Emídio Xavier no BrasilApresenta perspectivas de investimentos na Região de Setúbal

Por Jornal Rostos
O Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, na sua intervenção referiu que – “Apresentar as perspectivas de desenvolvimento da região de Setúbal obriga a fazer uma breve resenha histórica do que foi o seu passado. Para não recuar muito no tempo, queria começar por dizer que a região de Setúbal goza de características naturais de excelência. Merecem referência os solos férteis, as formações vegetais com características únicas no mundo, a mistura da sua paisagem entre atlântica e a mediterrânea, a riqueza biológica da costa e as reservas de biodiversidade dos estuários dos rios Tejo e Sado, as planícies e várzeas alentejanas, os relevos acentuados das serras, entre outros.
Enfim, toda uma região cheia de valores que desde sempre esteve ligada à industria e à actividade piscatória e agrícola. Registos históricos mostram pólos de actividade cerâmica, de produção de sal, piscatória, conserveira, agrícola, e mais recentemente de produção florestal e construção naval com especial ênfase na época dos descobrimentos.
É interessante referir que foi na região de Setúbal que foram construídas as naus usadas na viagem de descoberta do Brasil. Uma breve referência também deve ser feita ao vosso tão conhecido Pão de Açúcar, cujas formas cerâmicas eram produzidas precisamente na área do Município que presido actualmente.
Mais recente, e sensivelmente a partir da década de 50, a região e em especial a sua área mais a norte, assistiu a um forte desenvolvimento industrial, que se desdobrou entre a indústria química pesada, a produção de adubos e fertilizantes, o desenvolvimento da exploração mineira, e a construção naval, apenas para referir as mais relevantes de muitas outras. Alguns analistas afirmam que a revolução industrial chegou com 100 anos de atraso a Portugal e instalou-se no eixo Barreiro/Seixal/Setúbal. Este desenvolvimento industrial, associado a um conjunto de transformações económicas do país e ao declínio do sector agrícola, empurraram uma parte da população rural para as áreas industriais. Concelhos como o Barreiro, que tinha em 1960 cerca de 35.000 habitantes recenseados ou como Setúbal que tinha também neste ano cerca de 56.000 hab. Tinham em 1991 86.000 e 103.000 hab. respectivamente. Transformaram-se trabalhadores rurais em trabalhadores fabris, acolhendo famílias inteiras nas suas fábricas.”
Crescimento desregrado
Para o autarca barreirense - “Este crescimento motivou um desenvolvimento urbano desregrado, que transformou as cidades de pequena dimensão em manchas urbanas de betão e criou alguns espaços suburbanos de baixa qualidade, mas permitiu concentrar serviços e equipamentos de escala melhorando substancialmente a atenção prestada pelo estado aos cidadãos. A ligação rodoviária com a margem norte através da Ponte sobre o Tejo em Almada, como que constituiu uma nova era no fluxo de pessoas e bens, criando uma plataforma habitacional fortíssima a sul e permitindo o desenvolvimento complementar do Porto de Setúbal como plataforma logística. O concelho do Seixal é disso um caso bem ilustrativo. Em 1960 tinha cerca de 20.000 habitantes, passando para 150.000 hab. em 2001. Um crescimento de 750%.
Nestes últimos 50 anos a sucessão de actividades foi uma realidade bem marcada na região. O abandono da actividade agrícola deixou em algumas áreas apenas a produção de Vinha e Arroz como as culturas mais representativas. A indústria viu um revéz forte, com o encerramento de inúmeras unidades, quer de construção naval, quer químicas, siderúrgicas entre muitas outras, o que representou uma redução do n.º de postos de trabalho em cerca de 20%, face à tendênca da última metade do século XX.
O caso específico do complexo industrial do Barreiro é disso um bom exemplo. Uma unidade que nas suas diversas vertentes e no auge da sua actividade chegou a representar a fonte de rendimento de cerca de 60.000 pessoas, foi actualmente transformada num parque empresarial onde estão sediadas cerca de 300 pequenas e médias empresas, representando um total de cerca de 4.000 postos de trabalho.”
Um projecto positivo
Para Emidio Xavier – “Uma iniciativa que merece destaque pelo que representa em termos de esforço para encontrar alternativas à diminuição dos postos de trabalho, que se acentuou na década de 90, foi a instalação da unidade de produção automóvel – Autoeuropa – invertendo a tendência desastrosa e de consequências sociais muito negativas para toda a região, não apenas pela criação directa de emprego, mas também pelo que representou em matéria de dinamização dos sectores associados à produção de componentes complementares à produção automóvel.
Esta útima época foi também palco de duas experiências relevantes em matéria de turismo, embora o seu impacte tenha sido pouco sentido na economia regional. Quer o projecto turístico de Tróia, quer o desenvolvimento algo desregrado da indústria hoteleira da Costa da Caparica representam os mais abrangentes focos de turismo da região. Porém, os registos de aumento do PIB associado à actividade turística são pouco relevantes, quando comparados com outras experiências a nível nacional.
A recente ligação por travessia do Tejo entre Lisboa e o Montijo representou mais uma forma de revitalizar um território que, não tendo espaços-âncora de desenvolvimento, não acompanhou de forma igual o crescimento do resto da região. Enquanto que se referiram taxas de crescimento populacional em concelhos como o Seixal, da ordem dos 750%, no mesmo periodo, concelhos como o Montijo ou Alcochete cresciam 17% e 10% respectivamente.
Depois de várias experiências de desenvolvimento desigual, algumas falhadas e outras de sucesso, o Futuro desta região revela-se promissor a vários níveis. O património natural é uma realidade que resistiu à passagem da indústria, ileso em boa parte da sua representação.
Os recursos territoriais assumem um valor de excelência não apenas em termos regionais mas mesmo em termos nacionais. As potencialidades do Porto de Sines como porta de entrada logística da Europa são sobejamente conhecidas, restando a tarefa de colocar esta infra-estrutura portuária no mapa dos Portos Europeus. A sua complementaridade com os Portos de Lisboa e Setúbal, associada ao desenvolvimento das ligações ferroviárias com Espanha e daí para os principais polos logísticos Europeus deixam á região de Setúbal a especial responsabilidade de gerir um modelo de desenvolvimento à escala da Europa.
A ligação ferroviária à Rede Europeia de Alta Velocidade que se perspectiva para breve, representará no curto/médio prazo que 6 milhões de pessoas estarão a uma distância temporal inferior a 4 horas de qualquer local de destino na região de abrangência, criando um polo de desenvolvimento com limites territoriais significativamente maiores e assim, promovendo a ligação mais eficiente e com novas perspectivas de desenvolvimento económico e social.
Numa outra área importante, a opção da construção do novo Aeroporto Internacional de Lisboa deve contemplar as questões estratégicas do desenvolvimento regional. Os índices de mobilidade da região de Setúbal, não só em termos internos, como também em matéria de ligação inter-regional são dos mais elevados a nível nacional. Este facto traduz-se num menor tempo de deslocação entre pontos associado ao número de utilizadores por trajecto. Em conjunto com outros factores como as potencialidades de uso do solo, a redução impacte ambiental associado quer à construção quer à exploração da infra-estrutura e a dinamização económica loco-regional, toda esta dinâmica deve conduzir à escolha da sua localização numa área que regionalmente se situasse no eixo Marateca/Setúbal/Sul. A reforçar esta opção estão os indicadores de desenvolvimento territorial de todo o sector Sul da região de Setúbal e do Alentejo interior, região esta alvo de um processo de forte desertificação que urge inverter, onde curiosamente se concentra um conjunto de recursos territoriais e de uso do solo com elevada representatividade a nível nacional.”
Perspectivas de investimento
Na sua intervenção o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro referiu que - “A articulação da área Norte da região de Setúbal com a Área Metropolitana de Lisboa tem condições de excelência para se consolidar. Para este facto concorrem diversos factores que em conjunto, representam “a” oportunidade de dar a dimensão de área urbana de dimensão europeia a todo este conjunto de território e de população. Por um lado, as ligações rodo-ferro-fluviais entre margens e cidades encontram-se num estado de desenvolvimento motivador de investimentos e complementaridades, que darão ao território uma homogeneidade e complementaridade estratégica. Resta completar esta fluência de pessoas e bens com a já tardia ligação Barreiro-Lisboa por modo rodo-ferroviário. Por outro lado, a desafectação de uso industrial de espaços de grandes dimensões e ainda maior representatividade no interior da Área Metropolitana de Lisboa, constituem-se como reservas estratégicas de espaços livres para intervenção. Os polos outrora industriais dos concelhos de Almada, Seixal e Barreiro, que se encontram actualmente na sua quase totalidade desafectados deste uso, constituem o Arco Ribeirinho Sul que, em complementaridade com a margem Norte, permitirão dar à Área Metropolitana de Lisboa e à Região de Setúbal uma nova valência de conjunto urbano moderno e sustentável. Para estes espaços perspectivam-se investimentos e projectos que representem âncoras de desenvolvimento económico e social com impacto internacional, motivando novas economias e novas dinâmicas regionais.
A redefinição de estratégias, com a intervenção prioritária nos sectores mais relevantes e com maior potencial de retorno, são fundamentais para o sucesso de uma região, onde idealmente cada vez mais se esbatam os limites territoriais e se tornem os pontos fracos em pontos fortes e as ameaças em oportunidades. A noção de região homogénea trará uma coesão económica e social que a médio prazo, será uma arma poderosa e necessária contra a globalização da economia.”













