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PROJÉCTOR – Barreiro
“A Maluquinha” - um bom tónico para darmos um “intervalo” à crise

PROJÉCTOR – Barreiro<br>
“A Maluquinha”  - um bom tónico para darmos um “intervalo” à crise O Grupo de Teatro PROJÉCTOR, levou a cena a peça “A Maluquinha” de André Brun, com encenação de Luciano Barata e Abílio Apolinário.

Notou-se a preocupação dos encenadores em criar espectáculo, com bastante ritmo, com um cuidado rigoroso nas marcações, com equilíbrio nos «jogos de luz» e de enquadramento musical, que funcionou como elemento «estético» e emocional, visando um resultado final, bem conseguido, numa modelação estética que é, afinal, uma homenagem ao teatro como arte criada no espaço e no tempo – real e natural.

A estreia do novo espectáculo do Grupo de Teatro «Projéctor» decorreu na SDUB “Os Franceses”, com uma sala repleta e com a presença de Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro.
Uma estreia é sempre uma estreia. E, nestas coisas, só quem está do lado de lá do palco, e por dentro dos ensaios, é que se apercebe de um ou outro pormenor que possa ter corrido menos bem, ou que «obrigue» o espectáculo a avançar passando por cima de um qualquer eventual lapso de troca de diálogos, de marcações ou “deixas”.
Dito isto, o importante é, talvez saber se o resultado final da sucessão de cenas no palco, proporcionaram ou não, um bom espectáculo. Creio que sim.

Foi uma noite divertida

Foi uma noite divertida que não decepcionou o público que ocorreu ao Salão de “Os Franceses”.
Este espectáculo é de uma grande exigência para todos os actores, dado que impõe um grande domínio dos personagens, e, de facto, de uma forma geral, com um, ou outro, pequeno pormenor, que não afectaram o desenvolvimento do espectáculo, tudo decorreu com normalidade, mesmos nos momentos mais conturbados, que exigiam um grande controle de marcações dada a “conflitualidade” gerada nas situações vividas entre as personagens.
O palco pareceu-me suficiente para que as personagens respirassem, com marcações variadas e adequadas às condições de iluminação.
Estou curioso de assistir ao espectáculo no palco do Auditório Municipal Augusto Cabrita, com outras condições técnicas.
A encenação, com poucos recursos, conseguiu fazer “milagres” na necessidade de criação de espaços cénicos diferenciados. O Guarda Roupa foi satisfatório, com alguns personagens exuberantes e epocais.
De uma forma geral pareceu-me que existiu «domínio» do texto, procurando estabelecer uma ponte com a actualidade com referências aos “euros” e ao “Parque das Nações.
Reconheço que o espectáculo decorreu com ritmo, sendo de registar o pormenor do Narrador, que permitiu dar continuidade à acção, mantendo o espectador centrado no texto e nos sentimentos que animam o «jogo» entre os personagens.
O espectáculo é divertido. Uma comédia hilariante que, como refere no programa, Abílio Apolinário, é um bom tónico para darmos um “intervalo” à crise que todos os dias nos entra em casa.
Por isso, num dos próximos sábados, aproveite e vá divertir-se com este novo espectáculo do Projéctor.

Há uma linha homógenea nas interpretações

No geral, há uma linha homógenea nas interpretações, no contexto do modelo de encenação clássico, de «ecran panorâmico», que expõe de forma permanente todos os personagens em cena, quer estejam no centro da acção, quer como simples presença em palco que deve ser discreta de forma a não se tornar um «ruído» .
Notou-se a preocupação dos encenadores em criar espectáculo, com bastante ritmo, com um cuidado rigoroso nas marcações, com equilíbrio nos «jogos de luz» e de enquadramento musical, que funcionou como elemento «estético» e emocional, visando um resultado final, bem conseguido, numa modelação estética que é, afinal, uma homenagem ao teatro como arte criada no espaço e no tempo – real e natural.
Há momentos plásticos que ficam na memória, como aquela cena que os personagens “espreitam na porta”, que proporciona o riso e com plasticidade forte nos rostos.
Como nota final : gostei do espectáculo, foi divertido e o PROJÉCTOR, mais uma vez, veio demonstrar que o teatro no concelho do Barreiro, tem público, tem actores…faltam condições de trabalho que permitam desenvolver um trabalho continuado, com raízes espaciais.
Uma palavra a todos os jovens que integram o espectáculo, que demonstram como é possível a juventude dedicar-se, com gozo, ao teatro, fazendo do teatro uma festa.
Outra nota, para os mais «veteranos» que, com a experiência de palco, demonstram como é possível através do cruzamento de acção entre gerações, continuar a manter o teatro vivo.

"A Maluquinha de Arroios"

"A Maluquinha de Arroios", título original, da célebre comédia de André Brun.
Baltasar Esteves, o "Esteves do Bacalhau" fez fortuna ao balcão, a vender bacalhau. É casado com a Capitolina e tem um filho que é poeta e uma filha, que lá conseguiu casar com um visconde.
Baltasar Esteves é também dono de vários prédios em Lisboa, entre os quais um, em Arroios, onde vive Alzira de Meneses, a quem todos chamam "a Maluquinha".
Alzira de Meneses, para além de ser um pouco destrambelhada é também uma mulher deslumbrante por quem todos os homens perdem a cabeça…vá ver e divirta-se!


Ficha Técnica

Actores

Cláudia Monteiro
Elisabete Pireza
Elsa Barata
Emanuel Saramago
João Cruz
João Glória
João Matos
José Miguel
Lara Nayr
Lilia Pinto
Manuel Gonçalves
Risete Dias
Tânia Pacheco

Apoio de Palco
Manuel Graça

Luz e Som
Vítor Paulino
Carla Paulino

Técnico Cenografia
José Palácios ( Pepito)

Encenação
Luciano Barata
Abílio Apolinário

O Grupo de Teatro «Projéctor» iniciou a sua actividade no ano 1997, e, desde esse ano, com regularidade tem mantido em cena diversos espectáculos, sendo “a Maluquinha” a sua 12ª produção.
A nova peça do PROJÉCTOR vai estar em cena, na SDUB “Os Franceses”, pelas 21, 30 horas, nos dias 4, 18 e 25 de Abril, também, nos dias 2 e 9 Maio, depois, sobe ao palco no Auditório Municipal Augusto Cabrita, no dia 16 de Maio, pelas 21,30 horas, e, dia 17 de Maio, pelas 16 horas.

BREVE REGISTO

30.3.2009 - 1:39

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