artes
Festival de Almada 2009
Homenageado deste ano do Festival de Almada é o actor Ruy de Carvalho
As Criadas» de Genet, pela Volksbühne de Berlim, numa encenação de Luc Bondy com a grande actriz Edith Clever, e uma adaptação dos «Cantos de Maldoror» de Lautréamont, com direcção de Matthias Langhoff e interpretação de André Wilms, são dois dos mais importantes espectáculos da programação deste ano do Festival de Almada, cuja 26ª edição se realiza entre 4 e 18 de Julho em várias salas de Almada e Lisboa.
Além da Volksbühne (uma das principais companhias históricas da Alemanha, que foi dirigida por Max Reynhardt e Erwin Piscator) que se apresenta pela primeira vez em Portugal, há outras grandes novidades este ano: as estreias do Teatro de Sátira de São Petersburgo (com uma peça de Ludmila Ulítskaia inspirada em Tchecov), do Teatro Nacional Francófono da Bélgica (texto de Jean-Marie Piemme), do encenador e actor francês Jacques Martial, com um texto de Aimé Césaire, da companhia de dança Virgilio Sieni, de Florença, do colectivo Miragens Teatro, de Angola.
Há também companhias repetentes entre as produções estrangeiras, como, por exemplo, o Teatro Corsario, de Valladolid, e o famoso tg STAN, de Antuérpia.
A Volksbühne am Rosa-Luxemburg-Platz é a terceira companhia alemã de fama mundial a estar presente no Festival, depois da Schaubühne am-Leniner-Platz e do Berliner Ensemble. O encenador Matthias Langhoff (grande nome do teatro europeu, e ex-director deste último teatro) está pela primeira vez no Festival.
Mario Mattia Giorgetti leva à cena uma peça de Stefano Massini, jovem dramaturgo italiano galardoado em 2005 com o mais importante prémio de dramaturgia de Itália: o Pier Vittorio Tondelli. A obra de Massini está traduzida em português, francês, alemão e checo.
O director francês Robert Cantarella e a actriz Thérèse Crémieux protagonizam uma das estreias deste ano do Festival: «Zerlina» de Hermann Broch terá em Almada a sua apresentação mundial.
Ciclo sobre Teatro Latino-Americano
Outro acontecimento que marca a 26ª edição do Festival de Almada é a realização de um ciclo sobre o Teatro Latino-Americano, que inclui espectáculos, um seminário internacional e uma exposição. Neste ciclo incluem-se duas das mais relevantes companhias contemporâneas do Chile e Argentina (Teatro en el Blanco e La Maravillosa) e o grupo Albanta de Cádis que apresenta um texto do dramaturgo equatoriano também contemporâneo, Arístides Vargas.
No seminário internacional sobre «Tendências cénicas inovadoras do teatro Latino-Americano a partir dos anos 80 do século XX» participarão nomes conhecidos como o dramaturgo e encenador chileno Guillermo Calderón, a encenadora argentina Inés Saavedra, Luis Masci, do Uruguai, Hector Manrique, da Venezuela e o brasileiro António Mercado, entre outros, além de estudiosos e professores de universidades de França, Espanha, Estados Unidos e países da América Latina.
Nove estreias
Além da estreia mundial de «Zerlina», com direcção de Robert Cantarella, o Festival apresenta, este ano, mais oito espectáculos portugueses em estreia absoluta, num total de nove produções: duas da Companhia de Teatro de Almada («Quarteto para Quatro Actores» de Boguslaw Schaeffer, com direcção de Jaroslaw Bielski, e «Comédia Mosqueta», de Ruzante, com direcção de Mário Barradas, na qual
Teresa Gafeira retomará o papel criado na primeira encenação por Fernanda Alves); dois textos de Valère Novarina por Jorge Silva Melo, dos Artistas Unidos; uma co-produção da Culturgest com o Festival de Almada, «Contracções», de Mike Bartlett, com direcção de Solveig Nordlund; uma nova produção do Teatro Praga, em colaboração com o São Luiz Teatro Municipal («Demo – um musical Praga»); «Film Noir», de André Murraças, produção do Teatro Nacional D. Maria II; e um espectáculo de dança da Oblivion, com direcção de Jean Paul Bucchieri. É o maior número de estreias até hoje no Festival.
Assinala-se ainda a participação de três outras companhias: Cornucópia, com «Menina Else», de Arthur Schnitzler; «Vieira da Silva par elle même», com Maria José Paschoal; e Circolando com o Espectáculo de Honra (repetido da edição anterior) «Quarto Interior» e um novo espectáculo, «Charanga».
No Festival participam este ano 10 países. Além de Portugal: Alemanha, França, Espanha, Bélgica, Itália, Rússia, Argentina, Chile e Angola.
Actos Complementares
Um vasto conjunto de Actos Complementares completam a edição deste ano.
Além do Colóquio sobre o Teatro Latino-Americano já referido, realizam-se mais dois importantes encontros: um sobre Tradução de Textos Teatrais, uma organização conjunta do Teatro Nacional de S. João e da Companhia de Teatro de Almada; e outro sobre «Estética e Teoria Cultural» intitulado «Político.Criação.Valor», uma colaboração do Festival com o Instituto Franco-Português, IADE, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e Museu do Neo-Realismo.
Há também diversas conferências: de Pepe Bablé sobre o Festival de Cádis, de Guillermo Calderón sobre o Teatro Chileno Contemporâneo, entre outras.
Os dois workshops serão «O corpo no espaço», de Jean-Guy Lecat e Jean Paul Bucchieri e «O teatro do corpo» de Paula Zúñiga.
Como sempre haverá muitas exposições: sobre a figura homenageada este ano; sobre o teatro latino-americano; sobre a revista Obscena, que tem dedicado grande atenção ao Festival; de Vasco Araújo, autor do poster deste ano; do pintor Francisco Ariztía, integrada no ciclo latino-americano; «O trajo de cena», em colaboração com o Museu do Teatro (criações de Almada Negreiros, Pinto de Campos, Lucien Donat e Paula Rego, entre outros) e uma exposição colectiva de fotografia, «Digressões 2009».
Como é habitual, na Esplanada da Escola D. António da Costa haverá colóquios diários com artistas e criadores participantes no Festival.
Uma instalação do Útero ocupará, este ano, o pátio posterior do Palco Grande, na Escola D. António da Costa. Na Esplanada da Escola os espectadores do Festival disporão também de um programa de espectáculos musicais.
Ruy de Carvalho
O homenageado deste ano do Festival de Almada é o actor Ruy de Carvalho, considerado um dos maiores actores portugueses contemporâneos, que assim se vem juntar à galeria de actores distinguidos pelo Festival, desde a sua fundação: Assis Pacheco, Costa Ferreira e Raul Solnado.
Prémio Internacional de Jornalismo Festival de Almada
O júri constituído por representantes da Sociedade Portuguesa de Autores, do Sindicato dos Jornalistas, do Sindicato dos Trabalhadores dos Espectáculos e da
Câmara Municipal de Almada já escolheu o vencedor do Prémio Internacional de Jornalismo Festival de Almada, instituído pela Câmara Municipal de Almada e destinado a galardoar o melhor texto publicado sobre a edição de 2008 do Festival, no valor de 5.000,00 Euros. O prémio será entregue pela Presidente da Câmara Municipal de Almada em sessão a realizar no dia 7 de Julho, às 19 horas, na sala Pablo Neruda do Fórum Romeu Correia.
O prémio repete-se para os textos sobre a edição de 2009 e podem concorrer os autores dos originais publicados em qualquer Órgão de Imprensa, tanto portuguesa como estrangeira.
Parcerias
O Teatro Nacional D. Maria II, o São Luiz Teatro Municipal, a Culturgest, o Instituto Franco-Português, e a Casa da América Latina são os espaços que acolhem o Festival de 2009, em Lisboa. Em Almada haverá actos e espectáculos no Teatro Municipal de Almada, na Escola D. António da Costa, no Fórum Romeu Correia e na Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea.
Previsão orçamental
O orçamento do Festival de 2009 prevê uma despesa de 512.040,00 Euros, assim distribuídos: 5.850,00 Euros para o Expediente; 128.570,00 Euros para Produção; 8.700,00 Euros para as Relações Públicas; 72.250,00 Euros para a Promoção, Grafismo e Publicidade; 288.870,00 Euros para Cachets; 7.800,00 para Traduções e Legendagem.
A despesa será previsivelmente sustentada pelo financiamento público (Ministério da Cultura e CMA da ordem dos 39% cada), sponsors (9%) e receitas próprias (13%).
Assinaturas
O preço das Assinaturas para todos os espectáculos do Festival é, este ano, de 65 €. Os jovens até 25 anos pagam somente 25 € e os seniores com 65 anos e mais,
35 €.
Os membros do Clube de Amigos do TMA beneficiam agora, pela primeira vez, de descontos na compra de Assinaturas para o Festival: 60 €, com preços apenas de 20 € para Jovens e 30 € para Seniores.
É a primeira vez na história do Festival que o preço das Assinaturas (que normalmente se mantém durante três anos) sofre redução. Esta medida foi tomada em função da crise económica que atravessamos e a direcção do Festival está convencida de que o aumento do número de Assinaturas vendidas compensará o prejuízo económico resultante do abaixamento dos preços.
5.6.2009 - 18:02
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