Barreiro – Rosto do ano 2025«Barreiro tem uma cultura dinâmica»
afirma Dália Cordeiro, rosto na área da Cultura
«Gostava que houvesse no Barreiro, outro equipamento cultural, para serem feitas mais exposições de arte contemporânea. Era muito interessante que houvesse uma bienal de arte contemporânea.», afirma Dália Cordeiro.

Por Jornal Rostos
Dália Cordeiro nasceu no Barreiro em 1955. Formou-se em Educação Visual e Tecnológica pelo Instituto Piaget em Almada e lecionou artes visuais durante mais de trinta e cinco anos na escola pública portuguesa, em particular na Escola Álvaro Velho no Barreiro.
Nos últimos anos tem-se dedicado por inteiro à produção artística. Desde 2012 expõe regularmente em mostras coletivas e individuais. A partir de 2021 a sua obra ganhou uma maior projeção pública, través de icónicos salões de arte moderna e contemporânea, nomeadamente a participação na IV Bienal de Génova e no Salon d´Automne de Paris e na Art Capital Paris - históricos salões constituídos por um júri crítico. Os seus trabalhos são reflexos de uma inquietude que oscila entre representações surrealistas e expressionistas. No ano de 2025, para além da presença em Paris, a sua obra foi exposta individualmente na cidade de Évora, na Biblioteca Pública de Évora e na Galeria do Palácio do Barrocal. Neste ano foi igualmente selecionada para a Bienal Internacional de Gaia com a obra “Alienação”, uma pintura crítica à progressiva fusão entre a humanidade e a máquina.
Trabalho com reconhecimento nacional e internacional
Que significado atribui por receber a distinção na área da Cultura?
«O que sinto é gratidão. Gratidão, pelo vosso trabalho que é um trabalho meritório, considero que é uma maravilha o que fazem, dar a conhecer o trabalho realizado pelas pessoas do concelho, e, gratidão para vos agradecer, reconhecerem o mérito do meu trabalho, que tem participações ao nível nacional e internacional. Fico grata”
Cultura é dinâmica devido às características do Barreiro
Como pensa a cultura e a vida cultural no concelho do Barreiro?
“A cultura no Barreiro é positiva, claro, como em tudo na vida, há sempre coisas para fazer e melhorar. No entanto, se observarmos o que é feito ao longo do tempo, acho que o Barreiro tem uma cultura dinâmica. Uma cultura que é dinâmica devido às características, e da própria especificidade das organizações que existem no Barreiro. Não é só a Câmara Municipal do Barreiro que promove eventos culturais, são também colectivos artísticos, como a OUT.RA, a ADAO, a PADA, são associações independentes, todos em sintonia, vão dinamizando o Barreiro, com iniciativas que considero muito importantes, na música experimental, no jazz, o Open Day da ADAO (onde já participei, e nunca mais esquecerei essa presença), a Ephemera, tudo isto movimenta a cultura no Barreiro. A cultura no Barreiro não está estática, tem movimento, é dinâmica. O AMAC também tem compromissos interessantíssimos, embora considere que deveria existir outro equipamento cultural, para serem feitas mais exposições de arte contemporânea. Era muito interessante que houvesse uma bienal de arte contemporânea.”
A propósito de AMAC, já fez lá alguma exposição do seu trabalho?
“Não. Nunca expus no AMAC. Se me convidarem e estiver disponível, tudo bem».
Temos chance para ser a capital portuguesa da Cultura.
Como pensa o desenvolvimento da vida cultural no concelho do Barreiro?
«Considero que nós, Barreiro, temos chance para ser a Capital Portuguesa da Cultura, por termos características únicas, pela nossa implantação na bacia do Tejo, que nos deixou património construído, do período da proto- industrialização e que foi ultimamente restaurado e preservado pela autarquia.
O nosso património industrial é único, cheio de memórias e vivências que a CUF nos deixou, vivências essas que ainda perduram no tempo, como o associativismo, os coletivos artísticos, o encontro das pessoas…
Temos Street Paintings com significado e com arte, temos um arquivo fantástico, a Ephemera, encontros internacionais de música, de BD, artistas, homens e mulheres da cultura.»
A arte faz parte de mim
Que significa para si, pessoalmente, a entrega plena à arte?
“A minha arte, não é apenas uma composição estética, tem o propósito de agitar os sentidos do observador, de ser perscrutada.
Desde 2023 que tenho vindo a expressar a minha inquietação na Série "Alienação" que revela a falta de normas reguladoras dos sistemas algorítmicos e sistemas de IA e que alienam e vão aprisionando a humanidade.
Considero-me uma vanguardista do ponto de vista semântico, precisamente por ter introduzido esta temática.
Uma das minhas obras, desta série foi exposta na Bienal, 2025 de Gaia, Bienal de Causas.
Também trabalho a temática "Poiesis" e a temática "Caminhar livremente na Terra" biologizantes longe da implicação maquínica, num abraço à natureza.»
Barreirenses respeitem a herança que receberam
Que mensagem deixa para os barreirenses?
«Os barreirenses que sejam respeitadores e felizes. Que respeitem a herança que receberam, que respeitem as outras pessoas. É aqui no respeito que está o início da empatia. Se nós não amarmos os outros e a terra onde vivemos as coisas vão degradar-se.”
Cerimónia de Entrega das distinções Rosto do Ano
Dália Cordeiro recebe merecidamente a distinção Rosto do Ano 2025 na área da Cultura.
A Cerimónia de Entrega das distinções Rosto do Ano, vai decorrer numa sala dos Cinemas Castello Lopes, no Barra Shopping, no próximo dia 27 de Setembro, pelas 10h30, sendo integrada no programa de comemorações dos 25 anos do jornal Rostos.
António Sousa Pereira
T- 180
Fotografia - Marta Sousa Pereira














