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«Dinâmicas Territoriais – os concelhos do Barreiro e da Moita»
“É necessário atrair actividades qualificadas para a margem sul”
Jorge Gaspar, professor na Faculdade de Letras, no decorrer de um Colóquio, realizado no Barreiro, sublinhou que a margem sul tem vindo a registar “cada vez mais dependência da margem norte”, dando origem a um processo de suburbanização.Na sua opinião, ao longo dos anos, não tem existido vontade de inverter esta situação.
Jorge Gaspar defende que é preciso potenciar o aeroporto na margem sul, mas, na sua opinião, é necessário “impedir o desenvolvimento da cidade aeroportuária”.
“É necessário atrair actividades qualificadas para a margem sul” - defendeu.
Numa iniciativa do Agrupamento de Escolas D. João I, do concelho da Moita, e, Agrupamento de Escolas de Santo António, do concelho do Barreiro, decorreu no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, um Colóquio tendo como tema:«Dinâmicas Territoriais – os concelhos do Barreiro e da Moita».
Esta iniciativa de um grupo de professores de Geografia da Escola Básica 2,3 e Secundária de Santo António, e, da Escola dos 2º e 3º Ciclos de D. João I da Baixa da Banheira, teve como objectivo mostrar a importância da Geografia como ciência que se preocupa com os problemas que, actualmente, afectam o planeta.
Promover uma cidadania pró-activa
Na abertura do Colóquio, Anabela Cardoso, Delegada de Geografia da Escola D. João I, sublinhou que esta iniciativa tinha como tema central proporcionar uma abordagem dos impactos, nos territórios dos concelhos do Barreiro e Moita, da futura construção do Aeroporto de Alcochete e da Terceira Travessia do Tejo ( Barreiro- Chelas).
Maria do Carmo Branco, referiu a importância desta iniciativa no sentido de dar um contributo para consciencializar a população para os impactos das futuras infraestruturas, recordando que “a escola tem um papel importante a desempenhar nesta questão” contribuindo para “promover uma cidadania pró-activa”.
Manuel Dias, salientou que a “educação é sempre um trampolim para todas as coisas”, daí a importância deste debate sobre as dinâmicas territoriais, recordando que “os jovens são aqueles que vão gozar, ou mais sofrer, com tudo o que está a ser planeado para a margem sul”.
Base do sucesso do planeamento e de ordenamento do território é a educação
Como prelector convidado neste Colóquio, Jorge Gaspar, professor da Faculdade de Letras, começou por sublinhar que a sua concordância que “a educação é a base de tudo”, acrescentando que a “a base do sucesso do planeamento e de ordenamento do território é a educação”.
Jorge Gaspar recordou o trabalho que desenvolveu no âmbito da OID – Operação Integrada de Desenvolvimento, um programa que foi desenvolvido tendo por objectivo “criar uma base de empresários de raiz local” na Península de Setúbal, com a finalidade de dar respostas à crise e situação de desemprego que afectou a região, em sequência da crise, nos anos 80, que afectou as grandes indústrias e gerou um processo de desindustrialização.
Na sua intervenção, salientou que no estudo da Geografia e da História é importante o “conhecimento do espaço e do tempo” e “ver as asneiras que os outros fizeram para as evitar”.
“Ver o que fizemos e procurar minimizar o que é negativo” – sublinhou.
Uma história de dois mil anos
“Vamos ter uma nova ponte, mas, esta não é a primeira” – referiu Jorge Gaspar, comentando que com a inauguração da Ponte 25 de Abril, “aumentou espantosamente o tráfego fluvial entre as duas margens” e registou-se “o declínio da Baixa Lisboeta”.
Recordou Jorge Gaspar que desde os Romanos, que existe “complementaridade entre as duas margens”.
Referiu que todo o espaço envolvente na margem esquerda e margem norte do Rio Tejo, “tem que ser enquadrado na sua componente aquática”, sublinhando que o Rio Tejo desagua nos mochões e o estuário é o “Mar da Palha”.
Na sua intervenção salientou que a área designada por “outra banda” – a margem sul – era de gente marítima.
“Temos uma história de dois mil anos que estamos a esquecê-la” – sublinhou Jorge Gaspar.
Recordou que o desenvolvimento da margem norte do Tejo desenvolveu-se de forma linear - “um crescimento ao longo da margem” - de Vila Franca de Xira até Cascais, enquanto a margem sul desenvolveu-se “como um rosário” , com vários núcleos urbanos.
Lisboa produz mais riqueza
Jorge Gaspar salientou que ao longo de séculos “Lisboa produz mais riqueza” e também a “distribui pelo país, esta tem sido uma realidade”.
Referiu que “Lisboa é a capital de uma comunidade portuguesa espalhada pelo mundo”.
E, referiu que a margem sul, tem sido “um ponto de charneira” de Lisboa, no fornecimento de energia, de vinhos e de pesca.
Salientou que na margem sul, nomeadamente no Barreiro, eram produzidos bons vinhos, existiam a secas de bacalhau e “teve uma história em torno da pesca”.
“Os vinhos do Barreiro eram conhecidos no mundo inteiro” – sublinhou.
Jorge Gaspar, salientou a importância de recordar estes factos porque, na sua opinião, a memória “pode ser a resposta para um saber fazer” e tem “relevância na vida futura”.
Na sua intervenção referiu o “saber fazer” do Barreiro, que viveu o “ciclo da cortiça e, posteriormente, se especializou na indústria e na ferrovia, porque – “os caminhos de ferro eram necessários para o transporte de adubos”.
“Há um património industrial que não podemos deixar degradar-se” – sublinhou.
Jorge Gaspar salientou que ao longo de séculos na margem sul, foram sendo concretizados processos de “reciclagem” – da indústria da cortiça à indústria Química.
Neste contexto, salientou, como muitas pessoas tiveram dificuldades em aceitar, nos anos 80, “o fim da desindustrialização”.
Um processo de suburbanização
Jorge Gaspar, referiu que nos últimos anos registaram-se dois “sucessos urbanos”, na margem norte o Parque das Nações e na margem sul, a Quinta do Conde.
Na sua opinião tem vindo na margem sul tem vindo a registar-se “cada vez mais dependência da margem norte”, dando origem a um processo de suburbanização, acrescentando que, ao longo dos anos, não tem existido vontade de inverter esta situação.
Jorge Gaspar, sublinhou a sua discordância sobre a localização do aeroporto na margem sul, mas, tendo sido esta a solução apontada, afirmou que é preciso potenciar este projecto, desenvolvendo as sua virtualidades, "que também tem", acrescenatdno que é preciso “impedir o desenvolvimento da cidade aeroportuária”.
Na sua opinião é necessário atrair actividades qualificadas para a margem sul promovendo o seu desenvolvimento.
Na segunda parte do Colóquio registar-se intervenções de Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro; João Lobo, presidente da Câmara Municipal do Barreiro e Nuno Silva, Chefe da Delegação Subregional da Península de Setúbal da CCDRR LVT.
BREVE REGISTO DE REPORTAGEM
20.3.2009 - 2:32
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