entrevista
Ana Teresa Vicente, presidente da Câmara Municipal de Palmela
Palmela é um concelho que concentra várias actividades que são de excelência
Numa entrevista com Ana Teresa Vicente, presidente da Câmara Municipal de Palmela, a autarca sublinhou que no âmbito da revisão do Plano Director Municipal de Palmela, que está a decorrer “uma primeira ideia é não fazer alterações significativas nos perímetros urbanos das nossas freguesias”, por outro lado, refere “a necessidade de criar algumas novas zonas industriais”.A autarca considera que com a centralidade de Palmela vai sofrer “os bons e os eventualmente menos bons impactos” das novas infra-estruturas que vão nascer na Península de Setúbal, mas, pela proximidade do concelho desses novos equipamentos, como Aeroporto e Plataforma Logística do Poceirão, tal pode “potenciar a oferta de emprego, que se reflectirá positivamente no concelho, criará novas oportunidades de desenvolvimento”.
Na nossa conversa com Ana Teresa Vicente, presidente da Câmara Municipal de Palmela, começámos por abordar o processo de revisão do Plano Director Municipal de Palmela, que neste momento é o grande tema em debate no concelho.
“A nossa orientação para a revisão do Plano Director Municipal de Palmela passa pelas seguintes ideias, em primeiro lugar não queremos aumentar significativamente os nossos perímetros urbanos, aliás, diria mesmo, não queremos aumentar os nossos perímetros urbanos, o que não significa não propormos alguns acertos, que podem levar a algum pequeno crescimento pontualmente; depois, prevê-se, mesmo sem crescimento, algumas alterações nos actuais perímetros urbanos, podendo referir-se como a mais significativa, na freguesia do Poceirão, fruto das transformações que se prevê vão ocorrer naquela freguesia, devido à instalação da Plataforma Logística e pela proximidade ao Aeroporto, e, sobretudo pelo atravessamento que a linha do TGV faz na freguesia, daí que exista uma proposta de alterar significativamente o desenho do actual perímetro urbano. Não será uma alteração significativa em termos de dimensão, será em termos de desenho concreto.
Portanto, esta é uma primeira ideia de não fazer alterações significativas nos perímetros urbanos das nossas freguesias.” – sublinhou a autarca.
Criar algumas novas zonas industriais
“Uma outra ideia, aponta para a necessidade de criar algumas novas zonas industriais, não são muitas, mas no caso concreto da freguesia de Pinhal Novo, estão propostas, novas áreas industriais, em torno, das novas acessibilidades que estão previstas para Pinhal Novo, nomeadamente a variante à Estrada Nacional 252.
Em termos essenciais, o que nós propomos é a qualificação dos actuais perímetros urbanos existentes e propomos o aproveitamento da Vala da Salgueirinha, continuando a exigir o seu tratamento e requalificação, dado que é uma linha de água de excelência no concelho e que seja aproveitada como um espaço natural de grandes dimensões, em Pinhal Novo.
Por outro lado, propomos que haja alguma contenção dos espaços agro florestais de modo a não propagarmos a construção dispersa, porque a construção dispersa é fruto da dimensão da propriedade no nosso concelho, mas esta é uma opção que tem muitos custos, quer para a autarquia, porque tem que fazer investimentos muito avultados nas infra-estruturas, e tem custos para a população, que podendo construir, um pouco por todo o lado não consegue ver reunidas o conjunto de mais valias, como equipamentos urbanos, equipamentos de lazer, equipamentos de cultura, serviços públicos, que naturalmente precisam, há, portanto, uma orientação da nossa parte que a ocupação urbana seja feita essencialmente em torno dos perímetros urbanos existentes.
Esta é uma ideia que pretende preservar as zonas potencialmente vocacionadas para a agricultura e para o mundo rural, é isso que nós pretendemos, também, defender com esta revisão do PDM” – salientou a presidente da Câmara Municipal de Palmela.
Palmela está no centro da Península de Setúbal
Ana Teresa Vicente salientou que encara os impactos das novas infra-estruturas previstas para a Península de Setúbal – “terão um grande impacto no nosso concelho porque muitas delas acontecem aqui, caso da Plataforma Logística do Poceirão, o atravessamento da Linha do TGV e a proximidade do novo aeroporto”.
Recordou a autarca que “Palmela está no centro da Península de Setúbal”, porque faz fronteira com quase todos os concelhos da Península e com concelhos do Alentejo.
“Com esta centralidade Palmela sofrerá os bons e os eventualmente menos bons impactos destas infra-estruturas.
A proximidade pode potenciar a oferta de emprego, que se reflectirá positivamente no concelho, criará novas oportunidades de desenvolvimento, quer aos trabalhadores, que cá habitam , quer ao que cá trabalham, mas, também as novas infra-estruturas e equipamentos criarão uma pressão que, inevitavelmente, terão consequências menos positivas.
A Plataforma Logística, com 600 Hectares, sendo a maior do país, embora, numa primeira fase, com perto de 200 Hectares, concerteza que trará impactos negativos em termos de acessibilidades. Populações que vivem, até à data, numa zona tranquila vão ver passar estradas e acessos que irão significar impactos no seu dia a dia, mas, o que nós queremos, conhecendo bem o concelho, é estar ao lado das populações reivindicando soluções que sejam o menos penalizadoras possíveis para as pessoas” – sublinhou.
Um concelho que concentra várias actividades que são de excelência
Ana Teresa Vicente, salientou que tem como objectivo que o concelho de Palmela se afirme como – “um concelho com dimensão que tem, porque é o maior concelho da Área Metropolitana de Lisboa, um concelho que consegue conciliar um pouco de tudo daquilo que são as características da nossa região, isto é, um concelho que consegue conciliar espaços urbanos, com alguma dimensão, como é o caso da freguesia de Pinhal Novo, que tem cerca de 30 mil habitantes, consegue conciliar espaços rurais que são vitais, na Área Metropolitana de Lisboa, porque qualquer território é mais saudável e sustentável se poder contar com espaços rurais e espaços onde a agricultura aconteça, efectivamente, como é o caso do concelho de Palmela.
Um território com espaços naturais, porque nós temos um conjunto de áreas protegidas que é significativamente maior que vários dos concelhos aqui à volta.
Queremos que seja um concelho com uma forte componente industrial, portanto, onde haja emprego, porque nós somos um concelho que oferece tantos postos de trabalho, quanta população activa tem, significa que Palmela também dá emprego à região.
Por outro lado Palmela é um concelho riquíssimo, com um património edificado, por isso, eu julgo, que o concelho de Palmela continua a ser, por um lado, um concelho onde dá gosto viver, e, por outro lado, um concelho cheio de oportunidades.
Um concelho onde se pode trabalhar, onde se poderá continuar a trabalhar, em torno das novas ofertas no futuro, sendo, portanto, um concelho que concentra várias actividades que são de excelência em qualquer território – indústria, zonas urbanas, espaços naturais e agricultura – são condições naturais, em qualquer território para fazer a qualidade de vida das pessoas.
O concelho que produz mais vinho na Península de Setúbal
Este ano Palmela foi reconhecida como a “Cidade do Vinho”, a presidente da Câmara Municipal de Palmela, salienta que é uma atribuição de “inteira justiça e um grande estímulo para os nossos produtores, agricultores e para a região no seu todo”.
Sublinhou a autarca que Palmela é “o concelho que produz mais vinho, em toda a Península de Setúbal, dos cerca de 10 mil hectares de vinha que existe no distrito de Setúbal, 6800 hectares estão no concelho de Palmela, de facto Palmela é o concelho onde existe a vinha, é o concelho de onde sai o vinho, por isso acho que este prémio é esse reconhecimento justo, das características deste concelho e vai ser um incentivo para que se faça vinho com mais qualidade, mais vinho de Palmela, vinho DOC, de região demarcada, e, será, concerteza um grande impulso para afirmação deste nome: Palmela é a terra de Vinho”.
Segundo a autarca , este ano o Concurso de eleição da Rainha Nacional do Vinho, será realizado em Abril, no próximo dia 30 de Abril, também, este ano, vai ser realizado, em Palmela, o 1º Festival de Moscatel de Portugal.
Nas diversas iniciativas previstas para assinalar o evento “Palmela Cidade do Vinho”, segundo Ana Teresa Vicente, estão previstas iniciativas que visam aprofundar o debate, com diversos agentes locais, que visam aprofundar a reflexão sobre a importância do vinho no desenvolvimento do concelho de Palmela.
“Este é um sector com futuro no nosso concelho, onde, nós, Palmela, podemos fazer a diferença, e, isso, só é possível com os nossos produtores, com o seu investimento e com o seu trabalho, como tem acontecido” – sublinhou Ana Teresa Vicente.
Aproximação aos pequenos problemas locais
Na nossa conversa Ana Teresa Vicente, salientou a importância da realização das “Semanas das Freguesias”, um projecto que a Câmara Municipal de Palmela dinamiza há vários anos, disse, “com a preocupação de estar permanentemente em contacto com as populações locais e com as autarquias de proximidade que são as freguesias”.
Recordou que este projecto procura envolver os eleitos e os serviços municipais, num contacto com as realidades, o que permite, no terreno, encontrar respostas às pequenas e médias situações que são preciso solucionar, para o bem estar das populações.
“É uma semana de aproximação aos pequenos problemas locais” – sublinhou.
Recordou a autarca que nestas Semanas, a autarquia promove, mesmo na fase de concepção alguns projectos em desenvolvimento nas freguesias.
É importante voltar ao tempo em que os cidadãos participavam
Ana Teresa Vicente, esclareceu as razões que visam a implementação do “Orçamento Participativo”, vida desenvolver “a democracia”, porque, na sua opinião, “a democracia passou a estar progressivamente mais empobrecida à medida que as populações foram deixando de participar”.
Ana Teresa Vicente reflecte que as autarquias foram tornando-se “mais burocráticas, mais tecnocratas e distantes das pessoas”.
“É importante voltar ao tempo em que os cidadãos participavam activamente em torno de tudo o que lhes dizia respeito, não só reivindicavam, lutavam, como se dispunham a construir.” – salienta a autarca.
Sublinhou que o conceito “construção” nos tempos de hoje pode ser diferente, podendo as pessoas construir – “com a sua opinião, com a sua crítica, com a sua exigência, com a sua proposta de solução”.
“O nosso projecto é Orçamento Participativo – Presta Contas, isto tem um significado, porque nós vamos discutir o Orçamento com as pessoas, mas também vamos dar a conhecer aquilo que fizemos” – sublinhou a presidente da Câmara Municipal de Palmela, acrescentando, que “com este trabalho têm vindo a renascer as Comissões de Moradores, existindo um conjunto de Comissões que há muitos anos não tínhamos”.
“Tudo isto contribui para a riqueza da democracia local e participação da população que é muito importante” – salientou.
Sinto que o tempo passou muito depressa
“Sinto que o tempo passou muito depressa. Sinto que ainda temos muita coisa para fazer.” – com estas palavras caracteriza o seu mandato, recordando que devido a quebras de receitas e outras realidades, existem um conjunto de obras por concretizar e que, até ao final do ano, muitas vão ser implementadas, com destaque para a construção de mais três Escolas do Ensino Básico.
Recorda que está a completar 8 anos no exercício do seu cargo e que, em média, foi construída mais de uma Escola por ano – “por ano, não é por mandato”.
Ana Teresa Vicente sublinhou diversas obras que estão previstas concluir até ao final do ano, tais como a recuperação do Teatro de S. João, obras de infra-estruras e recuperação de equipamentos.
“Quando terminarmos 2009,vamos estar em condições de afirmar que, no essencial, cumprimos o nosso programa de mandato” – sublinhou.
Ana Teresa Vicente, no final da nossa conversa expressou a sua disponibilidade para se candidatar, tendo sido, entretanto, anunciada a sua candidatura à Presidência da Câmara Municipal de Palmela, nas próximas eleições autárquicas, para aquele que será, por força da lei, o seu último mandato autárquico.
António Sousa Pereira
2.4.2009 - 15:07
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