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Bloco de Esquerda – Setúbal
A execução do Programa Polis é bem o exemplo de uma cidade sem rumo

Bloco de Esquerda – Setúbal<br>
A  execução do Programa Polis é bem o exemplo de uma cidade sem rumo “O programa Polis apareceu com o objectivo de fazer a requalificação urbana e valorização ambiental de Setúbal. Um objectivo meritório. Tratava-se de remediar aquilo que uma gestão autárquica ruinosa andou a destruir nas últimas décadas.
O Polis de Setúbal foi aprovado em Maio de 2000. Passados oito anos o balanço não podia ser mais desastroso.” – sublinha um comunicado do Comissão Política de Setúbal do Bloco de Esquerda.

“O objectivo inicial de reconversão ambiental e urbanística, que pretendia tornar a área ribeirinha de Setúbal numa zona mais agradável, permitindo a ligação do rio ao espaço urbano, foi uma promessa que não se concretizou.
As três intervenções que se arrastaram durante oito penosos anos (Anfiteatro do largo José Afonso, “requalificação” da Av. Luísa Todi e Parque urbano de Albarquel) não só não cumpriram esse objectivo como nalguns casos pioraram a situação existente, desperdiçando milhões de euros que podiam ter tido uma utilização muito mais proveitosa para a população de Setúbal.” – salienta o Bloco de Esquerda.

Deixou-se degradar o Convento e construiu-se um espaço de utilidade duvidosa

“Comecemos pelo Anfiteatro, mais conhecido como o novo pórtico da Setenave (certamente evocação ao desemprego provocado por esta empresa nos últimos anos). Este equipamento ao ar livre que só pode ser utilizado durante 2 ou 3 meses por ano, está longe de ser uma prioridade cultural para a cidade. Existiam outros espaços que no passado tinham tido a função de promover espectáculos ao ar livre, destacando-se o Claustro do Convento de Jesus que ao longo de mais de uma década recebeu o Festival Internacional de Teatro. Deixou-se degradar o Convento e com esse dinheiro construiu-se um espaço de utilidade duvidosa. Outra consequência foi o afastamento e consequente óbito da feira de Santiago.” – acrescenta a Comissão Política de Setúbal do BE.
Ausência de qualquer projecto coerente para a reconversão

“A situação mais disparatada e mais gravosa é sem dúvida a que se refere à Av. Luísa Todi, onde está por provar que a intervenção preconizada venha trazer alguma vantagem em relação à situação anterior.
A não existência de um Plano de Pormenor definitivo mesmo depois da obra já ter começado, as várias mudanças de projecto, qualquer delas pior do que o anterior, são situações completamente inaceitáveis.
A intervenção feita até agora tem levado ao abate de árvores seculares, ao aumento da área de estacionamento, à concentração do estacionamento na zonas nascente da avenida, o que evidencia a ausência de qualquer projecto coerente para a reconversão deste espaço de referência e de identidade da nossa cidade.” – refere o BE

Pseudo requalificação da zona ribeirinha

“A substituição do parque de campismo pelo Parque Urbano de Albarquel poderia ter sido uma mais valia para Setúbal.
Infelizmente foi-se construir um parque numa zona privilegiada, sem se ter concebido em primeiro lugar os acessos a esse parque. Neste momento não há acesso pedonal ao Parque de Albarquel e a sua construção vai demorar na melhor das hipóteses vários anos. O acesso tem que ser feito de automóvel, preferencialmente de jipe.
Também o desaparecimento do acesso pedonal à Praia de Albarquel constitui uma amputação e um empobrecimento ao projecto inicial que é completamente intolerável.
Mas o pior ainda pode estar para vir. E o pior é os milhares de m2 de área de construção junto ao rio. Com a pseudo requalificação da zona ribeirinha, corremos ainda o risco de aí ter uma nova inundação de betão armado.” – considera o Bloco de Esquerda.

Sem um projecto global de reabilitação urbana

“A execução do Programa Polis é bem o exemplo de uma cidade sem rumo, sem um projecto global de reabilitação urbana, que prefere as “obras de regime” e de fachada ao investimento em equipamentos que melhorem o ambiente e a qualidade de vida das populações.
Sem uma estratégia orientadora que defina as prioridades de intervenção e desenvolvimento de acordo com as nossas capacidades e potencialidades, o Polis será sempre um fracasso.
O projecto Polis é bem o exemplo de uma cidade cada vez mais desqualificada e rendida aos interesses do imobiliário e da especulação urbanística.” – sublinha a finalizar a Comissão Política de Setúbal do BE.

24.5.2008 - 15:39

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