reportagem
Visita ao Barreiro de Deputados do Parlamento Europeu da Esquerda Unitária
Presidente da Câmara defende “Europa dos povos e do não à guerra”
Sobre o futuro da União Europeia, Carlos Humberto falou de um “mundo multicolor”, o que entende por uma Europa mais solidária, constituída por culturas distintas e que nessas diferenças “se construa uma sociedade mais justa e uma Europa mais aberta que ajude os países subdesenvolvidos” e onde cada país “se afirme como é” e combata as desigualdades. E nessa batalha pela igualdade aludiu para a necessidade da manutenção da paz, através da “cooperação, da solidariedade e da amizade”, o que o leva a falar de “Europa dos povos e do não à guerra”.
“Agradeço por terem escolhido a nossa terra para esta visita”, expressou o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, agraciando a passagem dos deputados do Parlamento Europeu da Esquerda Unitária, uma comitiva de cerca de 90 deputados que veio ontem ao Barreiro e expressou a defesa de uma Europa não militarizada, postura também partilhada pelo presidente da Câmara do Barreiro que sobre isso advogou: “Europa dos povos e do não à guerra”.
Defesa de uma Europa de combate à pobreza e a todas as formas de discriminação
Perante a presença dos deputados, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro quis deixar a posição da autarquia a respeito da União Europeia, ao que proferiu: “Acreditamos numa Europa de cooperação, de paz, não militarista, solidária, democrática e transparente” e prosseguiu, referindo que essa posição contempla o respeito pela soberania e igualdade dos povos, a coesão da Europa que contemple mais emprego e mais direitos dos trabalhadores e cidadãos e uma “efectiva promoção da igualdade e de direitos de oportunidades paras as mulheres”, sublinhou. Tudo no que diz ser no sentido do “combate à pobreza, à exclusão social e a todas as formas de discriminação”.
Uma Europa onde cada país “se afirme como é”
Sobre o futuro da União Europeia, Carlos Humberto falou de um “mundo multicolor”, o que entende por uma Europa mais solidária, constituída por culturas distintas e que nessas diferenças “se construa uma sociedade mais justa e uma Europa mais aberta que ajude os países subdesenvolvidos” e onde cada país “se afirme como é” e combata as desigualdades. E nessa batalha pela igualdade aludiu para a necessidade da manutenção da paz, através da “cooperação, da solidariedade e da amizade”, o que o leva a falar de “Europa dos povos e do não à guerra”.
Barreiro – “um dos maiores pólos de resistência ao fascismo e de luta pela liberdade e pela democracia”
E em jeito de apresentação, traçou um pequeno apontamento sobre o passado, mas também sobre o presente e o futuro do concelho do Barreiro. A respeito dos tempos de outrora, falou do papel interventivo da população durante o regime ditatorial que antecipou o 25 de Abril de 74, apelidando-o de “um passado de luta, combate, intervenção e resistência”, e atribuindo ao Barreiro a designação de: “um dos maiores pólos de resistência ao fascismo e de luta pela liberdade e pela democracia”.
E seguindo essa mesma ideia, rematou: ”Não tenho dúvidas de que o povo do Barreiro lutou contra a opressão e pela liberdade, com posições solidárias e anticolunialistas e é esse mesmo povo que na Europa luta pelos direitos e igualdades”.
“O Barreiro é um concelho com passado, presente e com um futuro, com perspectivas muito interessantes”
Ainda sobre as raízes do Barreiro falou na sua actividade económica, essencialmente nas indústrias, ao que mencionou a indústria da cortiça, a ferroviária e a indústria química pesada. Não deixou de referir as mudanças que ocorreram com o encerramento da antiga CUF, que apelida de “a maior empresa industrial do país e o maior complexo industrial da Península Ibérica” e cujo fecho diz ter sido “fruto da evolução tecnológica e de opções ‘neoliberais’”. Uma mudança com consequências, ao que comentou: “cresceu o desemprego, cresceram os problemas de carácter social e cresceram e intensificaram-se os problemas de carácter emocional”. Ainda assim e perante essa realidade, não deixou de referir: “O Barreiro é um concelho com passado, presente e com um futuro, com perspectivas muito interessantes”.
“Que a Quimiparque continue a ser um pólo de emprego mas para o século XXI”
Do futuro do concelho do Barreiro, o edil barreirense fez menção aos projectos que se avizinham, fundamentalmente da 3ª Travessia do Tejo e do projecto para a Quimiparque, e sobre este último comentou: “Que a Quimiparque continue a ser um pólo de emprego mas para o século XXI”, acrescentando: “Que ajude a modernizar e a tornar mais colorida a nossa terra que é muito escura, por mais de um século de poluição das fábricas que nos deram de comer e ajudaram a construir uma área mais solidária”.
Museu Industrial da Quimiparque – “hino ao trabalho e à classe operária”
Da passagem pelo Museu Industrial da Quimiparque, o presidente do Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/ Esquerda Nórdica Verde, Francis Wurtz quis deixar umas palavras, referindo que apesar de a visita ter sido curta, considerou ter aprendido muito, pois nesse local que diz ser um “hino ao trabalho e à classe operária” encontrou vestígios de um tempo de luta pelos direitos, em que Portugal lutou “pela dignidade e resistência” e por isso considerou ter sido um dia “muito rico”.
“Ou são válidos para todos os cidadãos ou não existem direitos fundamentais”
Francis Wurtz expressou a sua opinião a respeito do Tratado Constitucional Europeu, considerando que “nenhuma das questões essenciais debatidas há dois anos foram levadas em linha de conta” nesse documento. Na sua opinião, também na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, incluída na segunda parte do Tratado Constitucional, os direitos elementares da restrição externa não estão bem explícitos, ao que acrescenta: “neste momento existem dois países, o Reino Unido e a Polónia que estão isentos de direitos fundamentais”. Circunstância que não lhe parece correcta: “Ou são válidos para todos os cidadãos ou não existem direitos fundamentais”.
Defesa pela Europa não militarizada
Partilhando da opinião do presidente da Câmara do Barreiro, ao defender uma Europa desmilitarizada, disse que também nesse domínio encontra no Tratado “os temores de uma via militarista”, ao que fundamentou: “existem artigos que levam os estados membros ao aumento das suas forças armadas”. Questões que considera que devem de ser revistas na redacção do chamado tratado reformador.
Andreia Lopes Gonçalves
17.10.2007 - 17:20
imprimir
PUB.
Pesquisar outras notícias no Google
A cópia, reprodução e redistribuição deste website para qualquer servidor que não seja o escolhido pelo seu propietário é expressamente proibida.
Fotografia e Textos: Jornal Rostos.
Copyright © 2002-2020 Todos os direitos reservados.

RSS
TWITTER
FACEBOOK