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Colunistas

Por Vera SilvaA saúde mental na criança e adolescente: um reflexo social?
Barreiro

O Dia Internacional da Saúde Mental, assinala-se dia 10 de outubro. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) a saúde mental corresponde à experiência vivida na primeira pessoa, pelo que o próprio deve e pode estar envolvido “nas políticas, serviços e decisões que afetam a sua vida”.

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Por Vera Silva A saúde mental na criança e adolescente: um reflexo social? Barreiro

Por Jornal Rostos

A saúde mental corresponde à vivência das experiências no que diz respeito à mente do próprio. Num mesmo acontecimento, todos os que estiverem envolvidos vão ter uma visão inerente ao seu estado mental, assim como às respetivas experiências passadas. Quando os mesmos partilham o sucedido as opiniões divergem, assim como as emoções e os sentimentos que daí advêm. As emoções correspondem a processos biológicos, através dos quais o organismo atinge o equilíbrio. São reações químicas e neuronais que têm um papel regulador para conservar a vida. Assim é nos seres humanos e nos restantes animais. Já os sentimentos são um construto da mente consciente que gera teatros mentais de um acontecimento. É como ruminar na situação a partir da emoção tida que o corpo utilizou como auxílio para se defender do caos.


A partir deste ponto, cada vez que as circunstâncias desencadearem a mesma emoção, a mente consciente regressa ao teatro mental daquele momento que teve como argumentista o próprio. Facto é que são marcas que perduram para o resto da vida. É assim no adulto e muito mais intenso é na criança e adolescente. Na criança, porque o cérebro com uma forte neuroplasticidade, retém tudo. Assim se faz a educação pelo exemplo. A criança observa atentamente e replica. Até aos três anos de idade, num mundo de jogo simbólico, tudo o que passa pelos cinco sentidos, fica e será a base para o que é vivido posteriormente; sendo o olfato, o sentido, primordial na retenção de sensações. Até aos sete anos de idade deixamos as nossas maiores marcas na criança. Numa sociedade cada vez mais destruturada, que corre a um ritmo alucinante e desgastante, sem alicerces capazes, com raízes e valores quase ausentes, as crianças perdem o seu círculo de segurança. As questões familiares de violência entre adultos, são também para a criança, que, e/ou replica em sofrimento a ação e/ou desencadeia patologias mentais de depressão, ansiedade, ideação suicida, entre outras tantas com necessidade de apoio. Mas se quem deve cuidar não está equilibrado, como poderemos ter crianças mentalmente saudáveis? Já no que diz respeito ao adolescente, o fio condutor do seu desenvolvimento cerebral tem como base o vivido anteriormente. É com toda essa bagagem mental, de vivências, que vai criando vínculos, sentimentos e valores, para passar à vida adulta. Esta é uma fase de transição tão importante como a infância, mas onde estruturar o seu Eu depende de muitas mais variáveis.


A família questionada, mas tida como porto seguro e limites, os amigos a crença no que consideram certo. Do conjunto de tudo isto nasce um adulto. As variáveis sociais alimentam a construção do ser humano. Se cresce num ambiente de segurança e amor estabelece bases firmes para a vida. Mas se o inverso se verifica, a saúde mental desequilibrada impede que cada momento consista num construto feliz e capaz de seguir em frente, independente da família. Cada vez mais famílias se desagregam. No entanto, se os pais mantiverem laços de amizade os mesmos atuarão em prol da criança e adolescente. Quando a violência tem ou teve lugar, o contacto dispersa-se e os filhos jamais passam a ser meras armas de arremesso para atingir a fragilidade do outro. Se assim é, porque é que nos tornamos adultos? O adulto em teoria é um ser responsável. Outro facto que pesa bastante na saúde mental de todos, e não só das crianças e adolescentes, é quando os elementos da família se expõem aos ecrãs, nomeadamente smartphones. Cada vez mais fazem parte do nosso dia a dia, como uma extensão do nosso corpo. Obviamente vamos atrás da forma de transmitirmos e recebermos informação, atendendo ao paradigma de como a maioria dos seres humanos comunica atualmente. Quando veem a família usar o telemóvel para comunicar, isolar-se, no fundo fazer a sua vida em função do mesmo, as crianças e adolescentes vão replicar, se tal lhes for permitido.


O acesso fácil aos ecrãs, à vida vivida num scroll, estará muito provavelmente na origem de tanta patologia mental infantojuvenil. Para quê olhar para o mundo em redor e alguém nos olhos, quando se pode dizer o que pensamos e sentimos através de um ecrã? Sejamos seres humanos e jamais escondamos a nossa identidade atrás do que quer que seja. Devemos e podemos educar pelo exemplo, com frontalidade. A aceitação faz parte da saúde mental e quando não aceitamos o próximo ou a nós mesmos, estamos doentes mentalmente. Jamais ignoremos esta noção do Eu que somos, porque a mente controla o nosso bem-estar psicológico, físico e social. Em saúde mental, aceitamos, seguimos em frente e jamais ficamos a digerir as emoções, tornando-as num teatro mental personificado por sentimentos que são apenas o reflexo das vivências e do ser social.


Vera Silva

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