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reportagem

Barreiro – Conversas do Palácio com Vítor Ramalho, Líder Distrital do PS
Distrito de Setúbal – “motor de desenvolvimento” do país

Barreiro – Conversas do Palácio com Vítor Ramalho, Líder Distrital do PS<br>
Distrito de Setúbal – “motor de desenvolvimento” do país “Consciencialização para objectivos comuns, que sirvam a todos, e não só raciocinar em termos exclusivamente partidários e restritos”

Ponte Barreiro – Chelas - “é uma travessia que não tenho dúvidas nenhumas de que se vai fazer”

Ontem realizou-se mais uma Conversa do Palácio, uma tertúlia à quinta-feira que contou com a presença do Líder Distrital do PS - Setúbal, Vítor Ramalho, para traçar: “Um olhar sobre o Distrito de Setúbal”. No encontro, Vítor Ramalho chamou a atenção para a necessidade de a esquerda se redefinir, face às transformações ocorridas pela doutrina neo-liberalista.

E num momento em que se assomam projectos importantes a serem concretizados no distrito de Setúbal, considera que a região reúne todas as condições para responder ao desígnio nacional de desenvolvimento e de maior aproximação com a Europa e o Mundo. E fala ainda na necessidade de se pensar em conjunto a estratégia do distrito.

O presidente da Federação Distrital de Setúbal do Partido Socialista, Vítor Ramalho, começou por traçar um pequeno quadro dos tempos presentes, onde sublinhou a necessidade de, em termos políticos, haver uma redefinição da Esquerda, tendo em conta as transformações a que o mundo assiste, ao que comentou: “Se esta Esquerda não fizer isto, é de uma gravidade enorme”. Das transformações no mundo moderno, focou o neo-liberalismo e o que daí resultou, desde a liberalização dos mercados, à globalização “que nos transporta para uma proximidade tal, que é preciso perceber a marcha deste mundo”, salienta. Falou também da queda que diz ser “do mundo bipolar”, onde deixou de haver uma nítida divisão entre os partidos de Esquerda e os de Direita. E nessa conjuntura que enunciou, interroga o papel do Estado, ao que considerou que: “a abertura e a liberalização dos mercados foi de tal ordem selvagem, num capitalismo selvagem” que conduziu à “contradição de a direita sustentar: menos Estado, melhor Estado”, o que entende ser “uma falácia.” E adianta: “é o próprio Estado que tem de intervir para salvar o próprio mercado”.

Perspectiva do futuro – perceber os erros que foram cometidos no passado

E entende que: “Tudo se vai jogar na capacidade que a esquerda tem de, na lógica do debate de ideias, perceber os erros que foram praticados, depois da queda do mundo bipolar, que levou a estas consequências desastrosas”, onde diz que se aprofundaram as desigualdades sociais, à escala global, e que conduziu à fragilização do poder político. Defende a existência de uma perspectiva de futuro, em que o pensamento vá no sentido de perceber os erros que foram tomados no passado e sublinha: “e nós da esquerda temos de o apanhar e temos de o apanhar dentro dos partidos da esquerda e sobretudo no Partido Socialista.”

Distrito de Setúbal - “potencialidades brutais à escala global”

Na nova visão considera que se deve ter em conta a regulamentação da globalização, a percepção do papel do Estado, a hierarquia de valores dentro do funcionamento das instituições públicas e o desenvolvimento da coesão, onde sublinha: “isto tem tudo a ver com o distrito”. A respeito do distrito de Setúbal, chama primeiramente a atenção para o facto de Portugal ser “um país central” no mapa mundo, cuja entrada e saída diz que se faz sobretudo pelo distrito “tendo em conta os dois portos de Mar”, fazendo referência a Sines e a Setúbal, como porto de entrada na sua relação euro-atlântica. E defende ainda: que “dentro de Portugal este é o distrito central que faz a ligação entre o norte e o sul, ” factores que considera que o dotam de “potencialidades brutais à escala global.” Entendendo-o como uma centralidade, interroga: “Onde poderia ser localizado o aeroporto, que não aqui?”. A proximidade directa com Espanha, através da Extremadura, é outra potencialidade que considera que deve ser tida em conta, como uma importante estratégia das parcerias que se podem estabelecer.

“É uma plataforma brutal para toda a Europa”

Defende na estratégia do país e do distrito de Setúbal a necessidade de se “gerarem factores de unidade”, o que considera que tem falhado. E comenta que ao nível político partidário não se tem apostado “numa estratégia de gerir mecanismos que levem à apresentação do distrito como uma realidade e identidade única” e acrescenta que o distrito de Setúbal, “nesta lógica do crescimento globalizado, da viragem do ponto de vista dos partidos de esquerda” deve ter em conta uma consciência estratégica a nível de acessibilidades que permita a interligação rodoviária, ferroviária e marítima. Por isso, falou na necessidade de que toda a relação comercial marítima seja feita pela centralidade que é o distrito na relação euro-atlântica e que esta relação seja complementada pela função aérea, através do novo Aeroporto de Lisboa que será construído no Campo de Tiro de Alcochete. Sobre estas questões das acessibilidades, comenta: “é uma plataforma brutal para toda a Europa”. A passagem do TGV pelo distrito também foi sublinhado por Vítor Ramalho.

“Este distrito tem todos os condimentos para ser o impulsionador desse desígnio” – parcerias com outros países

Entende que o desígnio do país e do distrito não se deve reger pelo défice orçamental, que entende ser “um mero instrumento”, mas sim em resposta à pergunta: “Para onde vamos?”. E, a esse respeito, entende que a presença de Portugal na Europa responde a essa questão, ao que comenta: “Acho que temos um papel brutal enquanto povo e país”. E faz menção à necessidade de se estabelecerem parcerias não só com a Extremadura de Espanha, mas através do novo aeroporto, aproveitando a aproximação que se estabelece entre os países e territórios, fomentar parcerias económicas, ao que comenta: “pôr os empresários a conhecerem-se” e isto diz que pode ser feito ao nível das Câmaras, Instituições Públicas e Empresas. Uma prioridade para “rasgar horizontes, nesta lógica de gerar riqueza”, sustenta. O que diz que tem de ser acompanhado por uma “visão cultural e não meramente económica.” E nessa estratégia, chama a atenção para a necessidade de haver “um redimensionamento dos países com a nossa língua”. Um desígnio que diz ser nacional, mas sobre o que comenta: “Este distrito tem todos os condimentos para ser o impulsionador desse desígnio” e acrescenta: “Este distrito que de região problema, que foi sempre, pode ser convertido num motor de desenvolvimento”.

Visão integrada dos concelhos do Arco Ribeirinho

De um distrito composto por 13 concelhos e 82 freguesias, defende que seja “discutido os interesses do ponto de vista da sua composição geográfica” e chama a atenção para a importância de se agregarem municípios, defendendo os projectos em conjuntos. Nesse âmbito, fala numa visão integrada dos concelhos do Arco Ribeirinho, advogando que se responda: “à criação ousada de projectos comuns que correspondam ao Arco Ribeirinho”, que articula seis concelhos: Montijo, Barreiro, Almada, Seixal, Alcochete e Moita. Sublinhou ainda a existência no distrito de “concelhos com vertente industrial muito forte” e nos quatro concelhos perto do litoral Alentejano, fez referência às suas potencialidades de desenvolvimento turístico tradicional e cultural. E acrescentou: “se acrescentarmos a maior plataforma logística, das onze que o país vai ter, esta oportunidade não pode ser perdida”, referindo-se à Plataforma Logística no Poceirão.

Necessidade de pensar em conjunto o distrito, ultrapassando as visões partidárias

Para a concretização do que chama de desígnio, chama a atenção para a importância de “começarmos a dialogar com abertura” e de pensar em conjunto e, nesse sentido, invoca a necessidade de se pensar a estratégia do distrito, ultrapassando as visões partidárias e concelhias, defendendo: “a consciencialização para objectivos comuns, que sirvam a todos, e não só raciocinar em termos exclusivamente partidários e restritos”, ao que comenta: “os partidos não representam a totalidade da Nação”.

Estimular o emprego

A respeito do problema do desemprego, que no distrito de Setúbal atingiu uma taxa superior à da média do país, sublinha o papel das autarquias nesta questão, considerando que a sua função pode passar por estimular o emprego, através do fomento de médias, pequenas e sobretudo de micro empresas e sublinha: “Este não é um problema só do Governo”. Considera, pois, que o país “não tem só desertificação do interior, está com desertificação de ideias”.

Necessidade de uma análise integrada dos PDM do distrito

No período de debate, as questões mais focadas foram nomeadamente a respeito da necessidade do fomento de uma cultura de diálogo entre diferentes facções políticas, nomeadamente as da esquerda, para a concretização dos projectos que afloram no distrito, assim como a utilização de instrumentos de participação que fomentem a cidadania.
Partindo da ideia de se pensar em conjunto o distrito, foi salientada a necessidade de uma análise integrada dos Planos Directores Municipais (PDM), para possibilitar uma análise sectorial da região. E tendo em conta o momento que o distrito atravessa, a importância de se trabalhar na base do conhecimento, foi também um aspecto muito focado, considerado determinante na base da decisão

Ponte Barreiro–Chelas - “é uma travessia que não tenho dúvidas nenhumas de que se vai fazer”

Houve também quem falasse, face à globalização, na necessidade de se apostar cada vez mais no “marketing de nicho” para atrair a atenção do Mundo e dentro do distrito, referenciaram-se as áreas ambientais, industriais e logísticas que, nesse âmbito, deveriam ser mais apostadas. Foi questionada ainda a ausência, no discurso de Vítor Ramalho, da referência à terceira travessia do Tejo Barreiro-Chelas, ao que o Líder Distrital do PS respondeu “para mim a Ponte é um dado completamente consolidado” e acrescentou: “é uma travessia que não tenho dúvidas nenhumas de que se vai fazer.”

“Todos os desafios que se coloquem, eu estarei disposto a protagonizar, inclusivamente a desenvolver outras acções”

E assumindo-se como um homem de esquerda, “defensor de causas e “com frontalidade”, Vítor Ramalho sublinha que o que pretende é: “neste âmbito regional, gostaria de ser portador desta nova concepção cultural”. Quanto à sua função, enquanto líder distrital de um partido, comenta: “todos os desafios que se coloquem, eu estarei disposto a protagonizar, inclusivamente a desenvolver outras acções”.

Abril – Conversas do Palácio com Luís Tavares, administrador da Quimiparque,

Para Abril, ainda sem data acertada, já está marcada outra iniciativa do Conversas do Palácio, desta feita com a presença do administrador da Quimiparque, Luís Tavares, para falar das ideias em torno da Quimiparque.

Andreia Catarina Lopes

7.3.2008 - 22:36

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