herdámos um território.
Nós temos vindo a fazer descontaminação. Já fizemos muita, com alguma ajuda de fundos comunitários, a verdade seja dita, mas achamos que ainda temos algum direito.
Não queremos ter só o problema, queremos ajudar à solução, e encontrar recursos para a solução.
Pensamos que é possível apresentar uma candidatura ao QREN com a ajuda da PARQUEXPO.”

História da CUF uma lição positiva

Como estão as comemorações do centenário da CUF?
“Estão em curso. Estamos a fazer coisas. Já temos o logótipo. Estamos a fazer algumas coisas sem visibilidade, a nível nacional que mereciam ter essa visibilidade.
Mas, a iniciativa, já está a ser conhecida, com a ajuda da autarquia e do Grupo CUF, a quem nos juntámos para fazer essa comemoração. Elencámos um conjunto de actividades e cerimónias que vão assinalar o centenário.
Temos pena que, em termos nacionais, não se tenha extraído desta oportunidade uma lição para se transmitir aos vindouros.
Sou dos que considera, com tudo o que é a história da CUF, que é uma lição, francamente positiva, em termos industriais, em termos de Península Ibérica e em termos Europeus não nos envergonhamos.
A CUF começou no Barreiro muito antes do Estado Novo, é um objecto de estudo, que demonstra que nós, em Portugal, fazemos coisas de categoria internacional.
Os seus produtos tinham qualidade. As várias medalhas de Ouro que estão no nosso Museu Industrial, ganhas a nível internacional, não foram dadas por acaso, foram porque os produtos tinham qualidade e a empresa era uma referência.”

Fundação tem que assegurar a sua sustentabilidade

A Fundação do Património, como está?
“A Fundação está autorizada. É uma ambição nossa, é uma vontade. Tratar a memória do que foi a CUF é essencial. A Fundação é um elemento decisivo para se atingir esse objectivo. A Fundação tem um desafio que ainda não está completamente vencido, é assegurar a sua sustentabilidade.
Até aqui tem sido a empresa a suportar sozinha todos os custos associados à guarda e tratamento da memória, ou seja, quer o espaço museológico, desde o Mausoléu de Alfredo da Silva, até à Casa Museu, o Museu Industrial, são activos que a empresa tem preservado, à custa dos seus próprios recursos exclusivamente.
Ora bem, a autonomia da Fundação, como nós a perspectivamos e desejamos, tem que existir, de forma a ser liberta do cordão umbilical da empresa, de forma a que viva independente, não quer dizer que a empresa não assuma a sua responsabilidade social e continue a ajudar a Fundação.
A Fundação tem que ter condições de sobrevivência de tal forma, que viva, mesmo sem a empresa, É nisso que estamos a trabalhar. A nossa sociedade civil não tem força para ajudar, porque estamos num período em que toda a gente está a apertar muito o cinto.
Tudo está a ser bem ponderado para que os alicerces fiquem sólidos”

Luís Tavares - sem ele não havia Quimiparque

Como avalia o contributo da sua equipa, na empresa, aqui no Barreiro? Luís Tavares por exemplo?
“O Luís Tavares, sem ele não havia Quimiparque. Sem ele eu não estava cá. Ele é essencial.
Não há homens providenciais, de pessoas essenciais está o cemitério cheio.
Mas, a verdade é esta, independentemente da amizade e da consideração, pessoal e profissional, que tenho por ele, a verdade é esta ( estou àvontade porque não o conhecia, conheci aqui no Barreiro).
Eu aposto em equipas. O Luís Tavares, como Administrador Executivo, quer os Directores, quer a generalidade dos trabalhadores, aqui no Barreiro, são uma equipa ganhadora.
Eu devo dizer, modéstia à parte, que sem eles não havia o sucesso.
Dizer que são todos jogadores para a selecção, isso não acontece em nenhuma equipa, por muito bons que sejam, uma selecção faz-se de jogadores de diversas equipas.
Mas que esta é uma equipa ganhadora, não tenho dúvidas”

Sardinha Pereira -Fez e desfez a malha industrial deste território

E Sardinha Pereira?
“É a pessoa que mais sabe do que foi e é todo este espaço e este território.
Ele é mais do que a memória, é um caso raro em Portugal, porque ele fez e desfez, o que foi a malha industrial deste território.
As pessoas às vezes, pensam que as coisas se constroem e se destroem sem que isso custe alguma coisa por dentro.
Eu não sou desses e não acredito, no caso dele, não lhe tenha custado imenso conviver com a destruição.
Acho que, com a construção ele conviveu bem, mas com a destruição. Só por isso eu tenho um imenso respeito por ele.
A verdade é que ele tem um pensamento positivo que é uma coisa que ajuda muito a vida.”

Carlos Humberto – ganhei um amigo

Como é que vê o homem Presidente da Câmara Municipal do Barreiro? Como são as vossas relações?
“Eu não devia dizer isto, mas eu ainda gosto mais dele como pessoa do que como presidente da Câmara. Mas não tenho nenhuma razão de queixa dele como presidente da Câmara.
Não o conhecia. Acho que nunca o tinha visto.
A verdade é esta, conheci-o há uns dois anos ou três anos, e, de então para cá, construi uma relação pessoal e, também, tem sido fortalecida uma relação institucional.
Ele tem uma orientação política, que não é a minha, que eu respeito, e, digo, em termos pessoais temos construído uma amizade, que eu sinceramente, falo por mim, penso que vai caminhando no sentido de que ganhei um amigo.
Eu não escondo as divergências. Não sei esconder divergências. E já não estou numa idade de ter ilusões. E também já me canso de tentar convencer alguém de verdades.
Eu acho que nós precisamos de conviver na divergência e na diferença.
Eu gosto muito da independência, mas a independência consolida-se na multidependência. Respeito toda a gente e, digo, me satisfaz isso mesmo.
Eu, por vezes, parece-me que ele está a ouvir, tem as suas ideias e também não gosta de abdicar delas. Isso não me incomoda, antes pelo contrário. É uma pessoa com quem me agrada trabalhar.”

A vida é para se ir vivendo

Sente-se um homem feliz?
“Não. A vida é um Inferno. Na medida em que nós caminhamos, quanto mais a gente vai atrás dela, mais ela nos foge.
A vida nós temos obrigação de olhar para ela com agrado e termos a ilusão que a vamos apanhar.
A vida é para se ir vivendo. A felicidade é assim um pouco como a santidade, também não existe, é algo que se deve procurar mas não se alcança. Julgo eu.”
É um homem com o coração há esquerda?
“Há isso sou. Até morrer. Não há volta a dar.”

Foi uma agradável conversa que aqui registamos. Num encontro marcado entre reuniões e a azáfama de um dia de trabalho, na procura de soluções e respostas aos desafios que se colocam a um território, cujo papel é decisivo no futuro dom concelho do Barreiro.

António Sousa Pereira
sousa_pereira@rostos.pt

6.2.2008 - 12:43

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