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entrevista

André Pinotes Baptista - JS Barreiro
Ser solidário mesmo para quem não foi solidário comigo

André Pinotes Baptista - JS Barreiro<br>
Ser solidário mesmo para quem não foi solidário comigo . Os barreirenses precisam de ser agitados

"Eu amo esta terra, amo a história do Barreiro, a resistência, Eu amo a minha terra. Se, um dia, a minha vida profissional me levar do Barreiro, pode levar-me daqui, mas, eu digo: podem tirar-me do Barreiro, mas nunca hão-de tirar o Barreiro de mim, porque o Barreiro é uma terra que nos marca, é uma terra que nós dizemos, com orgulho que somos do Barreiro" - sublinhou André Pinotes Baptista, pioneiro do mundo da blogosfera do Barreiro, membro da redacção do jornal "Jovem Socialista", estudanete de comunicação e marketing, militante do PS e da JS.

André Alexandre Pinotes Baptista, tem 24 anos, nasceu em Setúbal, no Hospital S. Bernardo, mas, como diz – “a minha terra é o Barreiro, fui registado no Barreiro é no Barreiro que vivo, nos Casquilhos, sempre lá vivi, nunca saí de lá”.
“Nasci em 1984, numa sexta feira 13, em Abril, dizem que dava azar, mas, pelos vistos, isto, é só para os outros, porque eu tenho tido sorte ao longo da vida.” - sublinha

Aprendi a estar com pessoas de diferentes condições

André, frequentou a Escola Primária nº 9, como aluno da Professora Albertina, “uma pessoa que me marcou um pouco, porque era uma pessoa desorganizada, que não gostava de cumprir horários, mas, era uma pessoa que tinha um coração muito grande, tinha sempre disponibilidade para os alunos, é aquela figura de Professora Primária que, eu penso, já não existe, muito humana e sempre disponível para ouvir os dramas de cada aluno.”
Refere, André, que da Escola Primária - “guardo muitas boas recordações, porque os meus pais, apesar de terem algumas capacidades financeiras, consideraram que eu devia frequentar o Ensino Público”, por isso, sublinha, aí - “aprendi a estar com pessoas de diferentes condições e classes, que considero ser uma coisa muito boa na minha vida”.
Dos colegas de escola, André salienta, que, hoje, tem um que é licenciado, com doutoramento em Electrotecnia, e, tem outro, que está preso, por tráfico de droga.

Associativismo um sítio de lazer

Após o Ensino Primário frequentou a Escola da Telha, na mesma zona onde habitava – “o meu espaço era o Paivense, onde fazia Ginástica e Karaté, onde via os mais velhos jogar às cartas e discutirem, com o mesmo fervor, os jogos de cartas, como a política, eles, com tanto amor discutiam o Partido Comunista, o PS, como discutiam o jogo da sueca ou o jogo do Burro”.
Recorda o Senhor Costa e muitas outras pessoas – “o meu primeiro contacto com o associativismo foi este ser um sítio de lazer, onde andei a brincar, onde ouvia os mais velhos . Sempre tive paciência para ouvir os mais velhos, que alguns diziam que eram chatos, para beber os conhecimentos deles”.

De sítio proibido a um sítio que se gosta

Na proximidade da sua casa está o Convento da Verderena, um lugar que, na sua infância, estava “vedado” e em estado adiantado de degradação.
Recorda – “As velhas da rua, da janela gritavam: cuidado meninos não vão para aí, porque aí há seringas, não vão para aí brincar.
Nós saltávamos a vedação do Convento, aquilo era um desafio para nós, porque, isso, era entrar num local para onde não podíamos ir, entrávamos e explorávamos aquilo lá dentro, tudo em ruínas.
Hoje em dia, olho para o Convento e sinto um contraste muito grande, porque aquele era um sítio proibido, hoje, é um sítio que eu gosto”.
E, na conversa, André recorda, igualmente que tem uma memória vaga de ver o Hospital do Barreiro nascer - “A minha mãe é médica ( Isabel Pinotes), ela, fazia urgências, por isso, eu dirigia-me ao Hospital e tenho a memória desses encontros”.
Por outro lado, refere que seu pai é professor, na Escola Secundária de Santo André, dedica-se a escrever Manuais Escolares, perito de Formação Profissional das Nações Unidas, tendo sido o fundador do Centro de Formação de Professores do Barreiro.

Professores que desafiavam os nossos limites

O Ensino Secundário frequentou na Escola Secundária de Casquilhos – “foi uma escola que contribui muito para a minha maneira de ser, porque tive o privilégio de ter dos professores mais brilhantes”.
Recorda a Professora Guilhermina, de Matemática, era “uma mulher de saber”; a Professora Conceição Pimenta, deixava que a tratasse pelo primeiro nome; a Professora Alda Barata, era “uma mulher de força”; o Professor Carlos Coentro, de Filosofia, era “um homem de romper”; a Professora Esmeralda; Professora Teresa Maurício, era “um doce de pessoa”, que, infelizmente faleceu; o Professor Orlando, Director da Escola, “era um homem excêntrico, mas no bom sentido da coisa, era um homem de bom coração”.
Sublinha, André – “uma variedade tão grande de professores tão diferentes, com uma visão tão diferente do mundo, que nos enriqueceram, porque eram professores que, para além das aulas que nos davam, desafiavam os nossos limites, puxavam por nós. Foram tudo pessoas que me marcaram muito”.

Casquilhos era uma escola muito humana

“Sempre fui um bom aluno na escola, apesar de ter sido sempre um aluno rebelde. Nos prémios que a escola costumava fazer, fui nomeado, simultaneamente : para Melhor Aluno e para “Aluno mais Balda”. Porque para mim quando era para estudar, era para trabalhar, o resto do tempo era para conviver” – refere.
Em Casquilhos, recorda – “os professores não criavam muito distanciamento entre professores e alunos e isso era bom. A Escola dos Casquilhos era uma escola muito humana. Eu aprendi muito essa dimensão humana da Escola.” – acrescenta com entusiasmo e emocionado.

Intervir no Movimento Académico

“Foi aí que comecei nas lides politicas, porque foi aí que eu comecei a intervir no Movimento Académico. Foi quando comecei a entender que, as pessoas juntas, quando queriam lutar por uma coisa melhor, conseguiam, mesmo que fosse por coisas simbólicas. Integrei a Associação de Estudantes durante dois anos.
Na Associação, as pessoas apesar da pluralidade de opiniões, quando queriam fazer, faziam, e dava gozo fazer, mesmo entre pessoas diferentes, aprendi isso na Escola de Casquilhos” .

Escola tinha uma identidade própria

Recorda que na altura, não tinha nenhum partido, mas que havia a JCP - “que era muito mais organizada, que qualquer outra estrutura, mas, a JS também existia, estas duas forças digladiavam-se as pelo controle da associação. Isso foi uma coisa que sempre me fez confusão, porque queriam maquinar a Associação de Estudantes, colocando-a ao serviço das suas pretensões. Eu não gostava.
Nesta altura, comecei a estar próximo do PS, mas o quererem controlar a Associação, foi uma coisa que me repeliu das forças politicas.
Eu não gostava, sobretudo, que decidissem por mim, não gostava que me usassem para fins que eu não compreendia, nem achava que fossem legítimos.
Essa luta na Associação enriqueceu-me, porque foi a luta que travei para me sentir independente, no verdadeiro sentido, que era o não deixar que ninguém me arregimentasse.
Uma coisa eu me orgulho: nesses dois anos, que estive na associação, quer a JCP, quer a JS, sempre agimos para além do que essas forças nos queriam dar, foi isso que aprendi, também com o Carlos Miguel, que é, hoje, o presidente da JS, e, nesse tempo, foi Vice Presidente da Associação de Estudantes.
Aprendi, com ele, que o importante do nosso trabalho era fazer pelos Casquilhos, pela Escola que tinha uma identidade própria. Isso era para nós um grande gozo.”

Chorei quando ela referiu os alunos

Nas suas memórias refere – “No dia que a Professora Guilhermina recebeu o Galardão Barreiro Reconhecido, chorei, quando ela se referiu aos alunos. O meu pai recebeu no mesmo dia, mas, do meu pai tive orgulho, da professora Guilhermina, chorei. Fez-me recordar a dimensão humana que nós tínhamos na Associação, onde haviam lutas, porque haviam visões diferentes em relação aos partidos.”

Eu sempre me senti mais próximo do Partido Socialista

Como chegaste à actividade política? - perguntámos
“Havia um Senhor que eu pensava que se chamava António Buterres, que eu gostava muito de ouvir falar. Chamava-lhe António Buterres, nunca ninguém me tinha corrigido. Eu pensava que o Senhor António Buterres era um homem bem falante, era um homem que eu admirava.
A minha mãe dizia que eu era louco, porque aos 14 anos, punha-me a ver o Canal Parlamento, que dava na RTP 2.
Ela perguntava-me porque, sempre às cinco da tarde, eu estava a ver o Canal Parlamento, mas, para mim, aquela coisa do digladiar de ideias dava-me gozo.
Eu sempre me senti mais próximo do Partido Socialista. Havia uma grande referência para mim que era o Mário Soares. Nunca me quis filiar, mas sempre fui próximo do PS.
Demorei muito tempo a decidir, porque havia outras figuras de quem eu gostava, curiosamente: o Manuel Alegre, o Santana Lopes, pela sua oratória, e, também gostava de Sá Carneiro, por aquilo que pude estudar.
Sempre tive dúvidas, se o meu espaço político seria a Social Democracia, no PSD; ou a Social Democracia, no PS.” – sublinha.

O meu avô era um comunista

“Levou anos até que tomei uma decisão, porque eu não queria tomar uma decisão sem que fosse uma decisão consciente.
O meu avô era um comunista, ilustre desconhecido do PCP, mas era um comunista típico de gema, que nunca teve protagonismo, mas que dava a vida pelo partido.
Um homem que andava de bicicleta porque achava que era um crime desperdiçar dinheiro num carro, quando havia tanta gente a passar fome.
Um homem que, quando lhe roubaram a bicicleta, que era o transporte que usava para a fábrica, comentou: coitado do ladrão, a bicicleta não tem travões.
Um homem que decidiu apostar na educação dos filhos, em vez de optar por comprar carros.
Quando fui para a politica tinha a referência do meu avô, como forma de estar na vida, como forma de estar na politica, mas não me sentia confortável, com aquilo que era a minha percepção do Partido Comunista.
Sentia respeito pelo trabalho comunitário e pelo trabalho colectivo.
Mas, era na fronteira, entre o PS e o PSD, que eu me sentia bem.” – sublinha André, que fala sem parar e sentindo as palavras de forma apiaxonada.

Fui filiar-me no PS pelo meu pé

“Houve um dia, quando foi aquela demissão do pântano, após as autárquicas ( num tempo que António Guterres viajava para Londres, para acompanhar a sua mulher doente), uma coisa que me marcou, foi, depois, aquele discurso de Durão Barroso sobre o país estar de tanga.
Isso, foi uma coisa que me revoltou, porque achei que António Guterres estava a ser injustiçado.
Foi nesse dia que decidi e me fui filiar no PS, pelo meu pé, foi assim que cheguei ao Partido Socialista, e, por arrasto, fui depois para militante da Juventude Socialista. Foi assim que eu cheguei às lides partidárias.
Na altura dizia, por brincadeira, que não era filho de ninguém, dentro do partido, mas, era ali que eu queria estar.” – sublinha.

Pioneiro dos blogues no Barreiro

André é um dos pioneiros do mundo da blogosfera no concelho do Barreiro, com a sua página – Vox clamantis in deserto – que pode consultar em : http://voxpolitica.blogspot.com/
“Eu não sei se isto é bom, se isto é mau, mas eu sempre tive necessidade de opinar, por isso quando a Blogosfera apareceu eu achei que era uma coisa maravilhosa, porque era a possibilidade de eu opinar, de as minhas opiniões serem partilhadas, com quem queria, com quem visitava o meu endereço. Ou seja, eu não impingia a minha opinião a ninguém, as pessoas procuravam voluntariamente.
Eu achei que a bloguesfera era uma forma de subscrever as minhas ideias, a descrição do meu blogue mantém-se ainda hoje.
A primeira que editei, foi em Outubro de 2005, ainda se mantém hoje, escrevi sobre as pessoas que não se eclipsavam anonimato e defendiam as suas ideias e as subsescreviam.
Os blogues são como tudo na vida, uns com vicissitudes negativas como os blogues os anónimos, onde se difamam as pessoas, onde se recorre a tudo e mais alguma coisa.
Mas, para mim os blogues são uma forma de darmos a nossa opinião e as pessoas vão lá de forma voluntária.
Os blogues são um espaço nosso, são uma extensão nossa, e, num mundo globalizado, onde a informação circula como circula, eu penso que esta é a forma que tenho de dar as minhas opiniões e dar os meus desabafos.
Ali faço críticas frontais, outras encriptadas, conforme os estados de espírito, é um espaço onde posso dar a minha opinião sobre este e aquele assunto, é um espaço de Liberdade e eu gosto do exercer quando tenho tempo.” – refere André Pinotes.

Um espaço de Liberdade

“O bom senso é quase mais bem distribuída à face da terra” – esta é uma frase que não é minha, mas, sempre me considerei uma pessoa de bom senso.
Eu sempre achei que dizia coisas que não eram acolhidas, e achei que o blogue, pelo formato que existia, era o local correcto, era a minha voz, a clamar no deserto. Essa a razão do nome que lhe dei - –« Vox clamantis in deserto».
Eu sentia-me confortável, como os profetas a clamar no deserto.
Mas, pelas visitas que fui tendo, pelos contributos que fui tendo, apercebi-me que não era propriamente estar a clamar no deserto.
Mas, o espírito de falar sem plateia, como o outro que prestava Sermões aos Peixes, parecia-me um bom desafio, parecia-me uma coisa aliciante, estar a falar com o propósito de me exprimir, foi isso que a blogosfera me deu, e, penso, é isso que a blogosfera me dá.”

Sinto-me bem na Comunicação e no Marketing.

André Pinotes hoje estuda Marketing, no Instituto Politécnico de Setúbal – Escola Superior de Educaçãp.
Antes, frequentou Engenharia de Planeamento do Território, no Instituto Superior Técnico, e, esteve em Engenharia Civil, na Universidade Nova.
“O meu percurso académico não foi rectilíneo, mas foi rico.
Tive oportunidade de conhecer o meio do Técnico, que é uma coisa muito peculiar, onde, tive oportunidade de aprender Matemática, na sua essência, e aprender a raciocinar, que é uma coisa que se aprende no Técnico. Não tive os melhores resultados. E, acho que não reagi, muito bem, a toda aquela exigência e ao clima de competitividade, mas, considero que foi enriquecedor ter estado no Técnico, ali, conheci professores fantásticos do ponto de vista intelectual.
Mudei para a Nova, porque queria tirar Engenharia Civil. Eu tinha aquela confusão que um Engenheiro Civil era um construtor Civil, mas, no fundo, aquilo era uma busca por dinheiro.
Era uma busca por tirar um Curso que era socialmente bem aceite, que tinha muita saída profissional, aos 19 anos, digo, não estava preparado, não tinha a maturidade, de decidir qual era o rumo que queria dar à minha vida.
Na altura achei que era o dinheiro e deixei-me ir um pouco, por isso, era uma decisão minha, de que não me arrependo.
Mas, eu quando passei para a Escola de Casquilhos, disse à minha mãe ( coisa que eu já não me recordava, foi ela que me recordou) : “O que eu gostava de tirar era Publicidade e Marketing.”
Isso esqueceu-me. Há dois anos interrompi os estudos e comecei a trabalhar, porque fui experimentar o trabalho a sério, o trabalho do mundo dos adultos, o trabalho das 9 às 17, agora, quando quis voltar a estudar optei por ir para Marketing.
A minha mãe disse-me : “É engraçado as voltas que a vida dá..” recordando o que eu lhe tinha dito isso quando passe do 9º para o 10º ano”. Confesso que não me recordava. Mas, genuinamente, esta é a área onde eu me sinto bem, na Comunicação, no Marketing.
É isto que estou a tirar e sinto-me muito preenchido, sinto que o Curso é um desafio novo, todos os dias, isso é uma coisa que me estimula.”- sublinha.

O amor pela comunicação e o amor pela política

André Pinotes integra actualmente a Redacção do jornal “Jovem Socialista, perguntámos o significado dessa sua experiência : “Eu tenho amor pela comunicação. Sempre fui uma pessoa que, desde menino, nas paragens metia conversa com as pessoas, na Escola era dos mais interventivos.
Na oportunidade de estar a trabalhar no jornal “Jovem Socialista” esta foi mais uma coisa que vem no seguimento da minha paixão – comunicar, opinar, intervir.
Esta foi uma oportunidade que me deu um gozo enorme, fazer parte da equipa de redacção do “Jovem Socialista”. Este é um grande desafio.
Ali, juntam-se duas coisas : o amor pela comunicação e o amor pela política.
Ali, o desafio permanente por manter a independência é muito complicado, num órgão que é um órgão oficial de uma estrutura partidária.
É muito complicado mantermos os valores do jornalismo, de isenção, mas, conseguimos sempre encontrar uma forma de sermos íntegros. E, isso, que tem sido um grande prazer.
Felizmente temos uma equipa, e, o Director do “Jovem Socialista” também tem esta visão. Sinto-me muito confortável lá, porque é um sitio que me permite estar num órgão oficial de uma estrutura partidária e ser livre de opinar. Tem sido enriquecedor.
Esta foi uma oportunidade que surgiu por linhas tortas, devido a jogos de bastidores, mas, é uma função que me dá imenso prazer desempenhar. Ali, sou mais um da equipa de redacção a contribuir para o projecto”.

O partido estava muito municipalizado

André Pinotes, integrava a Comissão Politica Concelhia do Barreiro que recentemente pediu a demissão e conduziu à posterior a eleição da nova Comissão Politica, a qual, André integra, por inerência, como representante da Juventude Socialista.
André Pinotes é militante do PS há quatro anos. Recorda que participou activamente na Campanha autárquica, quando o PS foi derrotado, mas não tinha um grande conhecimento da gestão socialista, tendo sido candidato, nessas eleições, para a Assembleia de Freguesia do Alto do Seixalinho.
Sublinha que, quando se aproximou do PS, sentia que “o partido não existia, estava muito municipalizado”.
André Pinotes refere que, quando entrou para o PS, vivia-se um período de desencanto, - “porque foi duro para o PS ter conquistado a Câmara, ou ter merecido a confiança dos barreirenses, ao fim de tantos anos, e, passados quatro anos não ter sido capaz de manter a confiança dos barreirenses”.

Nos partidos políticos a vida não é fácil

André foi convidado para integrar as três listas : de Amílcar Romano, de João Pintassilgo e de Luis Ferreira.
Mas, sublinha que a sua opção, foi resultado de, um dia ter dado a sua opinião a Luis Ferreira e este ter aceite e reconhecido que – “Eu tinha razão. Isso cativou-me. E cativou-me também o facto do Luís Ferreira não me ter prometido nada, todos os outros me falaram de hipotéticos cenários.”
Recorda, com alguma magia, o trabalho que considera positivo e inovador desenvolvido pelo Secretariado que integrou, liderado por Luis Ferreira.
“Eu achava que podíamos mudar o partido. Essa foi uma ilusão que nos moveu durante muito tempo.” - salienta
Na sua opinião quer Luis Ferreira, quer Pedro Mateus, eram homens livres que não pediam nada em troca.
“Lutavam por aquilo que acreditavam. Foi complicado, porque nos partidos políticos a vida não é fácil” – refere André, porque, acrescenta – “Existem sempre os instalados. Isto vale para todos os partidos.”

As primárias eram uma forma de envolver sociedade civil

André Pinotes expressa a sua opinião sobre a importância de realização de eleições primárias para a escolha de candidatos, aquela que era uma bandeira da anterior Comissão Politica do PS.
“As primárias eram uma forma de envolver sociedade civil nas escolhas do partido” – sublinha, acrescentando, - “Os partido enquanto estruturas fechadas não têm mais espaço para progredir”.
André considera que é importante que quer os militantes de um partido, quer os seus simpatizantes, devem ser estimulados a desenvolver o - “sentimento de pertença” e com a realização de primárias estávamos a expressar – “um exercício de desapego ao poder”.
Recorda que um líder do Partido Socialista tem que perceber que – “abrir o partido à realização de primárias não é perder poder, é abrir o partido à sociedade”

Ser solidário mesmo para quem não foi solidário comigo

Sobre a situação actual do Partido Socialista comenta que “não gosto de falar da vida interna do meu partido”.
“u amo a democracia. Os militantes escolheram. O povo é soberano quando escolhe, por isso os militantes do PS foram soberanos na escolha.
Escolheram o camarada Amílcar Romano, a mim cabe-me respeitar. Faço tensão de trabalhar, com o mesmo afinco com Amílcar Romano, com que trabalharia com Carlos Pires, ou com Reguengos.
Eu vejo as coisas como quem está a fazer campanha pelo PS. Cá estarei disponível para trabalhar e ser solidário, mesmo para quem não foi solidário comigo. É uma forma de estar na política, trabalhar, ser credível e ter palavra. No fundo são estas duas coisas : a credibilidade e o trabalho. Cá estarei. Os militantes escolheram assim, não me cabe dizer se me agrada, se não me agrada, cabe-me a mim trabalhar.
Desejo as maiores felicidades ao camarada Amílcar Romano na liderança dos destinos da concelhia, por o seu projecto político em prática. Saúdo camarada Carlos Pires pela combatividade que demonstrou e o camarada Reguengos, que apesar de ser um jovem fez uma campanha limpa e teve uma postura que eu louvo.”
André Pinotes sublinha que – “Na última vez existiram quatro candidaturas e houve a tentação de imputar á anterior Comissão Politica o facto, agora, que essa parte do partido não tomou posição de candidatura, houve três listas. Isto é um facto que constato sem dramatismos.”

O PCP soube aproveitar aquilo que o PS tinha feito

Na sua opinião, no futuro, vai ser preciso trabalhar.
“O PCP soube aproveitar aquilo que o PS tinha feito. O novo PCP juntou uma capacidade de diálogo, que faltava ao PCP anterior, de proximidade com as pessoas.
Sou crítico em relação às Opções Participadas porque no mínimo deviam ter Relatórios, tinham que ter um carácter vinculativo. Mas, com estas iniciativas, conseguiram dar uma nova dimensão que o PCP não tinha.
Hoje, ao PS cabe demonstrar que tem um projecto para a cidade, um projecto diferente. Não é fácil, requer muito trabalho. O PS vai ter que saber capitalizar os quadros que tem na sua futura actividade política”

“União dos falsos consensos” e “União na acção”

Neste final de uma longa conversa, de um jovem apaixonado pela política e pela comunicação, André sublinhou que existem dois tipos de união : a “união dos falsos consensos” e a “união na acção”, para esta, diz : “contam comigo, mas com o espírito critico, porque sei quais as minhas origens e as minhas referências”.
E, recorda que a “união na acção” significa que, após o acto eleitoral interno, acaba com a eleição e diz com mágoa – “ foi isso que não aconteceu anteriormente”, acrescentando – “cá estarei para trabalhar”.

Saber capitalizar o que tem marca PS

Na sua opinião a nova ponte e os investimentos previstos para a região de Setúbal, são “uma janela de oportunidade”.
Por essa razão considera que o “PS deve colocar-se como o partido que melhor sabe interpretar, isso, não é uma discussão de paternidades, é saber capitalizar o que tem marca PS, que foi fruto do seu esforço”.
“Que o objectivo do PS não seja a reconquista da Câmara, mas, isso sim, uma questão de conquistar as pessoas demonstrando que o PS pode ser a força que dá aos barreirenses melhor qualidade de vida.” – sublinha.

Não consigo viver sem as gentes do Barreiro

“Eu amo o Barreiro. Não consigo viver sem as gentes do Barreiro, nem viver sem o meu amor por esta terra, a terra dos pescadores, a terra que abriu caminhos nas descobertas para a Índia, a cidade da fábrica. Esta é uma terra que hoje em dia tem que se reinventar.
Eu amo esta terra, amo a história do Barreiro, a resistência, Eu amo a minha terra. Se, um dia, a minha vida profissional me levar do Barreiro, pode levar-me daqui, mas, eu digo: podem tirar-me do Barreiro, mas nunca hão-de tirar o Barreiro de mim, porque o Barreiro é uma terra que nos marca, é uma terra que nós dizemos, com orgulho que somos do Barreiro”.

PCP não destruiu o Barreiro

No final, perguntámos: achas que o PCP tem destruído o Barreiro?
“Não acho que o Partido Comunista tenha destruído o Barreiro. Considerar que o Partido Comunista destruiu o Barreiro é um pouco excessivo.
O Partido Comunista fez coisas boas e coisas más
Não gosto da questiúncula permanente que o PCP mantém com o Poder Central, mas, parece-me, que o PCP já aprendeu que esse não é o caminho.
O PCP não destruiu o Barreiro mas podia ter feito mais pelo Barreiro.
O que de bom está a ser feito neste mandato não pode branquear os 30 anos de gestão do PCP.
Considero que o PCP, não soube reinventar o Barreiro, porque era necessário reinventar o Barreiro, face á decadência industrial. Esta é a maior crítica que eu faço ao PCP.”

Os barreirenses precisam de ser agitados

E, ainda, como nota final, fica aqui um apelo de André Pinotes, um jovem socialista, que ama o Barreiro, a sua terra, que gosta de comunicar e com quem mantivemos uma conversa pela noite dentro que, hoje, aqui, partilhamos com os leitores do Rostos.
“Gostava de pedir, humildemente, às pessoas do Barreiro, que se interessassem, ainda mais, pelas questões de cidadania, fora ou dentro dos partidos, porque há muitas maneiras de intervir.
Que intervenham cada vez mais, porque quando nós nos alienamos da governação da nossa terra, deixamos que a governação seja feita um pouco ao sabor do vento.
Sejam exigentes, empenhem-se, exijam o que têm direito, e cumpram o dever : o dever de votar, o dever de colaborar, o dever de sair da mesa do café, do bota abaixo, da conversa por conversa, e passar à acção, porque há muitas formas de contribuir para a construção de uma cidade.
Os barreirenses precisam de ser agitados. Agitar as consciências na cidade, para que as pessoas se empenhem e construam a cidade todos os dias. Digam de sua justiça. Participem. Construam.”.

António Sousa Pereira

4.4.2009 - 21:10

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